Os Excessos Mediúnicos, as Doenças e a Loucura
Sem dúvida, a luta do médium para sobreviver no mundo físico é bem mais intensa e sacrificial do que a existência do homem comum, que apenas atende às contingências instintivas de cuidar da prole, que é fruto do cumprimento da lei do “crescei e multiplicai-vos”.
Como o espírito reencarnado na Terra não pode isolar-se completamente das contingências inerentes ao próprio meio em que o indivíduo, na sua vida de relação, está sujeito a hostilidades e emoções que lhe afetam o equilíbrio psíquico, é óbvio que o exercício da mediunidade poderá causar-lhe até mesmo a loucura, desde que ele a exerça de modo insensato e ultrapasse o limite fixado no programa elaborado antes de sua encarnação.
O médium precisa agir com muita prudência na vida física, a fim de não confundir sua responsabilidade mediúnica com os acontecimentos naturais da vida material.
Embora ele seja protegido pelos amigos desencarnados, que lhe endossaram a tarefa mediúnica na Terra, eles não podem impedi-lo de modificar sua vida, quer tomando rumos inesperados perniciosos, quer tomando decisões insensatas, que podem levá-lo à loucura, por ultrapassar o limite de sua segurança espiritual.
Sabe-se que os ascendentes biológicos hereditários da carne conservam, em sua intimidade, em estado latente, os germens de taras, vícios, estigmas e enfermidades, como a sífilis, morféia ou tuberculose, inclusive os reflexos das alienações mentais sofridas pela geração ancestral.
No próprio conteúdo sanguíneo do homem permanecem os vírus morbígenos de sua linhagem hereditária que, quando se apresentam as condições favoráveis, acabam por proliferar além da sua quota normal ou inofensiva, podendo ferir o sistema neurocerebral.
Durante os estados de debilidade orgânica muito acentuada, agravados ainda pelo bombardeio incessante das paixões violentas, como o ódio, ciúme, inveja, raiva, perversidade e outras emoções indisciplinadas, o homem desenvolve em si um clima “psicofísico” negativo, que facilita o desenvolvimento de certas coletividades microbianas patogênicas, já existentes na sua intimidade sanguínea.
Assim, a loucura, nesse caso, não é propriamente fruto do exercício da faculdade mediúnica, mas sim uma conseqüência da predisposição mórbida do tipo orgânico do próprio homem. Quer ele seja médium ou não, poderá enlouquecer desde que ultrapasse o limite de sua resistência biológica, quaisquer que sejam as causas.
Seja ele um compositor, matemático, pintor, filósofo, escritor ou líder religioso, pode vir a se tornar um alienado mental desde que atue além do limite de sua resistência psicofísica, findando sua existência transformado em paranóico, esquizofrênico e até psicopata furioso.
No entanto, isso pode acontecer sem que ele seja um médium espírita, mas sim por exercer atividades tensas e de emotividade contínua, as quais, superexcitando-lhe o íntimo da alma, terminam por afetar-lhe o equilíbrio dos órgãos cerebrais.
Em todas as pessoas que se desgovernam pelo excesso de elucubrações mentais quanto aos problemas complexos da ciência ou da arte superior, que lhes empolgava o espírito, a agudeza, a vivacidade que os dominava para expressar as suas emoções, terminaram por lhes destruir a saúde e prejudicar o intercâmbio pacífico com o mundo oculto.
Contudo, é evidente que, nesses casos, o gênio não se lhes extinguiu na alma imortal, cuja centelha divina, após a morte física, retorna ao seu equilíbrio, pois os conhecimentos adquiridos, com vistas a um ideal superior, jamais se perdem, pois são um patrimônio do próprio espírito.