Recordações das Vidas Passadas
Aquilo que é visto e vivido pelo cérebro físico se transforma em conhecimentos definitivos para o espírito, que se encontra em ambos os planos, o material e o astral; mas aquilo que o espírito só percebe ou de que só participa quando em liberdade no astral, não pode ser registrado no cérebro físico, pela simples razão de que este se mantém ausente nessa oportunidade.
Deste modo, é muito difícil ao espírito, quando encarnado, recordar com clareza as suas saídas astrais, ou então evocar acontecimentos que só foram vividos noutras existências anteriores, pois, embora tudo isso esteja realmente gravado no cérebro do perispírito, continua a ser da mais completa ignorância do cérebro físico de cada nova encarnação.
Uma vez que o cérebro carnal não pode perceber acontecimentos que, durante a noite são presenciados unicamente pelo perispírito, ou que se registraram em outras encarnações e só foram observados por outros cérebros físicos seus já “falecidos”, é evidente que também não poderá recordá-los através de nova consciência gerada no mundo físico completamente alheia ao pretérito.
Se o espírito não pode transportar para o cérebro físico, em cada nova encarnação, a lembrança dos acontecimentos gravados exclusivamente no cérebro do perispírito imortal, é natural que durante a nova existência carnal, também não possa recordar o passado, salvo por efeito de aguçada sensibilidade psíquica ou através de alguma experiência psíquica incomum, como no caso da hipnose.
As evocações do passado se tornam possíveis àqueles que se ausentam com facilidade do corpo físico, pois a libertação astral, quando assídua, muito ajuda a projetar a memória perispiritual para o cérebro de carne.
Um exemplo disso é a maior familiaridade dos orientais para com os fenômenos do plano oculto, e os seus labores iniciáticos lhes permitem maior revivescência da memória etéreo-astral, fazendo-os recordar-se dos fatos mais importantes das suas vidas anteriores.
Os acontecimentos da atual encarnação do homem não poderão ser lembrados com nitidez em suas encarnações futuras, porque o cérebro físico que lhe serve de arquivo para todas as lembranças e fatos vividos atualmente, irá desintegrar-se na sepultura, depois da morte carnal.
Entretanto, todos os acontecimentos de agora, ou os ocorridos em existências anteriores, permanecem fielmente gravados no cérebro perispiritual que, é o órgão que preexiste e sobrevive à destruição de cada corpo físico, compondo a memória verdadeira e definitiva do espírito.
O cérebro do perispírito pode ser comparado a um negativo fotográfico com a propriedade de gravar a lembrança de todos os fatos ocorridos com a criatura em cada existência física, para revelá-los à alma desencarnada a qualquer momento desejado.
Já isso não pode suceder com o cérebro físico, porquanto este só pode registrar os fatos ocorridos em uma só existência física, constituindo apenas uma memória provisória, que depois desaparece no seio do túmulo terreno.
No entanto, graças aos neurônios magnéticos do cérebro do perispírito, todas as impressões vividas pelo homem encarnado para ali se transferem, nítidas e inapagáveis, para se incorporarem aos registros sobreviventes e definitivos da memória etéreo-astral, que reúne as lembranças de todas as encarnações anteriores do espírito.
As ocorrências de que o espírito participa em cada nova encarnação ficam definitivamente gravadas em seu próprio perispírito, na sua memória etéreo-astral, como acervo de sua consciência espiritual definitiva, que é continuamente fortalecida e ampliada pela síntese das memórias das existências físicas pregressas.
As lembranças do passado, dessa forma ficam definitivamente arquivadas na memória perispiritual, e, portanto, se manifestam com mais facilidade à luz da consciência do espírito desencarnado; entretanto, durante a existência física, o cérebro carnal se assemelha a um anteparo ou biombo que obscurece as recordações do passado.