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Fraternidade Ramatís

O Curso

Apostila 08 O Perispírito — 1ª parte: Corpo Astral Seção 12 de 15 A Ação Mental sobre o Perispírito

A Ação Mental sobre o Perispírito

Os espíritos desencarnados que já possuem a própria força mental razoavelmente desenvolvida podem impor a sua vontade sobre o funcionamento dos seus órgãos perispirituais; por exemplo, podem facilmente controlar, através da vontade, o seu ritmo de batimentos cardíacos, acelerando ou reduzindo o seu coração em seus movimentos de diástole e sístole, coisa que o ser encarnado ainda não consegue fazer com o seu coração carnal. Atualmente, os homens terrenos atuam nos órgãos originais existentes em seus perispíritos e aceleram inconscientemente os seus órgãos físicos; mas, não o fazem por maturidade espiritual, e sim através da violência, do desregramento, da irascibilidade, ou como conseqüência da cólera, do ódio, do ciúme ou do amor-próprio ofendido.

As criaturas que mais sofrem dos intestinos, do duodeno ou do fígado, são geralmente as que mais se queixam de ser muito nervosas, ou de apresentarem exagerada sensibilidade, mas, na verdade, elas são muito descontroladas mental e psiquicamente e, por isso, vivem molestando os órgãos do perispírito e lesando continuamente as suas contrapartes físicas. Embora o homem possa ser portador de virtudes que o elevariam a planos superiores, ainda está sujeito a sofrer as conseqüências de certos descuidos com os principais órgãos do corpo físico.

Todos os órgãos do corpo físico são duplicatas exatas ou cópias perfeitas dos originais correspondentes, existentes no perispírito; tanto o zelo como o descaso humanos com seus órgãos físicos produzem efeitos duradouros nos correspondentes órgãos delicados e valiosos do perispírito.

Por exemplo, a ação de fumar é nefasta ao perispírito porque, quando o fumo se carboniza, desprende substâncias etéreo-astrais nocivas, que então agridem os seus pulmões delicadíssimos e causam dificuldades ao espírito após a desencarnação.

A vontade desenvolvida e a mente disciplinada com dignidade tanto podem remover os empecilhos do corpo físico, como controlar as próprias operações dos órgãos autônomos e desenvolvê-los a contento, de forma sadia. Muitos descrêem de tal possibilidade porque ainda não conseguiram o domínio espiritual de si mesmos, esperando que esses segredos, que sempre foram guardados sob o respeito das instituições iniciáticas, lhe sejam revelados como que por magia. O desenvolvimento da capacidade mental do homem, através da perseverança e tenacidade, sempre foi muito buscado pelos orientais, que não se deixam condicionar exclusivamente aos fenômenos transitórios dos cinco sentidos físicos.

Muitos faquires, submetidos a experiências científicas em avançados centros médicos do Ocidente, já comprovaram a força real do pensamento ao demonstrarem absoluto controle mental sobre o metabolismo de seus corpos físicos. Muitos deles aceleram ou retardam a sua pulsação cardíaca, atuando deliberadamente nos centros térmicos de seus organismos, produzindo temperaturas gélidas ou quentes; outros logram inverter as funções peristálticas do intestino e apressam a diurese ou a produção de sucos gástricos e pancreáticos.

Esses fenômenos são conseguidos no plano da matéria pela feliz atuação da vontade treinada sobre o perispírito e, em conseqüência, seus órgãos astrais, via os correspondentes órgãos do duplo etérico, reagem nas suas cópias físicas, sustendo funções ou incentivando o dinamismo material. É o que ocorre, por exemplo, na hipnose, quando o paciente, ao receber sugestões imperiosas do hipnotizador, agindo através de reflexos condicionados, atua nos seus centros térmicos e tanto pode baixar como elevar sua temperatura, sob a vontade daquele que o induz a sentir frio ou calor.

Se alguns homens sem grandes atributos crísticos, mas teimosos e tenazes em sua disciplina física, conseguem exercer o domínio e controle em seus corpos carnais, esse domínio, no astral, dos desencarnados sobre o seu perispírito, pode ser alcançado de modo mais positivo e com absoluto sucesso, por já estarem livres das algemas da carne. O perispírito, sob ação mental elevada, respira aprimorado magnetismo; mas, submetido à violência psíquica e emotiva, se debilita e se intoxica, tornando-se então ponto convergente das energias do baixo astral.

O seu magnetismo se adensa e o seu peso específico aumenta, nessas ocasiões, muito acima do normal e natural, fazendo-o precipitar-se nas regiões infernais, ao passo que, atuando por pensamentos sublimes, ele se adelgaça e se purifica, elevando-se para planos felizes, logo em seguida ao abandono do corpo físico. Quando o Mestre Jesus de Nazaré afirmou que “os humildes serão exaltados e os que se exaltam serão humilhados”, revelando a justeza do ensinamento da ciência transcendental, aludiu veladamente ao peso específico do perispírito, que tanto se adensa na exaltação da cólera ou do orgulho, como se afina e se eleva na humildade e na bondade.

A cólera revela fraqueza do espírito e, portanto, comprova debilidade de caráter, pois aquele que se encoleriza perde a direção do seu comando mental em favor dos impulsos do instinto animal: obscurece-se a sua mente e se aniquila a sua vontade. O arrebatamento irascível semeia discórdia e conduz à revolta, transformando o homem racional num louco momentâneo. Por isso, quando o perispírito é submetido a tal processo pelo homem exaltado e desgovernado, enche-se de sombras e fulgores sinistros, que depois o sobrecarregam da fuligem gasosa do baixo astral, para onde se inclina em “queda específica”, devido ao aumento do seu peso magnético.