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Fraternidade Ramatís
Apostila 10 Mediunidade e Fenômenos Mediúnicos Seção 9 de 10 A Teosofia Face à Mediunidade

A Teosofia Face à Mediunidade

Baseados nas explicações de Helena P. Blavatski, é crença de todos os teosofistas que, em verdade, são “cascões astrais” com certa inteligência instintiva, herdada após a morte dos seus donos, que se comunicam nas sessões mediúnicas, em vez de espíritos desencarnados, conforme preceitua o Espiritismo. No entanto, o próprio Coronel Olcoot, um dos mais íntimos colaboradores de Blavatski, admitiu que ela havia se equivocado.

Em razão disso, os teosofistas não aceitam a mediunidade, nem a comunicação dos espíritos, tal como acontece com os espíritas, pois o seu modo de trabalhar é diferente. Eles se reúnem em grupos de estudo, argüições e pesquisas de filosofia espiritual, e o fazem mais pela intuição, em vez de comunicações mediúnicas diretas.

É óbvio que também se relacionam com os espíritos desencarnados, embora o neguem fazê-lo diretamente pelos recursos mais ostensivos da mediunidade.

Todos os homens estão cercados de espíritos desencarnados que os assistem, tentam, protegem, ajudam ou exploram, quer sejam teosofistas, rosa-cruzes, yogas, espíritas ou católicos.

Os encarnados atraem espíritos de conformidade com suas idéias, paixões ou intenções, pouco importando a sua crença ou religião.

Ninguém se livra de comunicações mediúnicas, conscientes ou inconscientes, boas ou más, quer seja espírita, teosofista, yoga ou católico, apenas por rejeitá-las. De nada vale tentar resistir desde o início à influência oculta dos desencarnados, pois estes espíritos “rodeiam os homens”, no dizer de Paulo de Tarso em suas epístolas, e acionam as criaturas encarnadas de conformidade com a sua receptividade moral.

Que adianta o teosofista condenar o médium espírita, quando ele também é antena viva, capaz de recepcionar os desencarnados, variando a qualidade dos comunicantes conforme o seu modo de agir e pensar?

Os teosofistas dizem que é contraproducente o exercício da mediunidade passiva, conforme proclama a doutrina espírita, alegando que o médium, ao receber espíritos perturbados, torna-se vítima de enfermidades orgânicas ou alienações mentais.

O risco de fluidos enfermiços dos espíritos inferiores provocarem transtornos nos médiuns depende do estado psíquico e das condições morais do próprio médium.

O homem só se resguarda dos fluidos perniciosos dos maus espíritos quando se integra no critério moral superior.

Os espíritos obsessores e malfeitores vivem aderidos ao pó do mundo e perambulam pela crosta terráquea alimentando-se com os eflúvios pecaminosos, frutos das paixões e dos vícios detestáveis da humanidade. Eles só entendem a natureza do mundo terráqueo, onde já viveram conturbados, e simpatizam-se à linguagem dos homens fesceninos e inescrupulosos.

São almas prenhes de ressentimentos e revoltadas contra qualquer empreendimento conciliador que lhes exija modificações íntimas. Mas, rasteando com os homens, elas terminam envolvidas pelos pensamentos e sentimentos de bons trabalhadores do Cristo, até se submeterem aos serviços mediúnicos, cujos médiuns serão os intérpretes de suas próprias aflições e problemas atrozes.

Jamais o Criador perderá uma só ovelha; e, por isso, os próprios “satanases” também serão salvos no momento oportuno!

No entanto, a criatura não está completamente indefesa a certas influências do mundo oculto, pois o perispírito, através de milênios de adaptações e atividade no seio das energias dos mundos planetários, também desenvolveu a sua capacidade de defesa contra as investidas maléficas.

Assim como acontece com o organismo físico, ele consegue regenerar as zonas ofendidas e corrigir as lesões da hostilidade do mundo inferior. Evidentemente, sendo a matriz fisiológica ou astral da organização humana, é óbvio que também supera as investidas malfeitoras dos espíritos das sombras.

O perispírito dispõe de recursos maravilhosos para a sua sobrevivência e proteção no seio das energias inferiores, tal qual o corpo físico mobiliza recursos para defender-se de quaisquer reações nocivas ao seu equilíbrio vital.

A simples picada de um inseto no corpo físico faz o mesmo carrear água em torno da zona ofendida ou afetada, para enfraquecer o veneno ali injetado. Igualmente, o perispírito enfraquece ou desintegra os fluidos malfazejos que lhe penetram pela aura desguarnecida, ante a invigilância espiritual do seu dono. Sem dúvida, essa defesa também será de tal êxito, quanto seja a contribuição espiritual do próprio ser.

Os “fótons” perispirituais projetados pela Luz que é intrínseca do próprio homem, têm ação profilática, e desintegram os maus fluidos.

Em conseqüência, os médiuns também são protegidos naturalmente pela sua segurança perispiritual, embora essa resistência varie conforme sua estrutura moral.

Assim como os fluidos perniciosos agem de modo coercivo, adensando a aura perispiritual das criaturas e favorecendo a nutrição de miasmas ou bacilos do astral inferior, os fluidos luminosos ministrados pelos espíritos angélicos são recursos profiláticos que ajudam a dissolver a carga dos fluidos infectos.

É evidente que não depende da criatura ser médium ou espírita para se expor aos perigos dos espíritos inferiores, pois os encarnados também são espíritos e podem causar prejuízos tão nefastos como os próprios desencarnados.

As próprias sugestões, os convites e os conluios para o vício, o pecado e atos condenáveis ainda são mais perigosos quando feitos pelos vivos do que pelos mortos!

Ademais, o exercício perigoso da mediunidade passiva não se efetiva tão somente em torno de mesas espíritas ou dos terreiros de Umbanda. Isto acontece a qualquer momento e conforme as “invocações” boas ou más que os vivos fazem aos mortos em seus projetos de vingança, disposições maledicentes, desejos lúbricos, ressentimentos, excesso de orgulho e de amor próprio!

Sem dúvida, seria ideal que o homem pudesse alcançar os grandes desideratos da mediunidade somente através da intuição ou da inspiração dos espíritos superiores. Seria um desenvolvimento sadio e consciente, sem espasmos e sofrimentos próprios da presença de espíritos inferiores e conturbados.

Os teosofistas afirmam que o médium espírita é prejudicado pela sua passividade perigosa às entidades sofredoras ou malévolas, e que os médiuns que se desenvolvem junto à mesa espírita ou nos terreiros de Umbanda, não passam de “bengalas vivas”, submissas à vontade boa ou má dos desencarnados.

Indubitavelmente há certo exagero nessa conceituação, pois as criaturas de má qualidade espiritual, embora não sejam médiuns espíritas ou “cavalos” de Umbanda, também não passam de “bengalas vivas” de espíritos malfeitores, ainda que invoquem as suas credenciais de teosofistas!

O homem não consegue fugir do contato com o mundo invisível, nem se livrar facilmente da horda de almas sedentas de prazer, de vingança e de paixão, que se debruçam avidamente sobre a humanidade.

Não é o homem que busca a sensibilidade mediúnica; esta, porém, é que surge em sua vida, malgrado qualquer descrença ou rebeldia aos postulados espiritistas ou umbandistas. Nem a Teosofia, mormente a sua aversão à mediunidade ostensiva, poderá resguardar seus adeptos da possibilidade de serem “bengalas vivas” dos desencarnados!

Não é a doutrina, crença ou religião, a simpatia ou participação em confrarias iniciáticas que imunizam o homem dos maus espíritos, porém essa defesa depende exclusivamente de sua conduta moral.

Os teosofistas afirmam que a libertação espiritual só é possível através da “autotransformação” ou “autoconhecimento”, e não pela prática mediúnica. Inegavelmente, é o aprimoramento iniciático espiritual, a abdicação consciente das ilusões da vida carnal, ou o treino mental de libertação dos instintos inferiores, o que realmente gradua o espírito para sua ascese angélica.

Enquanto as confrarias iniciáticas do passado resguardavam os valores do espírito somente aos eleitos, o Espiritismo, embora seja doutrina vulgarizando os segredos iniciáticos à luz do dia, é a clareira que se abre na escuridão do ceticismo humano, para mostrar a todos os homens a estrada larga da vida imortal.

Não importa se os ensinamentos e segredos das confrarias iniciáticas foram vulgarizados pelo Espiritismo e traído o sigilo dos templos, mas a verdade é que o Alto assim proporciona os recursos de salvação para todos os homens! Então, salve-se quem quiser, mas o Senhor tudo fez para “não se perder uma só ovelha!”

As velhas escolas espiritualistas só puderam iniciar os homens que já revelavam qualidades ou tendências para o conhecimento superior. Admitiam exclusivamente os discípulos de capacidade psíquica e adestramento mental que já pudessem corresponder aos “testes” severos e às argüições complexas exigidas pelos Mestres dessas confrarias.

Os candidatos eram selecionados através de provas que lhes identificavam as qualidades superiores, mas os céticos, os curiosos e os menos aquinhoados em espiritualidade, isto é, os que mais precisavam de esclarecimentos espirituais, esses ficavam à margem, reprovados pela sua insuficiência! Enfim, eram admitidos os mais esclarecidos e desaprovados os mais necessitados.

Por isso, o Alto então optou pela prática mediúnica, embora reconhecesse tratar-se de um evento ainda imaturo para os homens escravos das paixões inferiores, aguilhoados aos postulados separativistas de pátria, raça e religiões, que servem de combustível às guerras fratricidas.

É verdade que as confrarias iniciáticas do passado proibiam o desenvolvimento da faculdade mediúnica passiva, assim como o “sujet” se deixa hipnotizar à vontade estranha de outrem. Os seus adeptos não deviam se submeter ao comando do mundo oculto e à interferência mental de qualquer outro ser fora da influência dos seus mestres e guias consagrados.

Antigamente sustentava-se que o desenvolvimento das forças ocultas, latentes em todos os homens, só devia ser tentado depois do aprimoramento moral e discernimento mental do discípulo sobre as coisas do mundo. Nos templos iniciáticos ocultistas, ensinava-se que o metabolismo psicofísico do homem dependia fundamentalmente do seu nível espiritual.

O perispírito, o controle dos chacras ou centros de forças etéreas eram objetos de estudos meticulosos. Exigia-se a disciplina sexual, pois o fluido que circula pela coluna vertebral em coesão com o “fogo serpentino” dos eflúvios telúricos da Terra, a energia kundalini, fertiliza a mente quando é endereçado para fins superiores, e dispensado do mecanismo sexual.

O discípulo era vegetariano e frugal em sua alimentação; dominava os vícios e superava os desejos inferiores. Mesmo assediado pela dor, era avesso a entorpecentes, mas habituado à oração e às invocações sublimes.

Isso o ajudava a se imunizar contra a investida de entidades inferiores, carnívoras, viciadas, luxuriosas e alcoólatras, que desistiam de agir sobre quem não lhes daria o mínimo prazer ou gozo sensual na prática desregrada.

É certo que a maioria dos médiuns espíritas ingere álcool, fuma, empanturra-se nas mesas carnívoras, discute, irrita-se e acende desejos lúbricos ante o primeiro corpo feminino ondulante! Isso os torna mais vulneráveis às penetrações do astral inferior e justifica, em parte, o temor e a crítica dos teosofistas.

Embora louvando as considerações prudentes dos teosofistas e outras escolas espiritualistas sobre os perigos de mediunidade, convém distinguir-se a época atual comparada ao tempo das confrarias ocultas e da rigorosa exigência nas práticas espirituais.

Não é o desenvolvimento mediúnico ao gênero kardecista ou umbandista o que realmente pode trazer perigo ao homem! Indubitavelmente, se Jesus de Nazaré ou Francisco de Assis tentassem o desenvolvimento mediúnico, só poderiam transmitir comunicações angélicas!

O próprio Allan Kardec, em suas obras, advertiu que o êxito do intercâmbio mediúnico reside principalmente nas condições espirituais dos médiuns, resultando êxitos ou prejuízos, de acordo com a intenção e a sua pose moral. Assim, os médiuns ficam mais desprotegidos e suscetíveis à influência oculta dos desencarnados quando se despreocupam da higiene física, moral e espiritual.

Malgrado o julgamento exagerado dos teosofistas contra a prática mediúnica, alguns deles têm encontrado em suas famílias dolorosos problemas de obsessões e vinganças do mundo invisível, independentemente de qualquer intercâmbio propositado com o mundo oculto.

E muitos deles só puderam solucionar tais problemas aflitivos através de trabalhos espíritas de tratamentos desobsessivos, falhando as invocações aos mestres e os recursos intelectuais da Loja Teosófica.

Não se olvide que Jesus permaneceu trinta e três anos na crosta terráquea, em permanente contato com o mundo oculto, e, no entanto, jamais algo lhe contaminou a alma sublime!

Os teosofistas alegam que o homem pode lograr a sua redenção espiritual dispensando a prática da mediunidade. Contudo, a humanidade só poderia dispensar o complexo processo da mediunidade, desenvolvida com espíritos sofredores e rebeldes, que às vezes conturbam, desde que cumprisse integralmente os ensinamentos ministrados em todas as latitudes geográficas por instrutores espirituais como Hermes, Orfeu, Moisés, Krishna, Zoroastro, Fo-Hi, Confúcio, Buda ou Jesus!

Então a humanidade desenvolveria a sua mediunidade somente no plano da Intuição Pura, tal qual acontecia a Jesus, que podia conversar com os anjos, embora o seu espírito estivesse enclausurado na carne!