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Fraternidade Ramatís

O Curso

Apostila 04 Involução e Evolução nos Planos da Criação Seção 14 de 15 Carma e Evolução Espiritual no Reino Hominal

Carma e Evolução Espiritual no Reino Hominal

O mundo, sem dúvida, seria um caos sem um planejamento antecipado que lhe aborda sensatamente todos os esquemas de manifestação da vida, processada através das mais variadas formas físicas compatíveis a cada tipo de orbe pulsante no Universo. Examinando-se a história biológica e geológica da natureza do planeta Terra, apesar das lacunas existentes, não é difícil ao homem verificar as inúmeras provas do seu progresso de estados inferiores para níveis superiores, pelos milênios, num processo evolutivo, e deliberadamente num sentido de harmonia e beleza!

É fácil de se verificar esse evento progressista, pelo exame e comparação da vida do homem das cavernas ao conhecido homem do concreto da atualidade! A intervenção periódica e pessoal do homem corrigindo as coisas e melhorando os seres do mundo físico, ele o faz somente dirigindo o seu poder e aplicando a sua inteligência na fenomenologia da matéria, porque através dela também se derrama a Sabedoria Divina ativando as energias latentes, que fluem pela intimidade das próprias formas, no milagre da incessante transformação.

Sem dúvida, toda criação é intrinsecamente protegida por Deus, o Criador, que promove os meios de subsistência e de sobrevivência adequados a cada espécie animal. Embora ainda predomine no mundo a “lei do mais forte”, em que as espécies mais débeis são facilmente destruídas pelos tipos mais bem agraciados pela natureza, não há prejuízos definitivos, porque destruindo os corpos carnais transitórios, o Psiquismo que comanda cada espécie permanece inalterável.

Pode-se considerar que os corpos físicos dos seres em evolução são apenas vestimentas passageiras, em processo de adestramento e aperfeiçoamento, a fim de servirem mais tarde às exigências das mentes individualizadas. É uma fase de evolução em que esse Psiquismo se ativa pelas exigências vividas no orbe, inclusive nas próprias situações dramáticas ou trágicas. Além do cuidado fundamental da Divindade em proporcionar mais tempo de vida orgânica à criatura, ainda exercita, pela vestimenta carnal mais instintiva, a ação de um futuro Psiquismo melhor elaborado.

O Criador proporcionou na busca da vida um sistema de “autoproteção” particular a certas espécies de animais que lhes permite uma defesa ou dissimulação mais adequada, para maior probabilidade de sobrevivência no ambiente onde vivem: o fenômeno do mimetismo, que as disfarça convenientemente de modo a iludirem ou desorientarem as espécies mais fortes e agressivas que deles se alimentam. O mimetismo disfarça ou confunde o ser no meio ambiente onde vive e o ajuda a passar desapercebido na sua luta pela sobrevivência.

Esse fenômeno, que serve de proteção à sobrevivência mais prolongada das mais variadas espécies do reino animal, embora não induza a qualquer conclusão cósmica definitiva, ou comprovação direta da Divindade, oferece ao homem arguto o ensejo de extrair ilações corretas e sensatas, quanto à indestrutível verdade de uma Inteligência Superior operando na intimidade de todos os fenômenos da Natureza. A vida no campo denso da matéria, inegavelmente, é um gravoso palco de lutas fatigantes de experimentações dificultosas, onde o espírito do homem é ativado pelas energias que se atritam, requintam- se e se sublimam no sentido de ele superar o instinto animal, que o protege mas também o escraviza desairosamente às vibrações inferiores.

O homem luta até uma certa freqüência sob o impulso energético das forças primárias da animalidade, as energias telúricas que eclodem da espécie animal instintivas e implacáveis, e deve opor-se veementemente à força bruta da tirania do instinto animal, que o ajuda mas o escraviza, para ativar e desenvolver em seu espírito o amor e a sabedoria, que são os princípios fundamentais do futuro anjo. O homem, criado por Deus para ser feliz por toda a eternidade, é o autor de sua própria conscientização, caso contrário não haveria para ele qualquer valor.

Apesar do protesto justificável, de que não há mérito nem valiosidade no sofrimento da criatura para depois ser venturosa, muito pior seria ela ter sido criada como um produto automatizado e elaborado mecanicamente em série. É a auto-realização, a transformação preliminar, a garantia de um futuro venturoso, quando o espírito sentir conscientemente os seus poderes criativos e sentir a possibilidade de plasmar nas formas do mundo toda a intuição superior como poesia, arte e imaginação sublime.

Não importa se o homem, em princípio, confunde as quinquilharias dos mundos físicos transitórios como valores autênticos de sua futura felicidade; o certo é que ele jamais se perderá nos labirintos educativos das vidas materiais, porque o seu destino glorioso é a angelitude, e a luz que o guia queima no próprio combustível de sua centelha interior! Para tanto, precisa crer e confiar na pedagogia traçada pelo Criador, cujo resumo o ser possui em sua própria intimidade espiritual, na síntese microcósmica do “reino divino”.

Para a absoluta segurança de a criatura alcançar mais breve e corretamente a sua ventura eterna, a Divindade estatuiu a Lei do Carma, que disciplina, corrige e ratifica os atos insensatos e enfermiços que o espírito pratica nas vidas sucessivas na face dos orbes físicos. Nenhuma criatura deve invadir o direito alheio ou perturbar o destino dos seus companheiros em curso de aperfeiçoamento espiritual. Ninguém pode, sequer, carregar a cruz do seu irmão e sofrer por procuração quaisquer reações desagradáveis e indesejáveis, que devem ser vividas pelos próprios responsáveis ou culpados.

O espírito do homem é o autor do seu próprio destino e pessoalmente responsável pelos efeitos bons ou maus decorrentes dos seus atos pregressos! Cumpre-lhe a tarefa de despertar e desenvolver em si mesmo os valores íntimos que lhe devem assegurar a vivência futura entre as humanidades siderais felizes. O homem pode semear dores, júbilos, prazeres ou tragédias; porém sob a Lei do Carma, que é inflexível e correta, mas justa e impessoal, ele se torna autor e, ao mesmo tempo, o receptor de todos os acontecimentos ou males praticados a favor ou contra o próximo.

Ninguém pode alegar ignorância das sanções da Lei do Carma, num atribuir injustiças a Deus, depois das advertências insistentes de todos os instrutores e mestres da espiritualidade, que enunciaram que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”, e que “a cada um será dado segundo as suas obras”. O mal é tão somente uma condição transitória, de cujo reajuste resulta sempre um benefício futuro ao próprio autor. Mesmo sob a perversidade humana, que mata outro ser vivo, o criminoso só destrói o “traje” carnal provisório e subalterno da vítima, sem atingir-lhe o espírito imortal.

Assim, o Princípio de Causa e Efeito proporciona uma nova existência física para a vítima, auferindo-lhe mais proveito e compensação, porque ela foi perturbada no seu ciclo de evolução espiritual. O homicida, sob a mesma lei retificadora, então é recolhido à oficina do sofrimento, a fim de retificar o desvio mórbido, que o torna uma criatura ainda dominada pelas ações negativas. Depois ele retorna para a mesma estrada de aperfeiçoamento espiritual, prosseguindo de modo a despertar os valores eternos da imortalidade e alcançar a sua própria ventura.

O mal ou o sofrimento são etapas do mesmo processo evolutivo, cuja ação é transitória e tende sempre a um resultado superior. Pode-se considerar, por exemplo, que é um mal a agressividade dos insetos, vermes e aves contra a planta na sua luta para crescer; no entanto, tudo isso não passa de elementos que interferem e obrigam o vegetal à maior concentração de energia íntima na defesa, culminando no sucesso do seu próprio desenvolvimento. O mal é tão somente acidente na escalonada evolutiva, a fase negativa que perturba mas se corrige, prejudica e depois compensa, e que desaparece tanto quanto o espírito firma a contextura definitiva de sua consciência.

Sob o princípio de “cada um colhe o que semeia”, todo mal pode causar dor e sofrimento para o seu próprio autor, o que então não é injustiça, porque a mesma lei compensa a vítima; contudo, disso resulta também a purificação do pecador e conseqüente melhoria de qualidade espiritual. Os considerados “atos malignos” causam prejuízos a outrem; mas se a vítima é ressarcida vantajosamente no curso de sua própria imortalidade, então desaparece o estigma detestável do “mal”, que é compensado pelo “bem” mais breve a que faz jus pelo seu sofrimento.

“O feitiço sempre se volta contra o feiticeiro”; quando apanhado pela lei de retificação espiritual, o autor do próprio ato destrutivo ou perverso é submetido ao processo retificador, alcançando o reajuste e a redenção espiritual. Na inconsciência da prática do mal, o espírito do homem aprende a consciência do próprio bem! A dor e o sofrimento indesejáveis, embora estigmatizados pelo homem, são manifestações implacáveis que sublimam todos os produtos ou seres criados por Deus, para ascensionar a estados e níveis siderais superiores.

Há sempre indícios benéficos no âmago das coisas e dos seres bons ou maus, belos ou feios, sadios ou enfermos, e que se pode evidenciar, aos poucos, à medida que se investiga e conclui sobre os fenômenos da própria vida. São fatos que se sucedem num encadeamento ordeiro e inteligente, mas a convergir sempre para um fim proveitoso e benfeitor da humanidade. Isso comprova os princípios e as regras que fundamentam a Bondade de Deus e, ao mesmo tempo, o amparo recíproco que existe entre todos os seres e as formas a serviço da conscientização do espírito imortal encarnado na matéria.