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Fraternidade Ramatís
Apostila 15 Sono, Sonhos e Recordações do Passado Seção 1 de 15 Introdução

Introdução

Visto que a verdadeira vida do espírito é realmente aquela que se exerce livre da matéria, é evidente que ele luta constantemente para se livrar de sua prisão carnal, e a dificuldade em conseguí-lo deve-se ao instinto natural de sobrevivência animal, que não só lhe dificulta a ação, como ainda o escraviza sob o guante das paixões mais violentas.

Em face da maioria dos terrícolas viver algemada ao sofrimento e às vicissitudes morais, naturalmente anseia por alguns momentos de fuga para as regiões ignotas do reino espiritual, na tentativa intuitiva de se libertarem do jugo obrigatório do corpo de carne, para então gozarem de alguns momentos de liberdade astral.

Isso ocorre espontaneamente durante o sono, quando então o perispírito se desliga parcialmente do corpo de carne, e passa a vagar temporariamente no mundo astral, mantendo, entretanto, ligações fluídicas permanentes com o corpo físico através do duplo etérico, que se distende indefinidamente, formando o conhecido “cordão de prata” entre os esoteristas.

Diagrama do corpo astral exteriorizado do corpo físico durante o sono, ligado a ele por três cordões vibratórios: cerebral, precordial e sacro-visceral.
Corpo astral e os três cordões vibratórios (cerebral, precordial e sacro-visceral) que o mantêm ligado ao corpo físico durante o desdobramento noturno.

Quase sempre o espírito, ao deixar o corpo, estaciona no limiar dos mundos material e astral, sem poder perceber com clareza os fatos que lhe sucedem nessa região limítrofe, onde ele confunde tanto as impressões do dia como também as seqüências da própria visão espiritual; então os acontecimentos ficam misturados de tal modo, que se torna impossível distinguir-lhes a verdadeira natureza, aparecendo-lhe na forma de sonhos, de que mais ou menos se recorda ao regressar ao estado de vigília.

Geralmente o homem só guarda uma vaga idéia dos acontecimentos astrais vividos durante a noite e, como não consegue compreendê-los em sua verdadeira significação astralina, então os explica como sendo produtos de impressões trazidas pela saudade das velhas amizades ou dos parentes já desencarnados.

A saída em corpo astral não é condução absolutamente exigível para que só então o espírito possa penetrar no “outro lado” da vida; em verdade, o espírito do homem nunca se afasta de qualquer plano da vida cósmica, na qual está permanentemente integrado.

O corpo físico, sob a conceituação moderna de que a matéria é energia condensada, também vive interpenetrado pelas forças vivas de todos os planos do Cosmo.

A consciência espiritual do homem, na verdade, mantém-se em contato com todos os demais planos da vida cósmica além do plano físico, embora ainda desconheça a natureza dos demais corpos ou energias que se responsabilizam por tal acontecimento, o que só se verificará em futuro remoto.

O corpo físico reduz a visão astral e obscurece a memória etérica, mas nem por isso exige o afastamento da alma de seu correspondente plano interior. O organismo carnal é realmente um cárcere, que reduz a consciência astral e a ação mais ampla do espírito no meio eletivo de sua própria origem, mas de modo algum o afasta do seu mundo familiar.

A “saída em astral” é apenas aumento de visão e de mobilidade que o espírito encarnado consegue usufruir no campo da energia mais sutil do plano astral, que nunca abandona, nem mesmo quando “desce” vibratoriamente para mergulhar na carne.

Quando o homem limpa as lentes dos seus óculos, ofuscadas pelas gorduras ou obscurecidas pelo pó, é obvio que, depois disso, ele não penetra num outro mundo de que fora isolado, mas apenas clareia a sua visão e aumenta o seu campo de percepção comum.

Operam-se modificações no estado do espírito, sem que por isso ele precise separar-se do seu meio eletivo para algum lugar especial, permanecendo sempre “presente” em qualquer plano da criação.