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Fraternidade Ramatís
Apostila 12 Responsabilidade e Riscos da Mediunidade Seção 4 de 13 As Vicissitudes no Despertamento da Mediunidade

As Vicissitudes no Despertamento da Mediunidade

Só a mediunidade saudável e natural, decorrente da evolução humana e fruto do maior apuro espiritual da alma, revela-se de modo sereno em sua espontaneidade e se manifesta de modo pacífico, como dom inato e sem produzir quaisquer sensações desagradáveis no ser.

Entretanto, no caso da mediunidade de prova, isto é, de uma “concessão” provisória, feita pela Administração Sideral, como decorrência de uma hipersensibilidade prematura, despertada excepcionalmente pelos técnicos do mundo astral com o fito de favorecer aos espíritos muito endividados, o seu despertamento é, em geral, sujeito a várias circunstâncias desagradáveis.

Durante o período de florescimento da mediunidade, a maior ou menor perturbação psíquica ou orgânica do médium também depende muitíssimo do tipo de suas amizades espirituais e do seu modo de vida no mundo material. As alegrias, os sofrimentos ou as tristezas que o tomam de súbito também decorrem do tipo das aproximações do invisível, que se sintonizam perfeitamente aos seus pensamentos e sentimentos manifestos.

A tarefa mediúnica não compreende somente a função mecânica de o médium transmitir as comunicações dos espíritos desencarnados para o cenário terrícola, atendendo à prosaica função de “ponte viva” entre o mundo material e o Além.

O compromisso da mediunidade requer, sobretudo, que os seus medianeiros vivam existência digna e operosa na carne, a fim de lograrem sintonia com espíritos sublimes e responsáveis pela redenção do homem.

Toda imprudência, desleixo, rebeldia, má vontade ou paixão viciosa por parte dos médiuns em prova no mundo físico, geram toda sorte de distúrbios psíquicos e mesmo sofrimentos físicos incontroláveis que, por essa razão, tornam o desenvolvimento mediúnico um processo torturante.

É muito comum à maioria dos médiuns iniciarem o seu despertamento mediúnico sob a atuação dos espíritos sofredores, imperfeitos ou obsessores que, aproveitando-se da “porta mediúnica” aberta para a fenomenologia do mundo físico, atiram-se à satisfação dos seus objetivos impuros e cruéis.

Desde que o médium invigilante e desregrado ainda esteja comprometido por dificultoso resgate cármico, ele então se converte em instrumento favorável para o vampirismo dos desencarnados, que se debruçam avidamente sobre o mundo material.

A mediunidade, num sentido geral, só desperta nos homens pela ação do sofrimento, que lhes afeta a carne e o psiquismo, para depois amainar sob um desenvolvimento ordeiro nos ambientes evangélicos, dirigidos por elementos experimentados.

Só então é que o médium neófito e perturbado, pouco a pouco, se ajusta à tarefa incomum e assume o controle psíquico de seu corpo, enquanto procura sintonizar-se vibratoriamente com o espírito guia e benfeitor, que deverá protegê-lo na sua tarefa de intercâmbio com o mundo invisível.

A mediunidade é um meio para encarnados e desencarnados atingirem objetivos excelsos e, por isso, não dispensa a educação, o afinamento moral, a cultura do seu próprio intérprete, e também o seu despertamento espiritual.

É mais importante para o bom “guia” o progresso intelectivo, o desembaraço e a integração evangélica do seu médium, do que mesmo o êxito brilhante de sua manifestação mediúnica.

O mentor espiritual, sábio e sensato, muitas vezes protela as revelações extemporâneas do Além pelo seu pupilo ansioso do seu próprio destaque pessoal, para que este em primeiro lugar se revele pela modéstia sensata do homem evangelizado.

O médium, como uma criatura de responsabilidade pessoal para com a família e a sociedade, acima de tudo deverá aprender a caminhar pelos próprios pés, no tocante ao entendimento da vida imortal, e procurar ser útil ao próximo.