A Visão Monista da Realidade Divina
O Universo é uma entidade que abrange e incorpora tudo o que é possível da criatura conceber por existente. A ordem e a sabedoria que presidem os fenômenos da Vida no Cosmo comprovam a existência de uma só Vontade criando e governando o Cosmo. Em Deus está toda a sabedoria, a justiça, o amor e a realização, pois sendo a Unidade, Dele mesmo se derivam todos os processos que estabelecem os fenômenos do Universo. Monismo é a concepção da existência de que tudo o que existe resulta de uma única Fonte!
A conceituação monista desvincula a Divindade de um aspecto antropomórfico, indicando a convergência da vida, em todas as latitudes cósmicas, para um princípio único ou central do Universo, em que Deus é a sua Unidade Autêntica e Infinita, é o fundamento orgânico e ao mesmo tempo a função dinâmica do Cosmo! Deus, a Inteligência Cósmica Incriada e Indestrutível é Uno, o Universo é monista; todas as energias se reduzem e convergem para um só comando e fenômeno em movimento!
Em contraposição ao monismo, que assevera que tudo o que existe provém de uma única origem, e que Deus está inserido em toda a Sua criação, pois ambos constituem uma única realidade, encontra-se o dualismo, que, de outro lado, prega que a essência da realidade divina é imperscrutável e de natureza desconhecida, distinta de tudo o que existe no Universo físico observável, que pode ser resumido no binômio matéria-energia. O Universo é UNO: Criador e criatura constituem uma única e inseparável realidade.
| Concepção teísta — Monismo | Concepção deísta — Dualismo |
|---|---|
| O Universo é uno: o Uno está nas partes e as partes integradas no Uno. (Deus = espírito + matéria + energia) | O Universo é dual: o espírito, de origem divina, tem natureza totalmente diversa de tudo o que existe na realidade física. (Universo físico = matéria + energia / Deus = essência espiritual distinta) |
A aceitação do princípio de que Deus é a Inteligência Suprema e a Causa Primária de todas as coisas implica em considerar, sem dúvida, que o Universo é monista, pois Inteligência Suprema é sinônimo de “Suprema Lei”, que incide na existência de um só Deus e na idéia de um Princípio Único, Eterno e Infinito, que anima, disciplina, movimenta e procria todo o Cosmo.
O Cosmo é tão somente o invólucro exterior e transitório da Divindade Absoluta, diminuta fração do princípio original e único que lhe vitaliza a intimidade imodificável. Afora do monismo, ter-se-ia de aceitar a existência de mais de uma Vontade com poderes de criar e comandar o Universo, ou aceitar a concepção de um Acaso inteligente criador, o que implicaria na ocorrência de conflitos, desarmonia e choques no metabolismo cósmico em decorrência da possível diferença de capacidade, objetos ou competições por parte das várias mentes atuantes, ou então dos acidentes fortuitos, o que, na prática, não se verifica em absoluto no Cosmo observável.
É inegável e ponto definitivo que o princípio é um só, uma só origem e uma só vontade central criadora de todo o Cosmo; a Realidade Monista divina é indissolúvel! Deus é a única e imodificável essência e a substância da qual os homens descendem como fagulhas, centelhas ou partículas espirituais divinas. Depois de criadas no seio da Divindade, as mônadas ou centelhas divinas são lançadas em peregrinação pelas formas educativas dos orbes físicos, no processo incessante de organizar sua própria consciência individual e adquirir a noção de existir como entidade à parte, mas vinculadas intimamente ao próprio Todo, ou seja, como Espírito Imortal.
Deste estágio em diante, passam então a ampliar essa consciência espiritual numa esfericidade sem limites, até abranger os fenômenos macro e microcósmicos da Vida. O espírito do homem, como herdeiro dos atributos divinos, é único e indestrutível, pré-existe à materialização ou gestação de um corpo físico na face dos mundos planetários, e sobrevive incólume ao desgaste e ao desfazimento de seu organismo provisório carnal. Por isso se afirma que “Deus está no homem”, que “o homem foi feito à imagem de Deus”, ou que “o Pai e o Filho são um”.
Com o decorrer do tempo, os espiritualistas adquirirão uma nova concepção de Deus, muito além de uma “Inteligência Infinita”, concepção mais adequada ao processo incessante da criatura humana. O excessivo apego aos ídolos e a formulas religiosas do mundo terminam por cristalizar a crença humana sob a algema dos dogmas impermeáveis a raciocínios novos, para não chocar o sentimentalismo da tradição. As criaturas que estratificam no subconsciente uma crença religiosa, simpática, cômoda ou tradicional, terão de sofrer quando, sob o impulso imperativo do pregresso espiritual, tiverem de substituir sua devoção primitiva e saudosista por outras revelações mais avançadas sobre a Divindade.
Krishnamurti, numa concepção puramente monista, carregando toda a responsabilidade divina sobre os ombros do próprio homem, em exposição rasante e demolidora da velha idéia deísta (dualista), malgrado sua aparência herética, centrada no “pensar reto” e no “autoconhecimento”, afirma: “É preciso o homem ‘matar’ o velho Deus, limpar a mente das quinquilharias do passado, a fim de evitar a exploração religiosa de outros homens tolos, e encontrar a Divindade no microcosmo de sua própria alma!”
Essa afirmativa, em relação à busca de uma nova realidade divina, pode ser ilustrada considerando que “assim como um aposento só pode receber mobília nova depois de convenientemente desimpedido da mobília velha, a mente do homem também precisa arejar-se dos seus condicionamentos religiosos anacrônicos, para então assimilar os novos conceitos autênticos da espiritualidade!”