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Fraternidade Ramatís
Apostila 15 Sono, Sonhos e Recordações do Passado Seção 4 de 15 A Dificuldade na Recordação dos Sonhos

A Dificuldade na Recordação dos Sonhos

O corpo astral, que compõe o conhecido perispírito, é um veículo de manifestação exclusiva no mundo astral onde, depois da morte do corpo físico, passa a se mover tão livre e conscientemente quanto seja o grau de evolução sideral do espírito.

Enquanto ele se conserva encarnado, todos os acontecimentos de que participa no mundo invisível são fixados exclusivamente em seu cérebro perispiritual, pois se sucedem noutras dimensões impróprias à recepção grosseira do cérebro físico.

Embora a memória do perispírito se amplie incessantemente pelos acontecimentos em que continua a tomar parte no plano extramaterial, o cérebro físico permanece alheio a tudo, pois só é responsável pela fenomenologia e pelos fatos próprios da matéria e entrevistos unicamente pelos cinco sentidos da carne.

O perispírito, por sempre sobreviver à morte do corpo carnal, conserva consigo tanto as imagens dos acontecimentos de que participa fora do corpo, no seu mundo astral, como aquelas que lhe tenham sido fixadas pelo cérebro físico.

Mas aquilo que o espírito só percebe quando livre no plano astral e fora do seu corpo físico, só é gravado no cérebro do perispírito, sem o conhecimento do cérebro de carne, porque este permanece ignorando o acontecimento.

Pela manhã, quando o espírito retorna ao seu organismo carnal, que abandonou durante o sono, não lhe é possível transmitir ao cérebro físico, com a desejada limpidez, a ordem e a natureza dos acontecimentos que foram observados e vividos no plano astral unicamente através de cérebro do perispírito.

Isso ocorre porque o cérebro físico não pode identificar com fidelidade as cenas e os acontecimentos de que não participou diretamente, e que só foram vividos pelo cérebro astral quando fora do corpo físico.

Às vezes, e com muita dificuldade, o cérebro perispiritual consegue fazer repercutir suas lembranças no cérebro físico, mas elas só se forjam na forma de evocações fantásticas, que mais tarde deixam dúvidas quanto a sua veracidade.

Após sua saída durante o sono, o espírito volta para o corpo físico, mas sua memória astral não se conjuga automaticamente à memória do cérebro carnal.

Quando o perispírito se ausenta do corpo material, o cérebro físico, depois no seu retorno, se antepõe à clareza das imagens que não presenciou, dificultando a sua devida filtração para a mente desperta no mundo terreno.

Posteriormente, através de alguns ecos vibratórios, como se fossem os últimos movimentos de uma rede após o seu balanço inicial, o homem ao despertar, então guarda algumas vagas recordações da sua livre atuação no mundo astral, que em seguida vem a considerar como sonhos indistintos, emersões do subconsciente, ou então produto das influências cotidianas.

Eis o motivo pelo qual não se recorda com clareza aquilo que se vê durante a saída do perispírito, no sono, apesar de se estar de posse da memória perispiritual integral.