Despertamento Espontâneo da Memória Astral
Às vezes a criatura tem uma vaga idéia de que está recordando fragmentos de outras vidas passadas e, depois, quando envida ingentes esforços de memorização pregressa, não consegue alcançar o mesmo êxito. As lembranças das encarnações passadas podem afluir espontaneamente nas criaturas, variando conforme o grau de seu temperamento e da sua bagagem psíquica já adquirida:
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Em certos casos, a elevada sensibilidade espiritual de alguns seres faculta-lhes a possibilidade de “sentirem” os principais acontecimentos que se hão sucedido em vidas anteriores.
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Em outros casos, em virtude de possuírem um cérebro carnal de natureza muito perceptível e constituído por ascendentes biológicos rigorosamente sadios, as vibrações da memória astral repercutem-lhes com mais profundidade, permitindo-lhes que, ainda encarnados, possam auscultar algo dos acontecimentos definitivos arquivados no seu cérebro perispiritual.
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Há casos, também, em que o exercício esotérico, a leitura espiritualista ou a convivência sistemática em ambientes iniciáticos fazem emergir algumas lembranças pregressas, que mais se revigoram durante o despertamento parcial do perispírito.
Em geral, as reminiscências das vidas anteriores se manifestam gradativamente e através de espontâneas associações de idéias, quando então certos acontecimentos da atual existência se afinam com alguns fatos semelhantes, já vividos no pretérito.
Em tais momentos, as criaturas são dominadas por estranhas emoções e por efeitos misteriosos, que elas desconhecem em sua origem, mas “sentem” como exatos e vividos alhures.
Essas súbitas associações de idéias, que clareiam e sensibilizam bastante as ligações complexas entre o cérebro astral e o físico, podem suceder através da visão, da audição ou do olfato comuns, pois enquanto os sentidos físicos são fortemente atuados por quaisquer circunstâncias associativas do passado, o espírito fica num estado de profunda auscultação íntima, ansioso por identificar o fenômeno que reconhece verídico no seu subconsciente.
Assim é que, para certas criaturas, os sons vigorosos e sonoros do bater dos sinos, nos templos religiosos, podem associá-las inesperadamente a quaisquer acontecimentos importantes que já viveram noutras existências físicas e que se ligam a igrejas, catedrais, templos ou festividades religiosas que podem ter ocorrido em qualquer lugar geográfico no passado.
Doutra feita, os gritos, o vozerio e as imagens das multidões desordenadas acordam, então, na memória astral cenas idênticas, que se associam às lembranças subjetivas de movimentos belicosos, rebeldias, chacinas ou revoluções em que também tomaram parte em outras encarnações.
Da mesma forma, o perfume de determinadas flores, ou de algumas ervas odorantes e originais de países onde o espírito já viveu alguma existência mais impressionante, no pretérito, podem associar-lhe outros quadros importantes, embora não consiga defini-los com perfeita nitidez.
Assim, o sândalo da Índia, as margaridas do Egito, as flores de cerejeira do Japão, os cravos da Espanha ou o amílscar da Ásia podem transformar-se em súbitos élans, associando a mente encarnada às paisagens ou às lembranças de acontecimentos vividos outrora.
Em alguns casos, as cúpulas de edifícios exóticos, as paisagens estranhas, os filmes históricos, as músicas, canções, os vestuários ou os costumes pitorescos de outros povos atiçam reminiscências misteriosas na alma desprevenida, despertando-lhe a memória astral e superativando-lhe a imaginação sensível.
Quantas vezes encontra-se com criaturas que concorrem por acordar lembranças ou reflexões estranhas, sem que se possa descobrir os verdadeiros motivos que induzem o indivíduo a reconhecer, detrás daqueles corpos diferentes, alguém que amou ou que então odiou alhures.
Há casos em que o homem maltrapilho, feio e rude, com quem se encontra pela primeira vez, consegue despertar a simpatia que outro mais comunicativo e afidalgado não logra obter; sem dúvida, no primeiro caso é possível que se esteja defrontando com o espírito amigo do querido progenitor ou filho do passado, enquanto no segundo caso, pode-se reconhecer no subjetivismo da alma o adversário ou algoz que causou dolorosas atribulações e desesperos em vidas sucedidas anteriormente.
A sensibilidade psíquica para as evocações encarnatórias fica favorecida quando, através de associações de imagens, sons, perfumes ou fatos semelhantes, ativa-se a imaginação pela inesperada repercussão vibratória da memória astral do passado sobre a letargia do cérebro carnal.