Diferenciação dos Componentes das Almas-Grupo das Espécies do Reino Animal Domesticadas ou sob os Cuidados do Homem
Um cardume de peixes, um bando de gafanhotos ou uma alcatéia de lobos, espécies coletivas do reino animal, agem sob um mesmo caráter instintivo, movendo-se pela ação diretora de um só psiquismo, com suas reações perfeitamente idênticas. É um agrupamento que difere dos conjuntos animais de mais adiantamento, como os do cão, do gato ou do cavalo, em que se pode verificar a fragmentação da “consciência de grupo”, pois alguns componentes dessas espécies revelam reações, gostos e preferências nitidamente individuais.
Há na espécie canina, por exemplo, certos tipos de animais que se distinguem do conjunto, revelando emoções à parte; há o cão destemido, que ataca de frente, e há o cão traiçoeiro, vingativo, que agride pela retaguarda. Enquanto o cão pacífico festeja o seu dono, esquecido da surra que levou, outro guarda rancor para com ele e nunca mais esquece do seu algoz! Uma ninhada de animais selvagens que, por exemplo, nasce no ambiente civilizado do homem, se desvincula, pouco a pouco, do comando rígido e psíquico de sua alma-grupo correspondente, devido aos novos estímulos, iniciativas e disciplinas próprias da vivência humana.
Os membros dessa ninhada principiam a reagir de modo mais individual entre si, embora apagadamente, sob a influência cotidiana dos seus donos e dos demais componentes do ambiente onde vivem. A própria forma de o animal ser tratado pelo seu dono influi-lhe frontalmente nos seus hábitos, o que desperta no animal reações, defesas e recursos bem diferentes dos costumes coletivos. Sob a força do domínio do homem, em face de sua insegurança num meio estranho à sua índole selvática, onde lhe cerceiam todo impacto instintivo e de sobrevivência natural, o animal selvagem domesticado é obrigado a mobilizar recursos novos, muito além da costumeira ação cômoda de sua alma-grupo.
O lobo, valente, feroz, livre e guiado instintivamente para solucionar da melhor maneira as suas necessidades biológicas, quando domesticado, se transforma, à semelhança do cão surrado, exaurido e temeroso, pois perdeu parte de sua característica instintiva, modelado pelo treinamento compulsório do homem, num tipo dócil e obediente, diferente de sua espécie original. Assim, o lobo selvagem, depois de domesticado, vive mais tempo com sua prole e perde o instinto atabiliário de enxotá-la, confiando nas facilidades proporcionadas pelo auxílio do homem, criando assim um novo comportamento que o distingue visivelmente dos hábitos de sua raça ainda selvagem.
O animal selvagem é violento e agressivo na defesa da prole e da própria vida e, após o cio, costuma acomodar-se com certa tranqüilidade; sob a força ativadora de sua alma-grupo, enxota os filhotes já crescidos para além do ninho ou da cova em que nasceram. Isto é instinto global e único de todas as unidades da mesma espécie ou raça; entretanto, devido à vivência junto ao homem que lhe controla as tendências primitivas sob a amenidade do meio ambiente mais refinado, o instinto feroz tende a se amansar e a violência a enfraquecer.
Atualmente, alguns animais como o elefante, o cavalo e o macaco já podem vislumbrar algumas noções de razão, sob fundamento mental, pois já manifestam, de modo insofismável, alguns bruxuleios de inteligência, dado que podem adquirir diferenças instintivas, pelo treinamento ou comportamento orientando, de forma semelhante às consciências humanas na fase de infância física. Quanto ao afeto quase humano (e por vezes mais do que humano) que alguns animais têm demonstrado, superando por vezes a própria afetividade do homem ainda tão egoísta, isso demonstra que já revelam uma sensibilização fundamental na esfera do sentimento.
Inúmeros casos foram demonstrados de afeto incomum do animal pelo seu dono, ou de animais de uma espécie que criam ou cuidam de filhotes de animais de outra espécie. Mesmo sob maus tratos de seus donos humanos, sob a guante da dor e do sofrimento, os animais domésticos apuram o seu psiquismo, e apesar de toda a amargura, também principiam a despertar os primeiros bruxuleios ou alvorada do sentimento, ante a necessidade de melhor se adaptarem às condições adversas, problemáticas e às surpresas da vida doméstica.
Os peixes, os mariscos e os crustáceos, por exemplo, são “corpos coletivos”, correspondentes de um só “espírito-grupo”, que lhes dirige o instinto e lhes gera uma reação única e igual em toda a espécie. Um peixe, fora d’água ou dentro dela, manifesta sempre a mesma reação, igual e exclusiva de todos os demais peixes do mesmo tipo. Entre milhões de peixes iguais, não se consegue distinguir uma única reação diferente no conjunto. No entanto, inúmeras outras espécies de animais já revelam princípios de consciência; podem ser domesticadas e realizar tarefas distintas entre si.
O boi, o suíno, o cão, o carneiro, o cavalo, o elefante, o camelo já revelam certo entendimento consciencial à parte, em relação às várias funções que são chamadas a exercer. Eles requerem cada vez mais a atenção e o auxílio do homem, a fim de se firmarem num sentimento evolutivo para outros planetas, nos quais as suas raças poderão alcançar melhor desenvolvimento, no comando de organismos mais adequados às suas características. Quando o seu psiquismo se credenciar para o comando de cérebros humanos, as suas constituições psico- astrais poderão então retornar ao planeta Terra e operar na linha evolutiva do homem terreno.