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Fraternidade Ramatís
Apostila 17 Fenômenos de Efeitos Intelectuais: 1ª Parte Seção 2 de 7 Vidência

Vidência

Não são os olhos carnais que vêem os fenômenos da vida extrafísica, mas, na realidade, é o espírito que vê por dupla vista, razão pela qual os médiuns videntes tanto vêem com os olhos físicos abertos como fechados; assim, conforme explica Allan Kardec, nessas condições até mesmo um cego pode ver os espíritos. Diferentemente do médium vidente pela dupla vista, cuja faculdade mediúnica lhe permite ver diretamente no mundo astral, há o médium vidente intuitivo, que não “vê” propriamente os espíritos, mas apenas lhes recebe as impressões através da mente ou do perispírito, pressentindo-lhes os contornos, as vestes e a fisionomia.

Como o corpo físico e o sistema nervoso são o prolongamento vivo, enfim, o revelador de suas idéias e concepções para o mundo material, o êxito técnico da vidência indireta mental (vidência intuitiva), ou da astralina direta (vidência pela dupla vista), depende principalmente da maior ou menor sensibilidade psíquica da criatura; no entanto, a sua segurança, exatidão e proveito naquilo que “vê”, apesar disso, subordinam-se muitíssimo à graduação moral e espiritual do ser.

Em qualquer manifestação mediúnica, é mais importante verificar-se a índole e a moral do médium, pois, se ele é criatura viciada ou inescrupulosa, também vive ligado aos espíritos descarnados da mesma estirpe inferior, por cujo motivo as suas revelações não possuem o mérito das revelações proveitosas.

Os espíritos das sombras vivem à espreita daqueles que podem oferecer-lhes a oportunidade da “ponte viva” mediúnica, ligando-os novamente com o mundo físico para desfrutarem as sensações torpes de que foram tolhidos pela perda do corpo carnal.

Muitos videntes famosos do passado, dotados da dupla vista focalizável diretamente no mundo astral, não foram espíritos benfeitores e o seu invulgar desenvolvimento mental não se harmonizava com os seus sentimentos inferiores, a serviço do Mal. Um dos exemplos mais convincentes de um médium de vidência astral incomum, mas subvertido quanto aos seus objetivos pessoais, é o caso de Rasputin que, além de possuir outros poderes ocultos extraordinários, visualizava diretamente o mundo astral e se entendia com os gênios das sombras; no entanto, ele aplicava para fins criminosos e inconfessáveis toda a fenomenologia mediúnica de que dispunha, sob o concurso da inspiração do Mal.

Assim, é bem mais seguro o médium de vidência intuitiva que, por sua moral superior e propósitos benfeitores que assumiu, permanece incessantemente ligado às entidades sublimes, pois, embora o faça indiretamente, ele vê somente aquilo que é sensato e proveitoso. É de pouca valia o médium de visão astralina avançada que, por viver na companhia dos espíritos diabólicos, faz relatos funestos, prediz perturbações e deforma a realidade espiritual, transformando sua faculdade em banca de negócio ou motivo de sensações inferiores.

Os espíritos delinqüentes e malfeitores procuram ligar-se aos videntes excepcionais, mas de moral duvidosa, a fim de interferirem em suas faculdade e levá-los ao ridículo, às sandices ou atiçar a intriga e a desconfiança entre os seus companheiros. O seu intuito é o de afastá-los o mais cedo possível dos ambientes moralizados, e assim neutralizar-lhes a vidência esclarecedora, de ajuda, na seara espírita. É por isso que certos videntes, que vivem sob a ação desses espíritos mistificadores, revelam quadros tolos, fatigantes e exóticos, que lançam a dúvida, despertam o riso ou semeiam a confusão entre os circunstantes.

Assim, o médium vidente, intuitivo ou de dupla vista direta, antes de se preocupar com o êxito técnico e o poder descritivo de sua faculdade, deve primeiramente evangelizar-se, a fim de assegurar o teor verídico e o sentido benfeitor daquilo que “vê” ou “sente” no limiar do mundo invisível dos espíritos desencarnados.

Vidência Intuitiva e Ideoplastia

As diferenças comumente existentes entre a verdadeira configuração perispiritual dos desencarnados e as suas descrições mediúnicas resultam, mais propriamente, dos efeitos imprecisos e muito comuns dos fenômenos de ideoplastia. As idéias e os pensamentos produzem ondas e radiações que, por sua vez, devem formar imagens daquilo em que se pensa; no entanto, como as dos desencarnados são configuradas no plano da quarta dimensão (o plano astral), nem sempre se ajustam com exatidão às formas tridimensionais da visão carnal.

Assim, é muito difícil para os encarnados fazer uma imagem perfeita e exata das idéias ou das imagens que os desencarnados projetam do Além sobre a mente dos médiuns intuitivos, videntes ou até dos médiuns desenhistas de psicopictografia (aqueles que pintam retratos recebidos mediunicamente).

Diagrama do mecanismo da vidência mostrando, lado a lado, o duplo etérico, o corpo físico do médium, o corpo astral e uma entidade espiritual.
Mecanismo da vidência e da clarividência: do duplo etérico ao corpo astral do médium, até a captação da entidade espiritual.

Em comparação com a freqüência retardada dos acontecimentos do mundo material, ainda é muito grande o aceleramento ou a fuga vibratória dos fenômenos que se sucedem no mundo astral, do que resulta considerável desajuste no mesmo instante da ocorrência.

No caso da vidência intuitiva, as imagens descritas pelo médium, que não reproduzem fielmente a configuração perispiritual ou a fisionomia do desencarnado, atestando a contradição por vezes existente entre o original-espírito e a cópia “vista” mediunicamente, ressentem-se geralmente de três dificuldades características:

  • às vezes, o médium vidente intuitivo, quando descreve o espírito desencarnado, apenas sente-lhe a vibração à distância e a confunde com a imagem que ele “vê” mentalmente no momento em que atua;

  • noutros casos, as pessoas presentes ao trabalho mediúnico pensam fortemente em determinado espírito de sua simpatia, e o médium então descreve a imagem conforme a figura que ele sente projetada em sua cortina astral, ignorando que se trata unicamente de imagem que foi pensada por um encarnado naquele instante; sem dúvida, a imagem então será tão perfeita ou imperfeita conforme a capacidade e a fidelidade de quem a pensar;

  • finalmente, a maioria dos casos de imperfeição da vidência intuitiva provém mesmo da inabilidade e deficiência técnica do médium, que, por vezes, ainda se junta a uma faculdade incipiente e incapaz de pressentir com proficiência o espírito descarnado.