Obstáculos e Vicissitudes no Serviço Mediúnico
Geralmente, o médium é um espírito em débito com seu passado, e a faculdade mediúnica ajuda-o a redimir-se, o mais cedo possível, no serviço espiritual em favor do próximo, lembrando uma pessoa que, depois de arrependida de seus desatinos, passa a empreender atividades benfeitoras, a fim de compensar o seu passado turbulento.
Então, além de suas obrigações cotidianas, sacrifica o seu repouso habitual e coopera nas iniciativas filantrópicas e nos movimentos fraternos, atende à parentela pobre, aos amigos em dificuldades, aos presidiários e aos deserdados da sorte, funda instituições socorristas, participa de agremiações educativas e auxilia sociedades de proteção aos animais.
É óbvio que, apesar dessas atividades filantrópicas, os médiuns não se livram dos imperativos biológicos do seu corpo físico e a sua faculdade mediúnica, longe de constituir-se privilégio, não os isenta das vicissitudes e das exigências educativas da vida humana, pois a saúde ou a doença não dependem especificamente do fato de o homem ser ou não médium de prova.
Malgrado o esforço socorrista elogiável e as atividades religiosas ou caritativas de muitos médiuns, eles também estão submetidos ao trabalho comum e sujeitos igualmente ao instinto animal e às tendências ancestrais da família terrena.
O espírito que já renasce na Terra comprometido com o serviço mediúnico, que o ajudará a reduzir o fardo cármico do seu passado delituoso, deve cumprir o programa que ele mesmo aceitou no Espaço! Aliás, quando o médium retorna ao Além, ele já se dá por muito satisfeito caso tenha desempenhado um mínimo de dez por cento do programa a que se comprometeu e foi elaborado pelos seus mentores siderais.
Deste modo, o espírito que em vida anterior zelou pelo seu corpo físico e viveu existência sadia, sem vícios e paixões deprimentes, obviamente há de merecer na vida atual um organismo sadio e de boa estirpe biológica hereditária, que lhe permite gozar boa saúde; mas aquele que no passado esfrangalhou o seu equipo carnal e o massacrou na turbulência viciosa, gastando-o na consecução dos apetites inferiores, terá um corpo físico dotado de funções orgânicas precárias.
A mediunidade de prova é um ensejo, espécie de “aval” concedido pelo Alto ao homem demasiadamente comprometido em suas existências anteriores, mas é do seu dever cumprir a tarefa mediúnica de modo honesto, sublime e caritativo, cabendo-lhe a responsabilidade moral na boa ou má aplicação dos bens cedidos pela magnanimidade dos seus guias.
O médium não é um missionário, na acepção exata da palavra, pois, salvo raras exceções, é um espírito devedor, comprometido com o seu passado, e a sua faculdade mediúnica é um ensejo de reabilitação concedido pelo Alto, no sentido de acelerar a sua evolução espiritual.
Portanto, além de dar cumprimento aos deveres inerentes à faculdade mediúnica, terá ele de enfrentar também as contingências que a vida impõe a todos, pois os problemas que lhe dizem respeito só podem ser solucionados e vencidos mediante a luta, e não pela indiferença ou preguiça, e nem pela ajuda dos seus guias, pois estes somente ajudam os pupilos que fazem jus, pelo esforço próprio empreendido.
Quando o médium se empenha em dar fiel cumprimento à sua tarefa mediúnica e enfrenta as adversidades da vida com estoicismo e resignação, sempre é assessorado no Astral por uma equipe de espíritos beneméritos, que o amparam a fim de tornar-lhe mais fácil vencer os obstáculos da sua jornada.
É grande a responsabilidade do médium na função de “ponte viva” entre o setor invisível e o mundo físico, pois, além de tratar-se de um encargo que ele mesmo aceitou antes de reencarnar, a mediunidade é um ministério ou contribuição de esclarecimento destinada a despertar e esclarecer as consciências, sendo pois um serviço em favor da própria humanidade.
A função do médium assemelha-se à do carteiro que, embora seja a peça de menor destaque na correspondência entre os homens, caso se recuse a cumprir a função de entregar as mensagens aos destinatários, semelhante negligência constitui uma falta bastante grave.
Em tais condições, desde que se rebele contra a sua obrigação ou se escravize a vícios e paixões que prejudiquem e inutilizem a sua tarefa mediúnica, então será vítima dos espíritos das sombras e, por sua culpa, enfraquecerá o serviço libertador do Cristo.
O aguçamento imaturo da mediunidade de prova muitas vezes leva o espírito a desenganos, malogros e rebeldias, tal qual o jogador de xadrez que, após muitos lances frustrados, vacila em mover no tabuleiro a peça de menor importância.
No entanto, o médium laborioso e desinteressado, disposto a vencer todos os obstáculos, conseguirá transpor todos os empecilhos do mundo, e até os que estão em si próprio, pois há casos em que o médium, apesar de alijado e quase paralítico, mesmo assim ele consegue reunir em volta do seu leito uma turma de irmãos dispostos a ouvirem a sua palavra fraterna e instrutiva, ligando todos à faixa vibratória sublime da Vida Angélica. Em suma, embora ele esteja impossibilitado de dar passes, participar de trabalhos de incorporação ou passar receituário, mesmo assim dá cabal desempenho à missão a que se obrigou.
À semelhança da bolota que se desenvolve no solo, sujeita a crescer naturalmente por efeito da sua dinâmica genética, o médium de prova sabe que se cultivar cuidadosamente a sua faculdade mediúnica, então também conseguirá tornar-se uma espécie de carvalho generoso, cuja sombra amiga beneficiará muitos viajantes necessitados de repouso.
Assim como o modesto veio d’água, nascido e vertido da encosta de uma cordilheira, depois de sulcar prodigamente extenso solo ressequido por onde passa, e contornar obstáculos imensos, se transforma em caudaloso e imenso rio, o médium também precisa transpor e vencer as pedras que surgem no caminho do seu aprendizado e aperfeiçoamento mediúnico.
No entanto, se quiser vencer mais facilmente as decepções e os desânimos na sua caminhada evolutiva sobre a face do planeta, o talismã milagroso para conseguir esse objetivo é integrar-se, de alma e coração, no roteiro luminoso do Evangelho de Jesus!