Recordações de Vidas Passadas na Primeira Infância
Levando em consideração a grande dificuldade com que a memória astral luta para transferir os acontecimentos do mundo imponderável para o cérebro físico, é possível compreender melhor os fatores que facultam ao homem a lembrança de alguns acontecimentos das suas encarnações anteriores.
Uma das provas evidentes de que a lembrança das vidas passadas depende essencialmente da memória etéreo-astral, está no fato de que as recordações pretéritas são muito mais claras e identificáveis até que a criança complete a idade de sete anos. Depois dessa idade, as evocações quase sempre se confundem ou se enfraquecem na consciência física desperta, porque o perispírito, então, se incorpora ou se ajusta mais profundamente ao escafandro da carne.
Até os sete anos de idade, ele se encontra algo deslocado para dentro do mundo invisível, mais para o interior da vida astral, o que facilita ao espírito encarnado ligar-se com mais êxito ao acervo de sua memória etérica pregressa.
Entre muitos encarnados, costuma-se dizer que as crianças são “inocentes” até os sete anos de idade, mas, em geral, ignora-se que isso é decorrente do próprio cientificismo espiritual, pois durante essa idade o perispírito ainda não se incorporou completamente ao seu novo corpo de carne.
Então, predominam nela, fortemente, a natureza emotiva e a bagagem instintiva do psiquismo milenário, que produz desejos e emoções descontroladas, que são levados à conta da irresponsabilidade dos atos infantis. Ao contrário disso, os adultos devem ser responsáveis por seus atos porque, devido à incorporação completa do seu corpo mental, na maioridade física já gozam do senso de autocrítica entre o Bem e o Mal.
E, como o perispírito também se encontra obrigatoriamente ajustado à consciência física, na fase adulta se tornam mais raras as recordações do passado, que mais dificultadas ficam devido à proverbial redução de sensibilidade psíquica do homem, escravo das paixões animais e dos vícios degradantes.
Quase sempre os espíritos terrícolas encarnam-se à semelhança do pássaro que tomba desamparado no lodo; encarceram-se completamente na carapaça carnal e depositam toda sua fé e confiança no culto exagerado dos fenômenos físicos. Elegem a matéria como seu verdadeiro e exclusivo mundículo, deixando-se dirigir com docilidade pela frieza intelectiva dos raciocínios, escravos da fenomenologia dos cinco sentidos.
Durante a vida física, a memória integral do espírito, acumulada na jornada milenária do passado, fica amortecida pelas vibrações mais grosseiras do cérebro carnal. Como a tendência da alma encarnada é quase sempre a de se escravizar ao jugo das paixões, vícios, desregramentos mentais e emotivos, próprios do mundo terreno, o homem se torna um pobre autômato a serviço humilhante do instinto animal, abdicando imprudentemente do livre exercício do seu glorioso mandato espiritual.
A dor acerba e o sofrimento demorado é que, então, servem de recursos de última hora para salvá-lo do guante das paixões, que o amordaçam vida por vida, na matéria!