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Fraternidade Ramatís
Apostila 15 Sono, Sonhos e Recordações do Passado Seção 14 de 15 A Preocupação de Se Conhecer as Vidas Passadas

A Preocupação de Se Conhecer as Vidas Passadas

Alguns líderes espiritualistas desaconselham a preocupação de se pretender conhecer o passado reencarnatório, por afirmarem ser de pouca valia para o espírito encarnado, sugerindo que se deva importar unicamente com a vida presente e com o porvir, em lugar de se entregar a essas cogitações pregressas, que roubam da criatura precioso tempo.

Evidentemente, nenhuma utilidade prática traria para um atual zelador de sanitários o fato de saber já ter sido requintado fidalgo no reinado de Luis XV!

De fato, não há muita necessidade de que a criatura evoque o passado para saber o que já tem sido alhures, porquanto o fato de ela ser atualmente um zelador escravizado às tarefas anti-higiênicas bem poderia demonstrar, com suficiência, que no pretérito houve de sua parte abuso de poder ou demasiada exaltação pessoal.

Desde que a Lei determina que a colheita deva ser de conformidade com as próprias obras, compreende-se que os efeitos da vida presente devem servir de base para se poder avaliar a plantação feita na existência pretérita!

Em geral, na evocação do passado reencarnatório, as criaturas só se empolgam pela possibilidade de saber que foram marqueses, condessas, faraós, reis ou imperadores, mas se esquecem de que tais títulos, que representam tanto valor no mundo material, são de nenhum valor nas esferas da espiritualidade superior, onde a lei sideral determina que “os humildes serão exaltados e os que se exaltam serão humilhados”.

Uma vez que no mundo dos espíritos só prevalecem os bens que a alma consolida em sua intimidade espiritual, é de somenos importância o tipo de vestuário de carne que ela enverga em cada existência humana porquanto, fora dessa sua realização interior, o resto é apenas “pó que retorna ao pó”.

Quando, após a desencarnação, a alma é obrigada a reconhecer que só as virtudes diplomam para as regiões paradisíacas, arrepende-se de não haver preferido mil vezes o vestuário de estame, a pobreza e a glória espiritual de um Francisco de Assis, às jóias, sedas e veludos que cobrem os corpos dos que passam pelo mundo escravizados à animalidade inferior.

Entretanto, como a vaidade e o amor-próprio são os sentimentos mais resistentes para serem dominados pelas almas, no aprendizado do mundo terreno, algumas criaturas sentem-se mais felizes no Astral por terem sido desabusados aristocratas ou famosos aventureiros sem escrúpulos, no passado, em vez de pobre criatura, mas dotada de qualidades cristãs.

Quanto a ser aconselhável ou desaconselhável o propósito de se conhecer as vidas anteriores, não se deve esquecer de que isso é questão de foro íntimo e não de regra sideral.

Futuramente todos terão de conhecer o seu passado, a fim de poderem programar com êxito as suas retificações cármicas, em conformidade com as exigências da mais breve ventura sideral.

Embora o conhecimento extemporâneo das encarnações pregressas não contribua praticamente para modificar a existência atual da criatura, é evidente que a realidade espiritual de sua alma abrange desde o primeiro fulgor racional, que deu início à sua consciência, até o momento em que vive.

Quando o espírito lograr alcançar o conhecimento completo de si mesmo, para a integração consciente no seio do Criador, é fora de dúvida que, então, terá de vislumbrar todo o seu passado espiritual, vivido tanto no mundo físico como no astral, a fim de focalizar com êxito toda a memória de “ser” e “existir” no tempo e no espaço.

Embora se diga ser inutilidade o conhecimento das encarnações anteriores, assim como para alguém poderia parecer inutilidade a empreitada de escrever a história de sua vida atual desde o berço físico, o certo é que, quanto melhor o homem conhecer o seu passado, tanto melhor poderá identificar a natureza exata do seu próprio caráter espiritual.

Obviamente, com isso ser-lhe-á mais fácil programar as futuras existências retificadoras, pois a visão panorâmica espiritual de seus sentimentos e objetivos vividos anteriormente é que justamente o ajudarão a extinguir os interstícios vulneráveis às paixões e aos vícios.

Conhecendo então a razão e a intensidade dos “desejos”, que são os responsáveis pela necessidade das encarnações físicas, também ser-lhe-á mais fácil empreender a libertação dos ciclos reencarnatórios.

A recordação espiritual das vidas passadas desperta lentamente na intimidade da criatura e se torna tão nítida e extensa quanto seja a capacidade psicológica de sua própria suportação interior.

Nem todas as almas se encontram em condições favoráveis para conhecer toda a trama diabólica de suas vidas pregressas, principalmente se ainda fazem lisonjeiro julgamento de si mesmas e se consideram portadoras das mais excelsas virtudes.

Seria muitíssimo doloroso e decepcionante para um homem que se julgasse um caráter ilibado e impoluto, vir a comprovar que na existência anterior fora um refinado larápio ou um cidadão desonesto; assim como a mulher que atualmente se envaidece da sua condição afidalgada ou de sua respeitosa situação matrimonial, vir a descobrir que no passado dirigia infecto prostíbulo!

É por essa razão que muito se justificam a severidade e a lógica da advertência evangélica do Sublime Jesus quando, em razão dos próprios pecados da humanidade, Ele aconselhou sabiamente: “Não julgueis, para não serdes julgados”.