Veículos de Expressão das Criaturas nos Planos da Criação
É evidente que se o Espírito é sem forma e se assemelha a um clarão, centelha ou chama imortal, sendo o núcleo real da vida do homem, ele precisa de corpos ou elos intermediários que lhe facultem descer vibratoriamente até poder se manifestar num mundo material como a Terra, mediante um corpo carnal. Esses corpos mediadores plásticos, que estabelecem a integração do mundo espiritual com a matéria, são constituídos com a essência ou substância dos planos intermediários em que o espírito tem de ingressar.
Não existem distâncias “métricas” ou lineares entre o reino do Espírito eterno e o mundo material, pois essa pretensa separação é apenas uma diferença de estados vibratórios de cada plano entre si. É óbvio que o Espírito, em face de sua natureza superior e vibração sutilíssima, para poder “encarnar-se” na matéria, precisa servir-se de veículos intermediários. Assim como o raio do Sol não pode mover um vaso de barro, o Espírito, pela sua natureza imaterial, também não é capaz de movimentar diretamente um corpo físico.
Entre o Espírito e o corpo carnal existe um “espaço” ou “distância vibratória” que precisa ser preenchido pelos corpos sutis, veículos ou elos intermediários, confeccionados da mesma substância que forma cada plano intermediário.
O homem, na verdade, é centelha imortal; é consciência e memória já acumuladas no tempo e no espaço, que age através de vários veículos ocultos no mundo invisível a vibrar nos seus planos correspondentes, para só depois situar-se na cápsula de carne, que é o corpo físico.
Em conseqüência, o homem é composto da essência da vida cósmica e também se liga a todas as manifestações de vida no Universo. O corpo físico pode ser comparado a uma espécie de ímã que atrai em torno de si, no espaço por ele ocupado, as partículas constitutivas dos corpos mais sutis. O homem, dependendo do estágio evolutivo, dispõe de até sete corpos ou veículos autônomos de consciência para sua expressão nos diferentes planos de manifestação da criação divina, porém, essa constituição setenária é quase desconhecida no ocidente, onde essa realidade costuma ser reduzida e simplificada conforme a escola de iniciação ou organização religiosa em questão (ver quadro comparativo adiante, na próxima página).
Comparando-se a classificação setenária às divisões gregas, espírita e à tradicional cristã, verifica-se que a divisão em dois ou três corpos é apenas simplificação de uma divisão mais detalhada, pois todas as classificações procuram expressar didaticamente a mesma realidade, embora a divisão setenária defina melhor o “Eu Real” e seus veículos através de cada plano de expressão da Criação Divina. Nela, qualquer que seja a classificação correspondente, o corpo físico denso, veículo de expressão da consciência humana encarnada no plano material, é constituído de matéria química (nos estados de agregação sólido, líquido e gasoso), seguido nos demais planos por outros corpos nele interpenetrados, ditos corpos sutis, ou seja, seus veículos de expressão nos planos hiperfísicos.