Recordações das Vidas Pretéritas Após a Desencarnação
Mesmo depois da morte corporal, nem todos os desencarnados conseguem, de início, recordar-se de suas vidas pregressas, pois é evidente que cada espírito transpõe a sepultura com a bagagem íntima de sua própria concepção do que seja a vida cósmica.
Ainda existem muitas almas que, embora já tenham completado mais de um milênio de encarnações terrenas, ainda não têm a consciência exata de sua vida no Astral, pois, em face de seu acanhamento mental, permanecem exclusivamente condicionados às impressões reduzidas da vida física.
São entidades retardadas no seu despertamento espiritual e incapazes de qualquer auscultação psíquica, bastante impossibilitadas das reflexões íntimas, que lhes permitiriam ampliar a noção de “ser” e de “existir”, e se livrarem dos estímulos condicionados do mundo exterior.
Na verdade, o escafandro de carne é um grande abafador da memória transcendental do espírito, e esse mal ainda mais se avoluma diante da proverbial negligência de quase todos os homens para consigo mesmos quando, além do desinteresse pela sua própria estrutura espiritual e pelo despertamento de suas forças mentais, ainda atrofiam os seus delicados centros psíquicos sob o guante dos vícios e das paixões animais!
Os terrícolas, em geral, vivem isolados no seio da carapaça física, não sabendo que a surpresa e o temor serão bem contristadores quando, após a desencarnação, comprovarem que a sua verdadeira individualidade não se resumia no corpo de carne entregue à cova terrena, mas residia justamente no espírito, tão subestimado e esquecido na existência física.
Tal situação, que é muito comum depois do “falecimento”, e a do espírito se desvencilhar das ilusões terrenas, acabrunha dolorosamente aqueles que confiam demasiadamente na personalidade transitória da matéria.
Só lentamente retornam à memória real das vidas pretéritas, quando então se apresentam despertos para avaliar a justiça dos seus sofrimentos e a importância das vicissitudes humanas, como fatores que elevam a alma para as regiões superiores!
Apagam-se-lhes as últimas ilusões ante a comprovação da verdadeira vida do espírito, a qual se sobrepõe à insignificância dos nomes, privilégios e preconceitos terrenos, que tanto hipnotizam as criaturas no culto e no apego fanático às formas perecíveis da matéria. Entretanto, a morte, por mais tétrica e impiedosa que pareça, não passa de um processo técnico, justo e inteligente, com que o Criador transforma o “menor” em “maior”, e o “inferior” em “superior”!
Chegará o dia em que a criatura deixará de sofrer o ceticismo e a desilusão de ignorar o passado, pois então sua consciência será uma só manifestação, liberta do tempo e do espaço; todas as existências físicas do homem serão apenas como as contas de simbólico e infinito colar, ligadas intimamente pela natureza imortal do espírito!