A Generalidade Atual do Fenômeno Mediúnico
A mediunidade atualmente generaliza-se e recrudesce entre os homens de modo ostensivo e tal fenômeno resulta da hipersensibilidade psíquica que presentemente sobressai entre as criaturas, em concomitância com o “fim de tempos” ou “juízo final”, tantas vezes já profetizado.
Os tempos atuais são o remate final da “Era da Matéria”, que até o momento tem sido regida pela belicosidade, cobiça, astúcia, cólera, egoísmo e crueldade, paixões mais próprias do instinto animal predominando sobre a centelha espiritual.
A humanidade se encontra no limiar da “Era do Espírito”, em que se sentirá impulsionada para o estudo e o cultivo dos bens da vida eterna, com acentuado desejo de solucionar os problemas de origem espiritual, quando então as comprovações científicas da imortalidade da alma, através do progresso da fenomenologia mediúnica, reduzirão bastante a fanática veneração do homem pela existência transitória do corpo físico.
Assim como o organismo carnal do homem em certo tempo verticalizou-se para servi-lo em nível biológico superior, o seu espírito também há de se erguer da horizontalidade dos fenômenos e dos interesses prosaicos da vida física provisória, para atuar definitivamente na freqüência vibratória do mundo Crístico.
Na época profética que atualmente vive, sob a emersão coletiva do instinto animal simbolizado na “Besta do Apocalipse”, que tenta subverter o espírito do homem ainda escravo das formas terrenas, a humanidade pressente que já chegou a sua hora angustiosa de seleção espiritual e consolidação planetária, em que a criatura terá de se decidir definitivamente para a “direita” ou para a “esquerda” do Cristo, conforme reza a profecia, pois serão separados os lobos das ovelhas e o joio do trigo.
O magnetismo do ser humano freme à periferia do seu psiquismo exaltado pela energia animal, a qual emerge em sua desesperada tentativa de subverter os costumes, as tradições e a disciplina do espírito imortal.
Os homens se encontram confusos no limiar de duas épocas extremamente antagônicas, pois, justamente com o reiterado apelo do Alto para a Cristificação humana, recrudesce também a efervescência do automatismo instintivo da vida animal.
Os hospitais estão abarrotados de criaturas alienadas ou obsediadas, que provêm desde as favelas até as altas esferas sociais, cuja maioria é torturada pelas crises financeiras ou morais. Nessa miséria espiritual, abrangendo tanto os ateus como os seres egressos das mais variadas doutrinas e religiões, fica comprovado que o sacerdócio organizado das religiões oficiais realmente fracassou em sua missão salvadora.
O pior é que, durante essa eclosão incontrolável do instinto inferior, os espíritos desencarnados e malfeitores firmam o seu alicerce na carne e executam também o seu programa diabólico contra os terrícolas que, tolamente, são apáticos aos sublimes ensinamentos salvadores do Cristo-Jesus.
Atuado pelas mais contraditórias circunstâncias, vivendo em minutos o que os seus antepassados não viveram em alguns anos, o homem do presente século acaba por destrambelhar os seus nervos e superexcitar o seu psiquismo, perdendo terreno no seu controle espiritual e tornando-se um instrumento dócil nas mãos dos espíritos desencarnados malévolos.
Essa constante relação dos “vivos” com os “mortos”, embora os primeiros sejam inconscientes do que acontece, termina por sensibilizar cada vez mais a criatura humana, com o agravante de que se efetua nela um verdadeiro desenvolvimento mediúnico de qualidade inferior. Daí, pois, a necessidade inadiável de o homem prudente e bem intencionado integrar-se definitivamente nos preceitos salvadores do Cristo e vivê-los incessantemente à luz do dia.
O próprio progresso científico atual também contribui para essa hipersensibilização humana, em que o homem cada vez mais se sintoniza com as forças do mundo oculto. O cientificismo avançado dos tempos atuais, as pesquisas corajosas dos velhos “tabus” e segredos da mente humana, sem dúvida são importantes contribuições que não só aceleram a dinâmica de pensar e aumentam a área da consciência, como também sensibilizam a emotividade do ser.
O homem, atualmente, vive em algumas horas, e de modo simultâneo, os raciocínios, as conjecturas e as mutações mentais e emotivas que os seus antepassados não chegavam a experimentar em dezenas de anos.
O cidadão atual defronta e resiste obrigatoriamente a uma multiplicidade de fenômenos “psicofísicos” tão eqüidistantes em suas manifestações variadas, que isso seria suficiente para endoidecer a maioria dos habitantes terrenos de alguns séculos atrás.
Cresce assim a sensibilidade psíquica entre os homens terrícolas; acentua-se-lhes a eclosão da mediunidade em comum, porque também vivem sob o incessante acicate dos espíritos desencarnados, que assim exploram essa oportunidade cada vez mais favorável para agirem sobre a matéria.
O próprio Jesus preconizou a vinda do “Consolador” a derramar-se pela carne de todos os homens e facultando a profecia e o dom de curar às crianças, aos moços e velhos, focalizando assim o advento da mediunidade generalizada. O Mestre previu que, no decorrer do século atual, a humanidade estaria cada vez mais neurótica, aflita e desesperada, ante a emersão do instinto animal inferior tentando romper o temor religioso e as convenções sociais do mundo. Por isso, João Evangelista profetizara que “no fim dos tempos” a Besta do Apocalipse tentaria o seu domínio sobre os homens pela prática das sensações inferiores, sedução do luxo e da fortuna!
Em verdade, cresce a perturbação no seio da humanidade terrícola, pois foram abertas as comportas do astral inferior e descem para a carne a multiplicidade de espíritos trevosos, que viviam estagnados no caldo de cultura dos pântanos infernais. Assim, aumenta a fauna dos desregrados, rebeldes, viciados, tiranos, perversos e inescrupulosos, revelando taras estranhas e cometendo crimes aviltantes! Segundo o Livro da Apocalipse, “Satanás seria solto depois de mil anos, e teria pouco tempo para agir”, pois Satanás, na verdade, é o símbolo da escória espiritual atuando sobre a face do orbe.
Indiscutivelmente, confirmam-se os vaticínios de Jesus, de que no “fim dos tempos” os velhos, os moços e as crianças teriam visões, ouviriam vozes estranhas e profetizariam, isso logo em seguida ao advento do Espírito de Verdade.
O Mestre indicou claramente os tempos atuais, quando predisse os acontecimentos materiais incomuns dos dias de hoje e a eclosão simultânea da mediunidade se generalizando entre os homens, simbolizando o “Consolador” prometido a se derramar pela carne das criaturas.
A mediunidade, portanto, é um recurso de emergência, espécie de “óleo canforado” para erguer a vitalidade espiritual do terrícola e mantê-lo desperto para a severa argüição do Juízo Final.