Ir para o conteúdo
Fraternidade Ramatís

O Curso

Apostila 08 O Perispírito — 1ª parte: Corpo Astral Seção 5 de 15 Constituição do Perispírito

Constituição do Perispírito

Na época da codificação espírita, o conceito generalizado dos seus adeptos era de que a morte do corpo carnal compacto deixava o espírito desencarnado tão somente atuando no campo mental, alegando que o espírito, depois da morte física, é pensamento. Em conseqüência, após a desencarnação, todos os fenômenos próprios do mundo físico não passariam de ilusões, que poderiam ser eliminadas nas doutrinações de espíritos sofredores, por exemplo; deste modo, a maior preocupação dos doutrinadores resumia-se em eliminar da mente dos comunicantes as “miragens” obstrutivas ou reminiscências da vida material.

No entanto, com o advento de obras mediúnicas psicografadas posteriormente por bons médiuns, comprovou-se que o perispírito não é apenas um corpo tão simples como se supunha nas primeiras revelações espíritas. Trata-se de um equipo complexo, sobrevivente, que, além de sua capacidade mental, também se constitui do veículo astral, conhecido desde os vedas como o “corpo dos desejos”, e transmissor dos sentimentos e outros fenômenos do Espírito imortal. Em conseqüência, o simples desvestimento do corpo carnal não extingue vícios, desejos e velhos hábitos estratificados no mundo físico, assim como os fenômenos “post mortem” de sofrimento, lesões, fadiga, fome e sede não são frutos do pensamento indisciplinado no Além, mas cruciante realidade, atuando com mais intensidade no espírito desencarnado, cuja morte apenas o transfere para outra moradia, sem lhe violentar o campo de idéias e emoções cultuadas no mundo material.

Há os religiosos dogmáticos que consideram os desencarnados no plano astral como bandos de almas penadas, sofrendo o castigo das chamas do inferno, ou então como felizes borboletas em eterno vôo sem pouso, no seio das nuvens amigas, ou presas no céu a contemplar a “face de Deus…”, há os que crêem que os mortos detestam qualquer parente, afeto ou coisa que tenha ficado no mundo terreno do pecado e que, por isso, não abandonam o céu para visitá-los. Outros já os consideram como prolongamentos vivos de seus ideais e responsabilidades, vivendo em ambiente sensato e sem hiatos violentos, possuindo corpos adequados às relações com o meio astral, porém temem-nos como espantalhos ou figuras doentias e caricatas de um mundo melancólico!

Muitas pessoas ainda imaginam, erroneamente, o perispírito de um desencarnado como um corpo constituído de bloco de fumaça, ou então igual a uma espécie de massa vaporosa e informe, um corpo constituído de éter flutuante, que esvoaça à vontade do espírito, vagueando daqui para ali, sem qualquer organização ou função que lembre o corpo físico. Muitos consideram que o perispírito tudo vê, ouve e sente, como se um floco de nuvem tivesse inteligência e vida própria!

Na verdade, um espírito desencarnado vivendo no plano astral tem para si uma percepção de vida muitíssimo mais viva do que se estivesse no corpo físico! Isso ocorre porque ele atua no plano astral, um campo vibratório excessivamente mais dinâmico e fenomenicamente mais elástico do que é o plano letárgico e pesado da matéria, a ponto de considerar ter deixado na sepultura terráquea um pesado escafandro de carne ao qual estava algemado. Para o desencarnado existindo no plano astral, o seu espírito é tão material como o corpo físico o é para o encarnado no mundo da matéria, e isso lhe é perfeitamente perceptível pelo sentido do tato.

Se o perispírito fosse uma dessas supostas configurações esvoaçantes etéricas, o desencarnado não poderia, por exemplo, apoiar a sua mão em sua cintura, pois seria de crer que essa mão afundasse no seio da imaginada massa gasosa de que deveria ser constituído, o que, em verdade, não ocorre. Servindo-se de seu perispírito, um desencarnado move-se tão logicamente no meio astral quanto o espírito encarnado se movimenta com naturalidade no mundo material, porque em ambos os casos cada corpo é feito da mesma substância que constitui o meio onde atua.

Se um homem fosse feito de fumaça não poderia sentar-se numa cadeira de madeira; no entanto, sob a lei comum da reação igual entre as substâncias iguais, ele sentar-se-ia facilmente em outra cadeira que fosse construída de fumaça. Portanto, desde que o solo, as coisas, os seres e tudo o que constitui o mundo astralino são feitos da mesma substância, a vida de relações de um espírito desencarnado também decorre tão logicamente como decorre a vida na Terra, apenas com uma diferença: a vida astral é muito mais intensa e dinâmica do que a terrena.

Isso ocorre porque os desencarnados atuam na matéria astralina quintessenciada que, além de mais rica na reprodução vibratória de suas emoções, ainda lhes oferece elevado padrão de beleza, dotada da pitoresca propriedade de uma encantadora luminosidade interior.

O espírito desencarnado move-se num ambiente de matéria astralina sutil do mesmo modo como o homem carnal se move dentro do cenário pesado do mundo terreno.

O homem, por ser portador de um corpo material, toca, apalpa ou manuseia perfeitamente a sua veste, o seu sapato ou o seu alimento, que são feitos de substâncias materiais.

Do mesmo modo, mas sob outra modalidade vibratória, o espírito desencarnado, com o seu corpo feito de substância astral, pode sentar-se numa cadeira astral, vestir roupa astral ou ingerir sucos de frutas astrais. Depois de desencarnado, o homem atua pelo perispírito, que é o seu verdadeiro organismo, que tanto preexiste ao nascimento como sobrevive após a morte do corpo físico. Como esse delicado instrumento de relação com o ambiente astral é mais sensível às percepções do espírito, o desencarnado passa a gozar de maior sensibilidade psíquica.

Visto que a chama espiritual (o “espírito”) é na realidade o centro da consciência individual do homem no seio do Todo, o seu corpo físico e o seu perispírito significam tão somente os seus respectivos veículos de atuação nos planos material e astral. Desses dois veículos, o mais valioso e importante para a estrutura espiritual do ser é, sem dúvida, o perispírito, porque, além de ser um organismo definitivo, é o que se liga mais intimamente à sua consciência imortal.

Enquanto o corpo de carne é um organismo pesado e denso, que atende dificultosamente às intenções e necessidades do espírito reencarnado, o perispírito, devido à sua contextura sutilíssima e quintessenciada, é maravilhoso instrumento de ação no seio das energias vivíssimas do mundo astral. A sua leveza e dinâmica permitem atender, de imediato, à mais insignificante vontade do espírito desencarnado. O corpo físico, para o espírito encarnado, é como um escafandro a oprimir os movimentos do mergulhador no fundo do mar, restringindo-lhe os sentidos físicos no ambiente modificado pela água!

Assim que o mergulhador despe o seu escafandro à superfície da água, logo se reintegra na posse de todos os seus movimentos naturais e passa a gozar da paisagem colorida e iluminada pelo Sol, que constitui o panorama da vida ao ar livre.

Materialização mediúnica: a fluidificação rude do ectoplasma produz figuras instáveis — não a verdadeira aparência do desencarnado no astral.
Materialização mediúnica: a fluidificação rude do ectoplasma produz figuras instáveis — não a verdadeira aparência do desencarnado no astral.
Essa falsa idéia a respeito da verdadeira constituição do corpo perispiritual tem por base as deformações apresentadas nos trabalhos mediúnicos de materialização em que, muitas vezes, as figuras dos desencarnados parecem instáveis e sem continuidade, movendo-se no seio de massas gasosas, como se realmente fossem nuvens de algodão, com movimentos espasmódicos e deformantes.

Outras vezes, durante a produção desses fenômenos de materialização, os espíritos desencarnados aparecem semelhantes a máscaras carnavalescas, cujos olhos, bocas e nariz horrendos não só assustam os neófitos, como ainda impressionam mal muitos freqüentadores habituais de sessões de fenômenos físicos, que então julgam-nos egressos de um mundo mórbido e lúgubre, no qual é provável que só vivam se compondo e se desfazendo incessantemente no seio da fumaça leitosa do astral.

Porém, tudo isso é conseqüência das dificuldades no trabalho de efeitos físicos, devidas aos tipos de ectoplasma de certos médiuns. Em muitos deles, a fluidificação é rude e primária, produzida em centros orgânicos demasiadamente instintivos, sem a sutilização vibratória suficiente para configurar todas as minúcias e contornos da verdadeira configuração perispiritual. No entanto, a verdadeira aparência do desencarnado no astral é outra: os espíritos, quanto mais evoluídos são, mais belos e rejuvenescidos em seu aspecto humano se tornam; os seus modos são agradáveis, com certa graça e beleza que só pode ser comparada à delicadeza dos movimentos dos pássaros!

O espírito desencarnado, no plano astral, não é nenhum fantasma compungido ou consagrado pelas lendas fantásticas do passado, ou um produto virtual da imaginação dos médiuns.