A Mediunidade nos Tempos Atuais e o Consolador Prometido
Assim se manifestou o Divino Amigo, com suas palavras inesquecíveis:
“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e Ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e absolutamente não o conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito”. (João, capítulo XIV, versículos 15, 16, 17 e 26).
Procurando-se o sentido exato da figura que Jesus enunciou na promessa referida, verifica-se que ele aludiu em particular a espíritos desencarnados de ordem superior, ou seja, às equipes de estirpe Angélica.
Sob a alegoria do “Espírito Santo”, ou o “Consolador” prometido, não é difícil se identificar as cortes, as falanges ou os exércitos angélicos que já operam atualmente através de médiuns dignos e desinteressados dos tesouros do mundo ilusório da carne.
Explicando que o Consolador seria o Espírito Santo capaz de ensinar aos homens “todas as coisas e ainda recordar suas próprias palavras”, não há dúvida de que Jesus se referiu aos Espíritos Benfeitores Angélicos, desde que só estes é que, realmente, por intermédio da faculdade mediúnica do homem, poderiam ensinar “essas coisas, pregar o Evangelho e recordar suas próprias máximas”.
É evidente que, pelo fato de Jesus haver se referido a “outro” Consolador, em sua promessa profética, ele quis advertir de que na Terra já havia se manifestado anteriormente “um” Consolador, que seria Ele mesmo, com a missão de salvar o homem da animalidade inferior.
Desde que o Mestre foi realmente um salvador da humanidade, deve-se considerá-lo como esse primeiro Consolador que, através do Evangelho, sintetizou aos homens as próprias Leis regentes da Vida Cósmica. Mas, o “outro” Consolador, portanto o Espírito Santo, ainda por vir e a derramar-se sobre a carne, em todas as criaturas, traria o ensinamento “salvador” diretamente do mundo espiritual, servindo-se das vozes dos próprios espíritos desencarnados e imortais. É muitíssimo claro que só um espírito imortal é que, evidentemente, poderia ficar eternamente com os terráqueos.
Jesus também esclareceu que os povos de sua época messiânica ainda não podiam “ver” ou “conhecer” o Espírito de Verdade porque, é fora de dúvida, não estavam mentalmente capacitados e mediunicamente sensibilizados para compreender e recepcionar com êxito a mensagem dos espíritos elevados.
Na primeira revelação do Consolador aos homens, Jesus foi o único representante direto do Santo Espírito, pois só Ele conversava, ouvia e confabulava com os “anjos” sobre a salvação do homem. Mas, de conformidade com o seu vaticínio, esse mesmo Espírito Santo, em sua segunda vinda, ensinaria aos homens todas as coisas, comprovando a glória e a justeza dos ensinamentos do Evangelho.
Há ainda na enunciação do Mestre um tópico indiscutível e que confirma plenamente a sua referência sobre a faculdade mediúnica a derramar-se entre os homens nos tempos atuais: é justamente quando ele menciona que o Consolador, o Santo Espírito, faria os homens recordarem-se de tudo o que Ele, Jesus, dissera anteriormente.
Na verdade, graças ao intercâmbio mediúnico, que progride gradativamente, familiarizando os espíritos desencarnados com os homens, pouco a pouco também se restabelece corretamente a identidade do Mestre em sua pregação terrena.
Algumas obras psicografadas por médiuns ajuizados e competentes já revelaram com mais nitidez o porte exato de Jesus, naquela época, e o distanciam das obras milagrosas e das contradições psicológicas no seu tipo espiritual, quando a história religiosa lhe atribui a função de mago de feira deslumbrando multidões no cenário bíblico da milenária Judéia.
Os espíritos de responsabilidade, em suas comunicações mediúnicas, isentam cada vez mais o Mestre das prendas tolas com que o adornou a ignorância humana, assim como desfazem o mito religioso do seu nascimento contrário às leis respeitáveis da genética humana.
Em verdade, o Santo Espírito ou o Consolador prometido é o “conjunto” dos espíritos sábios, benfazejos e angélicos que, através dos médiuns, ensinam aos homens as coisas que só o atual progresso da mente humana permite avaliar e conhecer.