Intuição
A espécie mais elevada de mediunidade é, sem dúvida, a Intuição Pura; embora não seja um fenômeno atestável espetacularmente no mundo exterior da matéria, é a mais sublime faculdade oriunda de elevada sensibilidade espiritual. A Intuição Pura é, por excelência, a mediunidade natural e definitiva, espécie de percepção panorâmica, que se afina tanto quanto o espírito mais se ajusta nas suas relações e inspirações das esferas mais altas para a matéria.
A Intuição Pura é o recurso ou meio que une a alma encarnada diretamente à Mente Divina que a criou, facultando-lhe transferir para a matéria o verdadeiro sentido e entendimento da vida espiritual superior.
Uma vez que a mediunidade não é, propriamente, uma faculdade característica do organismo carnal, mas o recurso sublime para fluir e difundir-se o esclarecimento espiritual entre os homens, ela tanto mais se refina e se exalta quanto mais o seu portador também se devote ao intercâmbio superior do espírito imortal. A intuição, como ato de perceber as verdades de forma clara, reta e imediata, sem necessidade do raciocínio, é, pois, o estágio mais elevado do espírito; é o corolário de sua escalonada desde o curso primitivo do instinto até a razão angélica.
Enquanto o homem for mais dominado pela razão, também será mais governado pelas forças rígidas do intelecto, escravo do mundo de formas e submetido às leis coercivas da vida física; só a Intuição Pura dá- lhe a percepção interior da realidade cósmica, ou então lhe permite a concepção panorâmica do Universo. A intuição pura é divina lente, ampliando a visão humana para descortinar a sublimidade da vida imortal; na verdade, é a faculdade inconfundível que “religa” a criatura ao seu Criador! A pureza cristalina da Intuição Pura foi o apanágio dos seres de alta estirpe espiritual e que delinearam roteiros de luzes para a humanidade, como o fizeram Krishna, Confúcio, Pitágoras, Buda, Jesus, Francisco de Assis e outros que, em peregrinação pela vida física, conservaram-se permanentemente ligados às esferas sublimes do espírito superior, qual ponte viva a unir o mundo exterior da matéria à intimidade do Espírito Cósmico.
A Intuição Pura é a “voz sem som”, a “voz interior”, a “voz do som espiritual”, que fala na intimidade da alma; é a linguagem misteriosa, mas verdadeira e exata, do próprio Eu Superior guiando o ego lançado na corrente evolutiva das massas planetárias.
| Faculdade | Finalidade / atuação |
|---|---|
| Razão | Auxilia o homem a compreender e avaliar a expressão fenomênica das formas do mundo material. |
| Intuição | Permite ao homem “sentir” todas as leis ocultas e “saber” qual a natureza original do Espírito Criador do Cosmo. |
A mediunidade evolui tanto quanto evolui o psiquismo do homem, pois ela é correlata com o seu progresso e a sua evolução espiritual.
Mas é necessário distinguir que o padrão evolutivo da mediunidade não deve ser aferido pela produção mais ostensiva dos fenômenos incomuns do mundo material. Assim, o médium de fenômenos físicos, embora possa produzir uma fenomenologia espetacular e surpreendente aos sentidos carnais, nem por isso se sobrepõe ao médium altamente intuitivo, fruto de elevado grau espiritual do homem. A Intuição é o ensejo divino de elevação à Consciência Cósmica do seu Autor Eterno!
Enquanto os fenômenos físicos dependem fundamentalmente da maior ou menor cota de ectoplasma produzido pelo médium, a fim de permitir a materialização dos desencarnados no cenário físico, o médium intuitivo e de alto nível espiritual também é capaz de transmitir mensagens que ultrapassam a craveira comum da vida humana. Embora não surpreenda nem satisfaça os sentidos físicos com suas comunicações de caráter puramente espiritual, ele pode traçar roteiros definitivos para o progresso sideral dos homens.
No primeiro caso, a mediunidade de fenômenos físicos se manifesta espetacularmente ao operar no mundo das formas, mas é acontecimento transitório que, embora a muitos convença acerca da realidade espiritual, nem sempre os converte ao reino amoroso do Cristo. No caso da intuição pura e elevada, o ser descortina a realidade crística dos planos superiores, despreocupado de provar se a alma é imortal, pois “sente” em si mesmo que a sua ventura lhe acena além das formas perecíveis do mundo fenomênico da matéria.
A mediunidade de Francisco de Assis era para si mesmo a faculdade divina que o fazia vislumbrar a paisagem do mundo angélico de Jesus, sem necessidade de qualquer demonstração espetacular e fenomênica de materializações, levitações ou voz direta dos desencarnados. Em conseqüência, a mediunidade intuitiva, ou mais propriamente a “mediunidade espiritual”, é faculdade superior a qualquer outra forma de mediunidade que ainda dependa da fenomenologia do mundo terreno e transitório, para então se provar a realidade do espírito imortal.
Embora seja louvável a preocupação dos estudiosos da mediunidade com a maior produção de fenômenos mediúnicos destinados a convencer as criaturas sistematicamente incrédulas, a mais evoluída mediunidade ainda é a Intuição Pura, porque auxilia o homem a relacionar-se diretamente com a fonte real de sua origem divina.
Médium Natural Intuitivo
Um médium culto, sensato e de conduta moral irrepreensível, que exponha os seus pensamentos em alto teor intelectivo e espiritual, embora só transmitindo o que é de si, à conta de manifestação de espíritos, não pode ser classificado como anímico, pois, nesse caso, é criatura que supera a maioria dos médiuns. Se ele é inteligente, de moral superior e sensível à vida espiritual angélica, não deixa de ser um médium intuitivo natural, um feliz inspirado que pode absorver diretamente na Fonte Divina os mais altos conceitos filosóficos da vida imortal e as bases exatas da ascese espiritual.
Ao contrário da criatura exclusivamente anímica, que só oferece um conteúdo pobre e superficial na sua passividade psíquica, o médium intuitivo natural chega a pressentir a própria transformação do futuro, e reconhece com absoluta segurança quais os valores evolutivos da mais alta espiritualidade. Ele domina o fenômeno de sua auscultação espiritual e dirige-o desperto e consciente, em apreciável coerência garantida pela sensatez do seu intelecto superior.
Comunicações de Espíritos Elevados pela Via Intuitiva
Durante a comunicação mediúnica de espíritos superiores, ocorre forte redução vibratória das entidades comunicantes, devido ao seu grande esforço em direção à matéria, a fim de exporem com o melhor êxito possível os fenômenos do mundo oculto. Em face da diversidade vibratória existente entre os planos material e astral, esses espíritos mais elevados atuam no médium, bastante deslocados do elemento fluídico que lhes é natural e familiar, obrigando-se a operar sob as leis mais opressivas do mundo físico.
Aos espíritos há muito desencarnados e afastados da crosta terráquea, tudo lhes parece rude e estranho quando têm de penetrar novamente no seu campo magnético, a fim de poder atuar entre as coisas e os seres do mundo físico. Esse magnetismo denso age de modo nocivo em sua organização perispiritual, que já se encontra mais condicionada às energias livres do astral superior. É como se alguém do mundo físico se afastasse da superfície para viver longo tempo exclusivamente na estratosfera, habituando-se definitivamente ao oxigênio rarefeito, e depois tivesse que retornar ao solo terráqueo, encontrando imensas dificuldades para se adaptar à sua antiga respiração comum.
Dessa forma, ao ter de baixar até o nível da compreensão e percepção do médium que o recepciona, que ainda é um espírito encarnado e de temperamento mais sensível às formas do mundo físico, o desencarnado de certa elevação espiritual, durante o tempo em que opera sobre o medianeiro, distancia-se bastante do comando das leis que regem o campo vibratório sutilíssimo do mundo astral onde normalmente vive, e submete-se docilmente à ação das leis comuns que regem os fenômenos fisioquímicos da Terra.
Transmentação
A transmentação é uma forma especial de mediunidade intuitiva em que se opera uma sobreposição da mente individual do médium pela do espírito comunicante, que fica assim com inteiro domínio físico do médium, pelos comandos dos centros cerebrais e anímicos. Na transmentação o médium não perde sua capacidade ambulatória, nem há inibição de qualquer natureza para o seu corpo físico, e nem é submetido ao sono sonambúlico (transe mediúnico); portanto, não pode se dar nenhuma interferência anímica.
Não há transmissão telepática, que ocorre nas formas de psicofonia consciente e semi-consciente, não há incorporação física com a correspondente exteriorização (desprendimento ou desdobramento) do espírito do médium, como ocorre na forma inconsciente; também não é indispensável a presença do espírito comunicante que, às vezes, atua à distância. Trata-se de uma espécie de incorporação mental, forma de incorporação parcial, também conhecida como “telementação”, durante a qual o espírito comunicante se assenhora da mente do médium, colocando-o em estado de inconsciência ou semiconsciência, e assim exerce domínio, mais ou menos completo, sobre os campos físico e psíquico do médium.
É evidente que essa forma especial de mediunidade exige médiuns dotados de sensibilidade apurada e de perfeito equilíbrio psíquico. O médium transmentativo, estudioso e avesso ao sectarismo, é de espírito idêntico ao dos artistas, músicos ou pintores, cuja função é produzir obras destacadas, de caráter universalista, cuja faculdade se entreabre para todas as expressões da vida, e que por isso, pode dispensar os recursos das concentrações especiais ou das “correntes psíquicas”, como garantia de sucesso em seu intercâmbio com o Alto.
Na psicografia, o médium de transmentação procura sintonizar-se o melhor possível à faixa vibratória dos espíritos comunicantes e obtém do desencarnado as melhores elucidações possíveis às perguntas que redige. No processo de comunicação mediúnica pela transmentação, o desencarnado não fala propriamente ao ouvido físico do médium, mas sim por conjunção mental, escolhendo no arquivo mental deste a terminologia disponível julgada a mais apropriada para a mensagem a transmitir.
É um tipo de mediunidade cujo maior êxito e amplitude depende, essencialmente, de:
- estudo incessante,
- libertação das algemas da ortodoxia religiosa,
- ausência de idéias preconcebidas,
- ausência de prevenção contra esta ou aquela doutrina espiritualista.
Através do contato perispiritual, entretanto, às vezes o espírito comunicante supera a receptividade mental do médium, facilitando-lhe vocábulos e conceitos desconhecidos deste, fazendo com que ele funcione como um receptor e o desencarnado como um transmissor telepático. Embora o fenômeno ocorra entre um espírito desencarnado e outro encarnado, a sua eficiência é igual à obtida por dois exímios telepatas do plano físico.