O Desenvolvimento Prematuro da Mediunidade na Criança
Quando a mediunidade é prematuramente desenvolvida na criança, sob estímulos catalisadores ou exercícios medianímicos de contatos insistentes com os desencarnados, isso acaba por superexcitar a sua sensibilidade psíquica e causar-lhe distúrbios orgânicos.
Considere-se ainda que muitos fenômenos mediúnicos assemelham-se a acontecimentos da fisiologia humana, tais como a esquizofrenia, a paranóia, a histeria e a certos complexos freudianos, no que se pode erroneamente julgar tratar-se de um médium em potencial. Por isso, é de todo imprudente provocar-se o desenvolvimento mediúnico da criança, mesmo quando julgado tratar-se de um médium em potencial.
A mediunidade é como a flor; deve desabrochar no momento próprio e não em estufa!
O organismo infantil é delicado e bastante influenciado pelo fervilhamento das forças biológicas que ainda lhe consolidam o maquinário neurocerebral. As suturas, os contornos da carne de criança para a formação de sua figura humana, ainda dependem fundamentalmente das trocas simpáticas entre átomos, moléculas, células e fibras, cujo ritmo só se estabiliza depois da puberdade, quando o menino ou a menina se torna homem ou mulher.
A excitação psíquica inoportuna, as impressões mentais dramáticas, os choques emotivos ou as comoções imprevistas, tendem a alterar a segurança nervosa das crianças e podem causar-lhes desarmonias orgânicas, cujos reflexos prejudiciais afetarão a estrutura íntima do perispírito, ainda parcialmente afastado do corpo físico.
A mediunidade, portanto, é como a flor, que exige o cultivo somente no momento próprio do seu desabrochar.
É óbvio, entretanto, que a criança, que já é portadora de fenômenos incomuns, devido à faculdade mediúnica espontânea, ela os exerce como um fato inerente à sua própria pessoa, sem sofrer angústias ou aflições, produzindo-os sem esforços ou espanto, tal como ri, canta ou salta, o que para ela é manifestação natural de sua própria constituição ancestral. É acontecimento que ela não discute, nem guarda prevenções, por considerá-los próprios da criatura humana.
Muitas crianças narram acontecimentos miraculosos sem demonstrar espanto ou receio, considerando como um fato natural à sua existência física, até mesmo as visões psíquicas que elas identificam; em conseqüência, depois de adultas, terminam por relacionar os fenômenos mediúnicos que viveram espontaneamente na infância, ligando-os então aos postulados doutrinários do Espiritismo, mas sem considerá-los indesejáveis ou fruto de distúrbio mental.
Como o intercâmbio mediúnico é serviço de grave responsabilidade espiritual, resulta, sem dúvida, de pouco sucesso quando entregue ao menino ou menina, ainda sem os compromissos próprios do adulto.