A Recordação Seletiva dos Sonhos
As recordações matinais dos acontecimentos vividos fora do corpo físico, serão tão nítidas quanto tenha sido a clareza da visão astral, de acordo com a menor ou maior capacidade da memória no estado de vigília física.
No entanto, como a tendência natural do espírito humano é a de olvidar as coisas que lhe causam angústia ou lhe são desagradáveis, o cérebro do perispírito se desinteressa da conservação das lembranças de acontecimentos hostis, tais como as recordações dos cenários coloridos dos planos purgatoriais que poderiam vir a ser recordadas pela manhã, na forma de fatos ou emoções desagradáveis, guardando apenas aquelas que causam alegria e satisfação.
É uma tendência que se comprova até nas criaturas que se deixam vencer por arroubos de saudosismo e que se põem a evocar a sua infância ou mocidade; nota-se que elas só suspiram pelos momentos agradáveis que passaram, e raramente recordam as vicissitudes e as decepções dolorosas já vividas.
O espírito também lança ao esquecimento os cenários mórbidos e repugnantes que entrevê à noite, em sua saída astral, e retoma o corpo tão logo este pressinta a estranha sensação de algum sonho detestável ou perturbador.
No entanto, se ele visitou cenários empolgantes, onde predominam paisagens encantadoras, as flores formosas, os perfumes embriagadores e as cores resplandecentes, a sua tendência comum é a de evocar, o mais vivamente possível, o panorama paradisíaco e as belezas entrevistas fora do corpo físico, pois as imagens enternecedoras e emolduradas pela fulgência, cor e perfumes das coisas e paisagens celestiais, que lembram venturosos mundos de fadas, tornam o despertar da alma impregnado das mais suaves recordações e poesias.
No retorno ao seu organismo de carne, o espírito insiste em evocar os sonhos maravilhosos, mas retrai a memória astral das impressões desagradáveis porque, em defesa instintiva, compreende que as recordações angustiosas lhe desarmonizam o psiquismo.