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Fraternidade Ramatís
Apostila 12 Responsabilidade e Riscos da Mediunidade Seção 11 de 13 Fracassos e Abusos no Exercício Mediúnico

Fracassos e Abusos no Exercício Mediúnico

Ainda é grande a porcentagem dos médiuns que fracassam no exercício da mediunidade, após terem gozado o prestígio de faculdade mediúnica incomum. Não é propriamente a posse antecipada da faculdade mediúnica o motivo responsável pelo fracasso muito comum de alguns médiuns em prova na matéria; isso é mais conseqüente de sua imperfeição ou contradição espiritual.

O médium, em geral, é espírito que decaiu das suas posições privilegiadas do passado, sendo ainda muito apegado à sua personalidade humana transitória; deste modo, ele subestima a transcendência dos fenômenos que se processam por seu intermédio e os considera, erroneamente, mais como produto exclusivo de sua vontade e capacidade mental.

Embora muitos médiuns sejam inteligentes e mentalmente desenvolvidos, o orgulho, a vaidade, a ambição, a prepotência, a cupidez ou a leviandade ainda os fazem tombar de seus pedestais frágeis, porque falsamente se crêem magos excepcionais ou indivíduos de poderes extraordinários para a produção de fenômenos extemporâneos ou revelações incomuns.

A Terra ainda é pródiga de magos de feira, curandeiros mercenários ou iniciados sentenciosos que, através de rituais extravagantes, atraem e exploram as multidões ignorantes. São verdadeiros “camelôs” da espiritualidade que, beneficiados pela graça mediúnica concedida pelos espíritos benfeitores, exploram-na sob o disfarce da magia ou dos poderes esotéricos, mas sempre evitando a disciplina espírita que, sem dúvida, lhes exigiria conduta ilibada e o absoluto desinteresse pecuniário no trato das coisas espirituais.

Entretanto, chega o momento em que eles são atingidos em cheio pela Lei Sideral, que lhes estanca a exploração do veio aurífero da mediunidade a serviço do comércio indigno e dos interesses pessoais, e assim terminam os seus dias sob terrível humilhação espiritual, sofrendo as agruras do mau emprego dos favores concedidos pelo Alto.

Muitas lendas terrenas são verdadeiros simbolismos e alusões ao mau uso dos dons mediúnicos, quando certos médiuns traem a confiança dos seus mentores siderais. A tradição lendária narra o caso de criaturas que, depois de favorecidas com poderes excepcionais concedidos por anjos, fadas ou gênios benfazejos, terminam perdendo-os lastimavelmente pela avareza, cupidez, vaidade, desleixo ou interesse mercenário.

Sem dúvida, tais narrativas não passam de lendas e contos fantásticos, mas em sua profundidade permanece o ensinamento espiritual do fracasso daqueles que fazem mau uso dos talentos que os gênios do Bem concedem aos espíritos endividados, e que necessitam urgentemente de sua própria reabilitação espiritual.

No entanto, a faculdade mediúnica pode desaparecer a qualquer momento, desde que o seu portador a comprometa na Terra, para satisfazer sua vaidade ou obter proveitos ilícitos.

A nenhum médium é facultado servir-se da mediunidade para o seu uso exclusivo ou aproveitamento excêntrico, nem expô-la em público na forma de tábua de negócios, pois é também um dos talentos concedidos por Deus a seus filhos, tal como ensinou Jesus em suas parábolas.

As forças psíquicas tanto se degradam na manifestação espetacular, que só exalta a personalidade humana transitória, como se deturpam quando são transformadas em mercadoria destinada a criar todas as facilidades ou atender aos caprichos da vida física.

Os valores legítimos da faculdade mediúnica, quando são desenvolvidos e praticados com o Cristo, não produzem quedas e as humilhações que abalam a vida tumultuosa dos médiuns imprudentes.

O médium, como instrumento fiel da vontade do Senhor, revelada no mundo das formas, elabora um dos piores destinos para o futuro quando, pela sua negligência ou má fé, subverte o programa espiritual que prometeu divulgar à superfície da Terra.

Há sempre atenuante para aquele que peca por ignorância, mas é indigno da tolerância quem o faz deliberadamente, depois de haver-se comprometido para a efetivação de um serviço que diz respeito ao bem de muitas criaturas.

Os mentores siderais só concedem a faculdade mediúnica para os espíritos que se prontificam a cumprir leal e corretamente, na Terra, todos os preceitos e normas necessárias para um aproveitamento espiritual em seu favor e em favor da humanidade.

Os espíritos endividados rogam aos técnicos siderais a sua hipersensibilização perispiritual, para então desempenharem um serviço mediúnico que promova o ressarcimento de seus débitos clamorosos do passado.

No entanto, estes não podem prever antecipadamente a ganância, a vaidade, a subversão ou a desonestidade dos seus pupilos quando, depois de encarnados, se deixam fascinar pelas tentações, vícios e convites pecaminosos que os fazem fracassar na prova da mediunidade.

Em geral, depois de encarnados, deixam-se influenciar pelas vozes melífluas dos habitantes das Trevas e passam a comerciar com a mediunidade à guisa de mercadoria de fácil colocação. Sem dúvida, quando percebem sua situação caótica espiritual, já lhes falta a condição moral e o potencial de vontade para o seu reerguimento ante o abismo perigoso.

Nenhum espírito encarna-se na Terra com a tarefa obrigatória de ser médium psicógrafo, mecânico, incorporativo ou de efeitos físicos, pois, na verdade, cada um o faz por sua livre e espontânea vontade, pois solicitou previamente do Alto o ensejo abençoado para redimir-se espiritualmente num serviço de benefício ao próximo, uma vez que no pretérito também usou e abusou dos seus poderes intelectuais ou aptidões psíquicas em detrimento alheio.

Mesmo na Terra, as tarefas mais perigosas devem ser aceitas de modo espontâneo, para que o seu responsável não venha a fugir posteriormente de cumpri-la por desistência pessoal, e, sem dúvida, a escolha do serviço perigoso sempre recai sobre o homem mais apto e capacitado para o bom êxito.

Em especial, a mediunidade de fenômenos físicos é um serviço incomum, difícil e perigoso, cujos óbices vultosos e surpresas exigem o máximo de prudência, humildade, e segurança moral.

O médium, antes de encarnar-se, sabe disso e se depois vem a comerciar com os bens espirituais e fracassar no desempenho contraditório de sua função elevada, tal fato não pode ser creditado ao Alto, que só lhe proporcionou o ensejo redentor.

A culpa, evidentemente, cabe ao próprio fracassado ante a sua imprudência em aceitar tarefas mediúnicas acima de sua capacidade normal de resistência espiritual.

As oportunidades mediúnicas redentoras são concedidas aos espíritos faltosos, mas quanto à responsabilidade do êxito ou fracasso, somente a eles deve ser atribuída, pois é o médium quem produz as próprias condições gravosas ou ditosas no desempenho de sua tarefa mediúnica.

A mediunidade de prova não se refere propriamente à concessão de faculdades mediúnicas prematuras ou poderes concedidos extemporaneamente, pelos mentores da Terra, aos homens imaturos ou que ainda não se encontram espiritualmente seguros de cumpri-las.

Às vezes, estes não passam de antigos magos que dominavam facilmente as forças ocultas, exerciam o fascínio sobre os elementais e usavam de hipnose para fins interesseiros, tal como no caso de Rasputin, que se aproveitou dos seus objetivos torpes, como instrumento vil das trevas.

Quando tais espíritos retornam à carne para tentar a sua renovação espiritual manejando os mesmos poderes que desvirtuaram no passado, mas sob a promessa de só os empregar a favor do Bem, nem sempre logram sustentar por muito tempo o tom espiritual elevado que lhes é requerido pelos mentores siderais.

O coração atrofiado e a mente aguçada pela vontade poderosa, que é exercitada em vidas anteriores, traem esses espíritos no trabalho mediúnico do Bem, caso não se curvem humildes e desde o princípio de sua tarefa sob os postulados redentores do Cristo.

Quando os responsáveis pelo progresso do orbe verificam a inutilidade de conservá-los no serviço ativo da seara, vêem-se obrigados a alijá-los de qualquer modo, a fim de que cessem os graves prejuízos decorrentes de sua atividade descontrolada.

Mas Deus sempre concede a oportunidade de renovação moral e do trabalho digno a todos os seus filhos, e a prova mais evidente disso é que aqueles que presentemente já esposam princípios espirituais dignos e superiores devem isso à bondade divina, que tolerou as suas iniqüidades do pretérito, concedendo-lhes também a graça do serviço redentor tantas vezes quantas foram os seus equívocos.

Em verdade, os pecadores são justamente aqueles que mais precisam de Amor, tanto quanto os enfermos necessitam do médico.

Desde que do lodo pode surgir o lírio imaculado, é óbvio que dos lábios dos homens impuros também é possível nascerem a esperança e o roteiro para os seres desarvorados na estrada da vida humana. E se Deus, o Criador do Universo, que deveria exigir do homem o máximo de submissão e acatamento aos objetivos sublimes de Sua Obra, multiplica os ensejos de sua mais breve redenção espiritual, sem dúvida, a sua criatura não tem o direito de odiar, maltratar, roubar, e execrar o seu próprio irmão de destino sideral.

Eis porque motivo o grande sucesso de todo médium, fenomênico ou intuitivo, ainda se fundamenta num único compromisso incondicional: cultuar sua mediunidade com o Cristo e tornar-se um trabalhador ativo na seara do Mestre.

Não basta ver, ouvir e sentir espíritos em seu plano invisível. O médium, em qualquer hipótese, deve ser o homem que, além de contribuir para a divulgação da imortalidade do espírito na Terra, é cidadão comprometido pelos deveres comuns junto à sua coletividade encarnada, onde só a bondade, o amor, o afeto, a renúncia e o perdão incessante podem livrá-lo das algemas do astral inferior.

Considerando que a faculdade mediúnica de “prova” ou de “obrigação” é sempre o acréscimo que o Alto concede ao espírito endividado para conseguir a sua reabilitação espiritual, sob hipótese alguma deve ela ser negociada ou vilipendiada.

É o serviço de confiança que o médium exerce em favor alheio, sem deixar de cumprir todas as suas obrigações para com a família, a sociedade e os poderes públicos. Os mentores siderais não lhe exigem o sacrifício econômico da família, a negligência educativa da prole, o descuido com as necessidades justas da parentela, para só atender indiscriminadamente ao exercício da sua faculdade.

Cada médium, como espírito em evolução, conduz o seu próprio fardo cármico gerado no pretérito delituoso, o que também lhe determina as obrigações em comum no lar, onde vítimas e algozes, amigos e adversários de ontem empreendem o curso de aproximação espiritual definitiva.

Assim é que, em última hipótese, deve prevalecer sobre o serviço mediúnico o cumprimento exato das determinações cármicas que lhe deram origem à existência na matéria.

Considerando-se que o mundo de César é o reino transitório dos interesses da vida material para a educação do espírito imperfeito, o dom mediúnico é a dádiva espiritual do reino do Cristo, e não mercadoria de especulação mundana.