Psicografia
É a forma de mediunidade de efeitos intelectuais em que o médium escreve sob influência, mais direta ou mais intuitiva, de espíritos descarnados. A mediunidade psicográfica, segundo seu modo de execução, apresenta três variedades bem distintas: a psicografia mecânica (ou escrita automática), a semi-mecânica (ou escrita semi-automática) e a intuitiva.
Psicografia Mecânica
O espírito comunicante só pode transmitir com fidelidade as suas próprias expressões, empregando o estilo que lhe é próprio, se tiver à sua disposição um médium mecânico ou sonambúlico. Em geral, o espírito comunicante senta-se junto ao médium, enlaça-o com o braço esquerdo, e irradia-lhe a luz mental oriunda de sua epífise perispiritual, visando o plexo braquial do médium, pois quanto mais ele puder agir livremente por esse centro nervoso, mais lúcida e nítida também será a sua mensagem espiritual psicografada.
Na psicografia mecânica, os espíritos comunicantes acionam o braço do médium, à altura do seu plexo braquial, e trabalham movendo-o como se ele fosse uma espécie de “caneta viva”, podendo então, escrever sem utilizar como veículo o cérebro do médium. Na psicografia mecânica, portanto, o espírito desencarnado atua diretamente nos centros de forças etéricas (chacras), à altura do plexo braquial do médium mecânico; forma nessa região uma espécie de “cérebro provisório” e passa a comandar esse grupo de gânglios, que se tornam um centro coordenador do braço do médium.
Com esse improvisado centro de comando ganglionar, através do qual passa a dirigir os nervos motores do braço do médium, o espírito comunicante pode então transmitir suas palavras tão exatamente como se estivesse em corpo físico, fluindo os seus pensamentos diretamente para o papel, como se fossem transmitidos com o emprego de uma caneta viva e dócil ao seu manejo. A psicografia mecânica, antigamente conhecida como “escrita automática”, é, portanto, caracterizada pela inconsciência absoluta, por parte do médium, do que sua mão escreve.
Como o espírito do sensitivo também fica afastado do corpo físico, juntamente com o seu perispírito, ele então fica impedido de tomar conhecimento simultâneo da comunicação, em vista desta não passar pelo seu cérebro espiritual. Desse modo, o desencarnado pode escrever com toda naturalidade, usando o seu arquivo pessoal de vocábulos familiares neste caso, apondo à escrita a sua própria assinatura, como a traçava no mundo material. O espírito desencarnado comunicante atua diretamente sobre os plexos nervosos que controlam os movimentos da mão e braço do médium; assim, os movimentos destes independem da vontade do escrevente. Um médium completamente sonambúlico pode até mesmo receber mensagens psicografadas ainda que seja inteiramente analfabeto, o que é muito raro de acontecer.
Psicografia Semi-mecânica
Durante a psicografia semi-mecânica, também conhecida por escrita semi-automática, psicografia semi- intuitiva, ou ainda semi-mecânica intuitiva, o médium vai tendo consciência do que escreve à medida que as palavras vão sendo por ele grafadas. Quando se trata de sensitivo “semi-mecânico”, portanto, é bem reduzida a porcentagem daquilo que os espíritos comunicantes podem transmitir no seu modo peculiar de se expressar, predominando então nas mensagens o estilo do próprio medianeiro.
O médium semi-mecânico, entretanto, além de conseguir transferir para o papel a intensa qualidade do cabedal espiritual do desencarnado comunicante, ainda interpreta com clareza o seu pensamento e, a seu modo, escreve o que o espírito desejaria que ele escrevesse, velozmente, sem vacilações, embora muitíssimo preocupado com a fixação das idéias que lhe são transcritas e que lhe fluem em abundância. Em virtude dos desencarnados poderem acelerar as suas vibrações, pois estão fora de um corpo físico, suas idéias ultrapassam rapidamente a possibilidade de serem totalmente abrangidas pelo médium e fixadas no papel em tempo satisfatório. Então, para poder captar-lhes as idéias imediatamente, e que são produzidas em escala vivíssima para os seus sentidos físicos, a despeito da baixíssima vibração que os desencarnados conseguem graduar no astral, o médium passa a escrever de modo aflitivo e absorto completamente naquilo que faz, utilizando-se de todos os recursos de sua técnica e capacidade redacional, de modo a não desperdiçar o fluxo inspirativo que lhe é transmitido.
Nesse ponto, os médiuns de psicografia semiconsciente intuitiva que dominarem a taquigrafia ou a estenografia obterão mais sucesso, pois empregarão um processo mais rápido para apanhar os pensamentos dos desencarnados, logrando mais êxito e maior apreensão do assunto. Na psicografia intuitiva semi-mecânica, o espírito desencarnado sintoniza-se de tal modo com o médium, numa perfeita seqüência telepática, que os seus escritos resultam como produtos de uma só vontade disciplinada, através de idéias e vocábulos afins.
O médium semi-mecânico executa apenas parte do trabalho mediúnico por sua conta, por ocasião de configurar as idéias do espírito comunicante através da vestimenta dos vocábulos e expressões que lhe são conhecidos na vida terrena. No entanto, assim que ele fica absorto nessa operação e entretido no trabalho, mesmo consciente, o espírito pode situar outra grande parte da comunicação diretamente no seu campo dinâmico mental, e com isso fazê-lo trabalhar sob certo automatismo, dirigido pelo desencarnado.
Posteriormente, o médium descobre essa ação dupla, dele e do espírito, ao verificar que certas frases, orações e soluções filosóficas ou descritivas, que registrou nos seus escritos, não as registraria se isso dependesse de sua exclusiva competência em condições normais. Um bom médium semimecânico é aquele bastante dócil e capacitado para o trabalho conjunto com os desencarnados, e que demonstre acentuada plasticidade psíquica para apreender o assunto de que se deseja tratar, compreendendo-os com rapidez e facilidade, e sabendo colocar-se muito bem na faixa vibratória deles, à medida que vão conseguindo fazê-la baixar até as fronteiras da vida física.
Essa virtude da plasticidade psíquica do médium pode ser entendida como uma maleabilidade psíquica na sintonia com o espírito comunicante, deixando fluir-lhe livremente o curso de seus pensamentos, sem indagações prematuras, que perturbariam bastante o desencarnado na coerência doutrinária e no ajuste lógico das respostas. Muitos médiuns intuitivos ou semi-mecânicos têm o péssimo hábito de opor as suas desconfianças sobre o trabalho no instante exato da recepção mediúnica do Além, o que sempre ofusca a limpidez das comunicações com os desencarnados.
O ideal é que o médium transfira as suas dúvidas ou análises dos trabalhos para depois da recepção psicográfica, sem se deixar tomar de desconfiança frente à inspiração direta do espírito comunicante. Quanto à necessária sintonia entre o médium e o espírito, a entidade que pretende servir-se satisfatoriamente de um instrumento mediúnico capaz de receber mensagens de utilidade comum, necessita de muito tempo de trabalho junto àquele que escolheu como seu medianeiro espiritual.
As tarefas delineadas só se realizam com facilidade e sensatez depois que desaparecem quaisquer dúvidas entre o comunicante e o médium, após ambos se ajustarem como duas vontades estreitamente combinadas para um mesmo serviço em comum, principalmente no caso da mediunidade intuitiva, onde dificilmente se consegue distinguir um espírito comunicante de outro, conforme explicado a seguir.
Psicografia Intuitiva
De forma diversa da psicografia mecânica, em que o espírito comunicante atua sobre a mão do médium, intervindo no correspondente plexo nervoso através do chacra umeral, na psicografia intuitiva o desencarnado atua sobre a alma do médium, que lhe recepciona o pensamento e a seguir o transcreve para o papel, pelos seus próprios meios, recursos vocabulares e estilo redacional. Nesta situação, o médium de psicografia intuitiva escreve voluntariamente e tem plena consciência daquilo que escreve, originado da mente do espírito comunicante, e sabedor de que não grafa seus próprios pensamentos.
É possível ao médium intuitivo reconhecer o pensamento sugerido por outra mente estranha à sua própria, pois, neste caso, nunca é por ele preconcebido, e nasce ou brota em sua mente à medida que a escrita vai sendo traçada; por vezes o pensamento recepcionado é até mesmo contrário à idéia que o médium tem antecipadamente sobre o assunto considerado. Outras vezes, o pensamento que lhe é intuído para ser grafado no papel pode mesmo estar fora dos limites de seus conhecimentos e capacidades, demonstrando que tem origem alheia.
Assim, o médium intuitivo age como o faria um intérprete que, de fato, para transmitir o pensamento alheio, precisa antes compreendê-lo, e dele apropriar-se para, de certo modo, traduzi-lo fielmente com suas próprias palavras e recursos.
O médium intuitivo sabe e sente que o pensamento que está sendo transmitido dessa forma para o papel, não é seu; apenas lhe atravessa a mente. Isso, porque na comunicação mediúnica através de médium intuitivo, o desencarnado só pode atuar-lhe no perispírito, sem intervir diretamente no seu cérebro material.
Isso só poderia ser feito se ele fosse um médium completamente sonambúlico porque, então, sua faculdade permitiria ao desencarnado comunicante agir diretamente sobre o seu sistema cérebro-espinhal, em combinação com o conjunto de gânglios nervosos. O sensitivo de intuição consciente, portanto, não pode exprimir-se ou escrever com a mesma grafia que os “mortos” adotavam quando viviam na matéria; no entanto, a sua mediunidade permite-lhe captar toda a substância das idéias que lha são projetadas na tela de sua mente.
A fim de tornar coerentes os relatos dos desencarnados no Além, o médium de psicografia intuitiva mobiliza, geralmente, todos os seus esforços de memorização espiritual, na tentativa de evocar as lembranças dos seus estágios já vividos no mundo astral, durante os períodos em que se manteve desencarnado nos intervalos de suas encarnações anteriores. Muitas vezes o êxito das comunicações mediúnicas pela via intuitiva depende de prévio preparo do médium durante o sono, quando, à distância do seu corpo físico, pode ser submetido a certo tratamento técnico pelos magnetizadores no Astral, que assim acentuam-lhe a sua receptividade mediúnica e a dinâmica psicográfica. Em noites tranqüilas, o médium desdobrado é levado para junto das principais cenas, e é doutrinado sobre os assuntos que, no dia seguinte, ele deverá psicografar por intermédio dos desencarnados; essas providências muito ajudam a avivar-lhe o conteúdo das comunicações posteriores, e que ele recebe durante a sua saída em corpo astral.
Aliás, essas dificuldades estão previstas por todos os espíritos conscientes de suas tarefas junto aos encarnados no serviço de esclarecimento fraterno, e que precisam servir-se de médiuns intuitivos ou semi- mecânicos, cuja vontade eles não pretendem violentar. Embora existam múltiplas faculdades mediúnicas, que se agrupam sob a denominação de intuitivas, mecânicas, sonambúlicas, incorporativas, videntes, de fenômenos físicos ou terapêuticos, em que umas são mais nítidas e favoráveis, outras mais intelectivas e objetivas, o certo é que mesmo assim os desencarnados não “falam” nem “escrevem” por intermédio de simples autômatos de carne!
Os médiuns são organizações vivas e senhores de sua memória, estruturada nos milênios findos, cujas concepções particulares variam tanto sobre o plano físico quanto a respeito do mundo invisível.
Em suas almas sempre se impõe um certo atavismo intelectual, habilito filosófico ou cristalização psicológica do passado que, embora os distinga particularmente entre os demais seres, é bagagem que os obriga a encarar os assuntos “novos” sob os “velhos” modelos que lhes têm sido tão familiares.
Esse condicionamento pregresso dos médiuns transforma-se então em forte barreira, difícil de ser removida pelos espíritos comunicantes. Só os espíritos persistentes e estóicos, após cuidadoso trabalho de adaptação, por longo tempo junto aos seus medianeiros, é que realmente logram o sucesso desejado. No caso da psicografia intuitiva, o médium materializa os pensamentos do espírito comunicante por meios dos sinais gráficos da escrita à medida que é inspirado, e procura relacioná-los com as imagens e conhecimentos já armazenados em seu subconsciente durante as vezes em que se manteve fora do corpo físico.
Aquilo que lhe é ditado mentalmente, ele escreve como se viesse buscar o assunto no limiar dos dois mundos, para depois lhes dar o retoque e o ajuste necessários à compreensão na linguagem humana. Eis o motivo por que a maioria dos médiuns não consegue fazer uma descrição exata do plano espiritual, de conformidade com o que lhes é ditado pelos espíritos desencarnados. Como os espíritos no astral não contam com cérebro físico, só podem atuar no perispírito do médium, porém sem intervir diretamente no seu cérebro material.
Em conseqüência, o médium se vê obrigado a recepcionar apenas parte da realidade espiritual do Além, pois, por viver num mundo da terceira dimensão, lhe é muito difícil compreender com absoluta clareza os fenômenos e as manifestações que se processam do “lado de lá”, cujo plano é regido por dimensões sem apoio entendível na física humana; acresce, ainda, que os estados vibratórios vividos pelos desencarnados superam qualquer concepção dinâmica de velocidade concebida pelos terrícolas.
Cabe ao médium, portanto, compensar depois a outra parte com as sugestões e as imagens terrenas que lhe são conhecidas, ajustando-as de modo comparativo ao que pressupõe ser a fenomenologia astral.
O médium de psicografia intuitiva “sente” em sua própria intimidade perispiritual os assuntos que lhe estão sendo comunicados; depois os reúne, à força de sua inspiração intelectual, e coordena a exposição escrita, para o mundo exterior.
Certas vezes, o médium intuitivo não consegue ajustar em tempo os vocábulos exatos para exprimir corretamente o pensamento do espírito comunicante e identificar com precisão algumas das idéias que lhe são projetadas no cérebro perispiritual; então, ele se socorre celeremente do vocabulário que tiver mais visível à tona de sua mente, embora essa interpretação provisória ainda não esclareça fielmente o que escreve.
Se, no momento da recepção da comunicação, ele demorar em rebuscar palavras ou termos que definam com absoluta exatidão aquilo que recepciona dos desencarnados, poderá interromper o fluxo da inspiração sobre si e perder o tema essencial da mensagem em foco. Mais tarde, revendo o trabalho psicografado, novamente sob a inspiração do Alto, o médium é então intuído para substituir palavras ou mesmo frases que possa ter grafado sem guardar a fidelidade da idéia que lhe foi transmitida do Espaço.
Quanto mais ele revir e corrigir o fruto da colaboração mútua com o autor espiritual, também há de se aproximar mais fielmente do conteúdo exato daquilo que se desejou transmitir por seu intermédio. O médium intuitivo, portanto, sabe o que está escrevendo e percebe o assunto daquilo que lhe é ditado pelos desencarnados, pois ele é consciente do que está fazendo; apenas para não se equivocar, fica geralmente com imensa preocupação em escrever tudo aquilo que lhe é comunicado.
Desse modo, fica algo abstraído, tornando-se, por vezes, um verdadeiro e eficiente prolongamento vivo do espírito comunicante.
O sensitivo de psicografia intuitiva sabe perfeitamente o que está escrevendo, e tudo aquilo que já escreveu fica-lhe retido mais ou menos no seu subconsciente, mas não tem noção exata do que está por vir, porque isso ainda está a palpitar na mente do espírito comunicante.
Devido a isso, ele geralmente escreve sob a ação de duas fortes preocupações: não deseja perder a lógica do pensamento que lhe está sendo exposto, ao mesmo tempo em que receia lhe faltar a coerência no ditado.
Por isso, tão logo pode ler tudo o que foi recepcionado pela escrita, desconfia geralmente de que se trata de uma composição de sua exclusiva autoria; porém logo se toma de surpresa ao verificar que não cogitava de tal assunto ou tese, não pretendia tal resposta, nem poderia empregar certas palavras tão bem ajustadas em algumas passagens ou fraseados, que não saberia compor com tanta fluência quando em completo estado de vigília. Nesse caso, embora o conteúdo da escrita pareça ser produto do pensamento do próprio médium de psicografia intuitiva e, muitas vezes, estar associado ao de obras das quais já tomou conhecimento anteriormente, vê-se obrigado a reconhecer que há uma qualidade e uma doutrinação inerente ao seu trabalho, subjetivas, disciplinadas e que ignorava, formando o elo de todos os escritos inspirados pelo espírito.
O médium exclusivamente intuitivo geralmente escreve com lentidão, demorando-se em compor as frases e vacilando na exposição das idéias, embora possa seguir um raciocínio disciplinado pela sua própria mente. Quando o espírito desencarnado comunicante se aproxima do sensitivo, este não sente a sua presença de um modo material, nem a registra pelos seus sentidos físicos do tato, do olfato ou da visão; na verdade, realiza-se um contato espiritual interior, nada mecânico, e diferente de choques vibratórios exteriores.
No momento em que está transmitindo ao médium os seus pensamentos, dirigindo-se ao seu espírito, a escrita psicográfica é comandada pelo próprio espírito deste, através de uma aguçada percepção psíquica, após perceber-lhe os pensamentos. Não é o desencarnado que movimenta as mãos e braços do médium na ação da escrita ou da datilografia; quem realmente escreve é o próprio médium, que lhe recebe o pensamento através do seu próprio perispírito e, em seguida, transfere para o seu cérebro físico, vestindo então as idéias que lhe foram transmitidas com os vocábulos que lhe forem mais familiares.
O médium de psicografia intuitiva compõe com os seus próprios recursos vocabulares o texto que lhe foi passado mentalmente, expressão do conjunto de pensamentos do espírito comunicante.
Portanto, o médium intuitivo, ao receber os pensamentos do Além, precisa transmiti-los aos encarnados com seu próprio vocabulário familiar, pois os recebe através de seu espírito, e é este que deve dar-lhes redação, cuja clareza, lógica e sensatez dependerão da sua capacidade receptiva e a da sua facilidade de escrever.
Quanto maior for o cabedal de conhecimentos do médium intuitivo, e o seu desembaraço no falar ou no escrever, tanto maior será a fidelidade das comunicações que vier a receber dos espíritos.
À medida que o sensitivo amplia o seu arquivo de conhecimentos e também o seu vocabulário, os desencarnados podem transmitir por seu intermédio as mensagens de modo mais claro e minucioso, tratando de coisas mais importantes e fazendo-se melhor compreendidos.
Assim, pela via intuitiva, os espíritos não lograrão êxito na transmissão de suas mensagens utilizando-se de um médium inculto. O êxito das comunicações intuitivas de importância depende, pois, de procederem de um espírito com conhecimentos seguros e que possa se ajustar a um médium de intelecto desenvolvido e de sentimentos elevados. O médium intuitivo, embora escreva ou fale sob a ação dos espíritos desencarnados, dificilmente identifica-lhes a natureza espiritual, porque é atuado de modo essencialmente inspirativo.
Embora seja dificílimo distinguir os espíritos comunicantes através do seu estilo propriamente dito, o médium intuitivo estudioso e sensato pode distinguir algo do seu caráter, temperamento ou condicionamento psicológico; há sempre um tom espiritual que particulariza a individualidade dos desencarnados. Para que o médium possa passar a distinguir, embora de leve, a identidade de cada espírito que por ele se comunica pela via intuitiva, deve buscar manter-se em estreita ligação psíquica com o comunicante e absorver-lhe, pouco a pouco, o estilo e a índole psicológica.
O médium intuitivo requer treinamento por longo tempo, sob assídua assistência do espírito comunicante, até que possa assenhorar-se de alguns traços de sua personalidade humana, sua contextura psicológica, o seu modo de pensar e de chegar a conclusões, de modo que o desencarnado possa transpor a sua própria personalidade ao sensitivo, e estereotipar nele, com nitidez, o seu tipo espiritual exato. Esse é um dos motivos pelos quais a maioria dos médiuns intuitivos não oferece distinções de identidade nos seus ensinos mediúnicos, que se tornam, então, muito semelhantes entre si, embora se multiplique a variedade de assinaturas dos comunicantes.
Na verdade não há muito proveito no médium intuitivo que escreve, de modo ininterrupto, sobre um mesmo assunto e num estilo único, incontável número de mensagens, com centenas de assinaturas diferentes, atribuídas a vários espíritos desencarnados, que certamente variam grandemente em psiquismo e inteligência quando, deixados de lado esses nomes tão diferentes, o conteúdo e o estilo são idênticos entre si e só refletem a personalidade do próprio médium. No entanto, se justifica individualizar qualquer comunicante, por meio de algum indício de sua maneira peculiar de pensar e sentir, quando nessa ocasião se realizar profícua aproximação de nobre entidade espiritual, que se sentiu atraída pela afinidade moral, sentimento e inteligência do médium.
Mas acontece que pode se tratar apenas de um mesmo espírito comunicante, por cujo motivo convém que o sensitivo mantenha uma só identidade em suas recepções, até que possa distinguir perfeitamente a individualidade do comunicante. A mediunidade intuitiva não permite ao sensitivo copiar perfeitamente os estilos pessoais dos comunicantes, mas ele tem a facilidade de vestir-lhes as idéias com os trajes do seu próprio conhecimento vocabular e recursos intelectuais.
Com o tempo, o médium intuitivo termina “sentindo” a natureza familiar da cada comunicante e, automaticamente, passa a lhe fixar o estilo, o temperamento e diversas nuances psicológicas. Um médium intuitivo que se ponha a receber dezenas de comunicações de espíritos, sem o devido treino para notar as suas diferenças de cunho moral ou intelectual, poderá gerar grande confusão, não conseguindo distinguir jamais uns dos outros, devido à delicadeza e a característica de sua faculdade mediúnica, onde reproduz o que sente ou aquilo que o inspira, mas o faz por meio de seus próprios recursos.
Na faculdade mediúnica intuitiva, o sensitivo tem plena consciência das idéias que o desencarnado lhe transmite, e em virtude de uma perfeita e recíproca sintonia ou afinidade entre ambos, ele redige as mensagens com presteza e fidelidade, podendo mesmo interromper a comunicação durante alguns momentos e atender a outros serviços ou obrigações mundanas, e depois retornar a psicografia, sem que isto afete os resultados da sua tarefa mediúnica. Porém o vocabulário de que se vale é quase sempre de seu conhecimento, pois sendo médium intuitivo, mas consciente, ele não pode empregar termos que desconhece.
Por vezes o médium intuitivo incorre em deficiências e se julga autor das idéias e dos pensamentos que registra no papel, descrendo, assim, de terem sido inspirados por espíritos desencarnados; noutros casos, ele se crê um plagiário, por associar assuntos de obras alheias que já leu; e quando tal acontece, muitas vezes ele se sente amargurado ao recordar-se onde “ouviu” ou “leu” aquilo que lhe foi ditado mediunicamente pela via intuitiva. Porém, geralmente o médium, ao examinar mais tarde o que escreveu sob intuição do Alto, verifica haver tratado de assuntos que lhe eram desconhecidos e ter aduzido conclusões até mesmo opostas à sua opinião pessoal!
Em certos casos, o médium intuitivo consciente, reconhecidamente incapaz de discernir e redigir dissertações a respeito de certos problemas bastante complexos, acaba por transmitir com sucesso mensagens de cunho elevado, que retratam um estilo, conhecimento e concepções muito além de sua capacidade e cultura; tal resultado é fruto de disciplina, estudo, devotamento e trabalho incessantes por parte do próprio médium. Durante o contato perispiritual, a boa receptividade mental do médium intuitivo consciente, sintonizando- se à freqüência vibratória do espírito comunicante, faz com que o seu trabalho psicográfico deslize com firmeza, sem opor-lhe qualquer resistência.
Sua absoluta confiança nas respostas que lhe são transmitidas também contribui para a perfeição da comunicação. O bom psicógrafo intuitivo escreve de acordo com a sua grafia comum e veste os pensamentos do descarnado comunicante com o vocabulário de seu conhecimento, sem, entretanto, trair-lhe a idéia.
O médium intuitivo é algo semelhante a um vidro colorido, que dá a sua própria cor à luz que transmite! Tal qual o pintor experiente e devotado, o médium intuitivo usa das “tintas” do mundo material para produzir os quadros que lhe são projetados em sua mente perispiritual.
Muitos médiuns de bom quilate espiritual estiolam suas faculdades pelo temor de serem mistificados, ou recuam diante do serviço, muito antes de alcançarem o domínio completo da sua capacidade mediúnica.
Entretanto, o caminho seguro para o médium intuitivo desenvolver essa faculdade é a perseverança, o estudo e o anseio de querer ser útil na evangelização da humanidade! Aguardar o “milagre” da perfeição mediúnica, obtendo-a “a jato”, não é possível, pois a subida dos degraus da evolução exige esforços próprios.
A Interferência Anímica nas Comunicações por Psicografia Intuitiva
Uma vez que o médium intuitivo deve vestir com os seus próprios vocábulos e recursos intelectuais o pensamento do espírito comunicante, pode acontecer que ele componha certas respostas valendo-se da lembrança de frases ou conceitos de outros autores, dando-os como sendo de autoria do espírito, principalmente de for dotado de excelente memória e puder associar ao que o espírito comunica, aquilo que já leu anteriormente.
A literatura espírita comprova a existência desse tipo de acontecimento, levada à conta de animismo, por ser fruto de associação de idéias ou da chamada “memória fotográfica”, muito desenvolvida em alguns sensitivos. Muitas vezes, na ansiedade de registrar com exatidão e fidelidade aquilo que o espírito comunica, o médium intuitivo se aflige entre a necessidade de auscultar o plano astralino e a de efetuar o registro das idéias no papel, mantendo-se em transe no limiar dos dois planos; nesse momento, pode intervir o automatismo de sua bagagem mental, fazendo-o compor trechos com matéria de outra lavra, a fim de melhor materializar o pensamento do espírito comunicante.
Os desencarnados de certa estirpe sideral fazem o possível para evitar no sensitivo esse fenômeno, algo desabonador para os medianeiros intuitivos. No entanto, sua existência no astral não os permite estar a par de toda a literatura do orbe material, a ponto de poderem identificar de pronto frases, conceitos ou textos assemelhados a outros já conhecidos, trabalho esse que poderia ser mais bem executado pelo próprio médium, ao rever o que escreveu. Quando se trata da transmissão intuitiva de comunicação ou obra de assuntos muito variados e heterogêneos, por vezes complicadas, que lançam o medianeiro intuitivo num estado de preocupação aflitiva, então esse fenômeno de emersão da memória fotográfica, muito sensível, se reproduz de forma mais freqüente, podendo atrair para si a pecha de plagiador ou copista de outros trabalhos.
Bloqueios Impostos pelo Médium nas Comunicações por Psicografia Intuitiva
Como o médium intuitivo não consegue identificar com absoluta certeza o fenômeno insólito de que participa com os espíritos desencarnados, em quase estado de vigília, é razoável que algumas vezes restrinja a influência comunicativa do Alto, supondo que se trata de sua própria intervenção anímica. Por vezes, ele nutre desconfiança sobre o relato dos desencarnados, supondo-o fruto de sua própria elucubração mental.
Já os espíritos comunicantes, ao ditarem suas mensagens, também precisam transpor cuidadosamente a barreira firmada pela prevenção psicológica do médium, e os demais condicionamentos naturais de sua existência humana. Assim que o assunto em foco transcende os seus conhecimentos, ele opõe ao espírito comunicante uma maior resistência mediúnica, porque ainda desconhece o que lhe está sendo intuído.