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Fraternidade Ramatís

O Curso

Apostila 04 Involução e Evolução nos Planos da Criação Seção 13 de 15 O Despertar da Consciência e sua Evolução

O Despertar da Consciência e sua Evolução

A consciência humana, desde os seus primeiros bruxuleios de vida isolada no seio do Cosmo, cresce continuamente em sentido esférico, passando por consciência grupal, racial, continental, planetária e constelatória. À medida que abrange maior área de conhecimento cósmico, também se despe dos seus pontos de vista, caprichos e limitações personalísticas, para então doar-se à condição de “divino alimento” às consciências menores que seguem na esteira da caminhada.

Assim, pouco a pouco, o espírito-indivíduo desperta, reconhecendo-se intimamente ligado ao Pai e a todos os seres e coisas. A sua potencialidade eterna está no pensamento único de Deus, o princípio gerador, o primeiro princípio cósmico; a sua coesão está no amor, que reside no segundo princípio crístico, e a sua força criadora é o espírito operante, que vem a ser o terceiro princípio, componente da simbólica “divina trindade” numa só expressão, que é Deus, o Absoluto Criador Incriado.

Tanto o perispírito como o corpo físico não passam de verdadeiros interruptores da visão espiritual infinita, que reduzem a influência limitada da massa da Consciência Total do Criador. Eles apenas “eliminam” o excesso de Onisciência, transferindo para o homem apenas o conhecimento menor, e apropriado a consolidar a sua consciência individual. É através desse conhecimento menor, mas incessantemente renovado e em expansão, devido ao intercâmbio educativo com os mundos transitórios da matéria, que o espírito vai compondo o seu campo consciencial e acumulando sua memória no seio da própria Consciência Cósmica de Deus.

As consciências individuais, que se constituem nos espíritos destacados do próprio Espírito Infinito, ampliam-se sideralmente à medida que mais se lhe flui o conhecimento maior, fazendo-as progredir na percepção real do Sublime Princípio da Vida Imortal. Assim é que os cérebros do perispírito e do corpo físico, como principais órgãos de atração da consciência do homem no seio do Cosmo, funcionam então como verdadeiros interceptadores e eliminadores do potencial máximo da Onisciência, assemelhando-se a válvulas redutoras que graduam e transmitem só o conhecimento suficiente para a razão coesiva do espírito individualizado em Deus.

Eles interrompem, no mundo astral e no físico, a excessiva massa de conhecimentos sem limites, cumprindo-lhes eliminar o que ainda for inassimilável pelo núcleo espiritual humano, ainda imaturo. Ademais, no Cosmo, tudo já existe perfeito e eterno, pois Deus não retrograda nem progride, mas é o próprio Conhecimento, o Poder e a Vontade, elevados ao máximo potencial, e humanamente indescritível. Só ele pode suportar o máximo e o infinito de “Ser” e de “Existir”, além e acima de qualquer outro limite ou definição conceitual por parte do homem.

Em conseqüência, o homem não é um produtor de idéias nem criador de acontecimentos inéditos, mesmo submetendo-os a incessante progresso; mas, como tudo já existe num estado de absoluta perfeição e imutabilidade, integrado no Conhecimento Total do Criador, o espírito humano é apenas um captador da quantidade de conhecimento cabível em sua mente finita, e que ele gradua conforme sua capacidade de suportação racional ou de apreensão da própria consciência, forjada no simbolismo do tempo.

O cérebro físico é, pois, o redutor da Onisciência no mundo da matéria, sendo esta a última fase da “descida angélica”, ou seja, a mais grosseira manifestação da Divindade. O cérebro perispiritual, no entanto, é o responsável por essa redução no plano da vida astral. Ambos selecionam, eliminam e ajustam somente aquilo que pode ser útil, suportável e entendível no campo da consciência-indivíduo, e ajudam-na a se expandir e a despertar no seio da Consciência Cósmica de Deus.

Embora existam ainda outros órgãos que cumprem o mesmo objetivo redutor em planos ainda mais sutis, como no mental concreto e no mental abstrato, não convém alongar-se na descrição de tais processos e veículos atuando na intimidade do Espírito Cósmico e que também amoldam o conhecimento infinito, de modo suportável ao entendimento humano. Os espíritos criados no seio da Onisciência representam outras tantas miniaturas da vida cósmica, que despertam para o auto-entendimento e progridem incessantemente, alimentadas pelo próprio conhecimento infinito de Deus.

A consciência do homem nada pode criar de novo no seio do conhecimento perfeito e infinito do Criador; no entanto, ele desperta sob os incessantes impulsos que se manifestam do interior para o exterior, despertamento esse ininterrupto e que prossegue por toda a eternidade, uma vez que Eterno é o próprio Deus! Esse processo e expansividade inata e ininterrupta de despertamento da consciência humana, os orientais têm consagrado através de vários conceitos tradicionalistas da vida oculta, como estes: “Busca o caminho avançando resolutamente para o exterior”; ou “Cresce como a flor, inconscientemente, mas ardendo em ânsias de entreabrir sua alma à brisa”; ou ainda “Busca a integração no Existente antes de ti”!

Estas máximas referem-se ao convite incessante que a Consciência Total de Deus lança na intimidade da consciência individual do homem que, na figura de verdadeiro filtro ativado por inextinguível poder e inteligência, capta o conhecimento cósmico na conformidade do grau de sua própria percepção. A alma humana busca o conhecimento definitivo e pré-existente da Vida Real originada do Sublime Princípio Eterno, mas sem lhe poder acrescentar qualquer novidade, pois se pudesse fazer tal coisa, é evidente que também criaria algo desconhecido dentro do seio do próprio Deus. Então seria uma absurdidade que a centelha espiritual do homem, que é produto da Criação, pudesse criar ineditismos no seio do próprio Criador donde emanou!

Representação figurativa em V da criação e do ciclo evolutivo: o descenso vibratório (queda angélica) à esquerda e a ascensão vibratória (vida consciente) à direita, tendo Deus, o Logos Universal, no ápice.
Representação figurativa da Criação e do ciclo evolutivo: o descenso vibratório (queda angélica) e a ascensão vibratória (vida consciente), a partir e em direção ao Logos Universal.