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Fraternidade Ramatís
Apostila 14 Animismo e Mistificação Seção 2 de 5 O Médium Anímico-puro ou Pseudomédium

O Médium Anímico-puro ou Pseudomédium

É um pseudomédium, que não participa de fenômenos psíquicos, mas apenas os imagina, dominado pela auto-sugestão, histeria, automatismo psicológico ou fantasia da mente deseducada; isto é, ele mesmo é o autor exclusivo da comunicação, que atribui a um espírito desencarnado. Ele sugestiona-se para o transe anímico já no ingresso à atmosfera tradicional do ambiente espiritista e o seu subconsciente excita-se a meia-luz, pela abertura dos trabalhados, sob a leitura do Evangelho ou dos temas mediúnicos.

As instruções do doutrinador, o convite para os médiuns se concentrarem e receberem o guia ou os sofredores, tudo isso funciona à guisa de um clima catalisador, que aciona inadvertidamente a maquinaria psíquica da criatura ansiosa por ser médium e desafogar seus dramas e angústias íntimas, que erroneamente a fizeram crer como sendo fruto da influência de espíritos sofredores.

Além das condições que aceleram a mente do médium anímico, ele pode dar largas à sua imaginação desenfreada, até pela presença de algum espírito desencarnado, às vezes seu comparsa do passado, que por isso também se ligou às próprias aflições morais e dores que o dominam durante o transe mediúnico.

A aproximação dos espíritos junto aos seres encarnados assinala-se por várias formas de pressentimento, modificação do campo magnético ou sensações psíquicas estranhas, que também podem se enlear facilmente com outros fenômenos próprios da vida física, confundindo-se a criatura anímica com o médium.

É muito difícil distinguir se um espírito está se comunicando ou se é o médium que se põe a interferir animicamente, pois no entrosamento entre ambos se processa acentuada oscilação vibratória, espécie de “focalização” e “desfocalização” alternadas, o que só é passível de controle ou observação segura pelos espíritos desencarnados e competentes.

Entretanto o médium totalmente anímico pode se tornar um médium de comunicação dos espíritos desencarnados, porque o animismo, como manifestação da alma do ser, também é sensibilidade psíquica, que é o meio para a comunicação dos espíritos desencarnados.

O médium anímico tende à eclosão do fenômeno mediúnico, em face de sua hipersensibilização psíquica, cumprindo-lhe estudar e procurar distinguir quando realmente é o seu espírito quem comunica e quando se trata de entidade do Além.

Além disso, ele precisa evitar a cristalização da mente nos quadros familiares que costumava comunicar animicamente, e isso só é possível pelo estudo, pesquisa e consulta aos mais experimentados.

O médium totalmente anímico é sempre a vítima passiva do seu próprio espírito, que pensa e expõe sua mensagem particular sem qualquer interferência exterior; já o médium propriamente dito, mesmo quando obsediado, ainda é um medianeiro, um instrumento das intenções ou dos desejos de outrem.

O médium totalmente anímico pode enquadrar-se em duas classificações:

CategoriaCaracterística
Anímico passivoÉ vítima absoluta de suas próprias idéias e impressões.
Anímico ativoCapaz de perquirir os acontecimentos e os fenômenos da vida oculta, para depois expô-los em nome de terceiros.

Entre os fatores mais responsáveis pela cristalização do “animismo puro” de alguns médiuns, que só transmitem mensagens sugeridas pelos acontecimentos da vida cotidiana, está o automatismo psicológico, em particular, um dos estados de alma bastante influente nas manifestações anímicas, em que o subconsciente comanda as idéias ou os fatos que afloram ao cérebro do médium, impondo-os à conta de manifestação de espíritos do Além.

Em tal condição, o médium assume a personalidade alheia e passa a viver facilmente o temperamento, os sentimentos ou o caráter das criaturas que ele conheceu pessoalmente ou pelos relatos históricos, deixando-se empolgar pelo desejo de imitá-los.

Alguns médiuns, embora não sejam completamente anímicos, deixam-se empolgar em demasia, por exemplo, pela vida dos apóstolos ou dos seguidores do Mestre Jesus, vivendo impressões íntimas que, mais tarde, passam a comunicar à guisa de manifestações mediúnicas daqueles que tanto admiram.

Os grandes líderes, profetas, santos, escritores, artistas, governadores, ministros e demais personalidades que se destacam no cenário do mundo material, exercem profunda impressão nos médiuns muito anímicos, fazendo-os rotular os seus próprios guias com esses nomes tão em evidência na história religiosa ou literatura profana.

Outros, devido à sua excessiva imaginação, muito ativada na sua mocidade quando se deixavam arrebatar pelos romances de aventuras decalcados da história, vivem no transe mediúnico essas impressões excitantes e que se sobrepõem, às vezes, à identidade e ao assunto dos espíritos comunicantes.

O automatismo psicológico, ou personalismo, que domina profundamente a subconsciência do ser, estratifica com o tempo as imagens mais simpáticas e que produziram maior impressão nas criaturas sugestionáveis, fazendo-as emergir por associação de idéias ou devido ao clima psíquico adequado.

Então o médium anímico, muito indisciplinado em suas emoções e entontecido pelo excesso de fantasia motivado pelas imagens que bailam na sua mente descontrolada, não tarda em transferir para o ambiente espírítico as personalidades que mais o impressionam na existência, dando-lhes vida triste, heróica ou desafortunada.

Através de supostas comunicações mediúnicas do Além, os personagens exaltados nos romances aventurescos e de fundo histórico, ou grandes vultos da ciência, ainda continuam a se manifestar com insistência em certos trabalhos mediúnicos, impondo as mesmas características que há séculos deveriam ter possuído em vida.

Assim, aqueles que a história romanceada os descreveu heróicos, benfazejos ou desprendidos, “baixam” nas sessões espíritas a cumprir missões elevadas e que condizem perfeitamente com o seu caráter e temperamento tradicionais. Já os que a pena do escritor os retratou tiranos, cruéis, falsos, maquiavélicos ou cúpidos, também se apresentam nas sessões espíritas corroídos pelo remorso ou pelas dores, ou então jurando vingança e prorrompendo em ameaças contra os que pretendem doutriná-los.

Os vultos trágicos de revoluções, guerras e episódios históricos já foram doutrinados dezenas de vezes, pois determinado número de médiuns ainda não conseguiu libertar-se completamente da fascinação exercida na sua mente pelas leituras românticas e históricas, cujos personagens excitam-lhes a memória e interferem animicamente nas comunicações dos espíritos, impondo-se, por vezes, com foros de profunda realidade.

Embora esses médiuns muito anímicos sejam vítimas de sua própria exaltação psíquica, agindo sem má intenção, é óbvio que nem todas as comunicações em nome desses personagens históricos são apócrifas, pois alguns espíritos, que a história destacou pela sua turbulência, crueldade ou maquiavelismo, ainda curtem o remorso de suas aventuras ignóbeis ou dos crimes exercidos, comparecendo eventualmente a certos trabalhos espíritas sem qualquer modificação espiritual.

Entretanto convém advertir quanto aos prejuízos da imaginação indisciplinada dos médiuns anímicos, que revivem nas sessões mediúnicas a figura de certos personagens históricos e aventureiros, cuja índole e temperamento, quase sempre são apenas a suposição daquilo que os autores, que os descreveram em seus romances, imaginaram terem eles sido na realidade.