A Mediunidade de Prova
Os Mentores Siderais, apiedados dos espíritos demasiadamente onerados em seu fardo cármico para o futuro, lhes oferecem no Espaço oportunidade de reajuste mais breve para alcançarem a ventura mais cedo.
O médium de prova renasce na matéria já comprometido com a obrigação de um trabalho constante a favor da idéia da imortalidade da alma, inclusive o dever de melhorar a sua própria graduação espiritual.
Através de processos magnéticos especiais, os técnicos do Astral hipersensibilizam o perispírito daqueles que precisam encarnar com a obrigação de trabalhar, pelo serviço da mediunidade, a favor do próximo, e também empreender a sua própria recuperação espiritual.
No Além existem departamentos técnicos especializados, que ajudam os espíritos a acelerar determinados centros energéticos e vitais (chacras) do seu perispírito, despertando-lhes provisoriamente a sensibilidade psíquica para a maior receptividade dos fenômenos do mundo oculto, enquanto se encontram encarnados.
Assim, sua mediunidade é faculdade transitória, concedida a título de “empréstimo” pelo Alto; no entanto, ela é faca de dois gumes, pois exige severa postura moral no mundo, porque tanto situa o seu portador em contato com os espíritos benfeitores, como também o coloca facilmente na faixa vibratória sombria das entidades do astral inferior.
Embora a faculdade mediúnica pareça a alguns um privilégio extemporâneo, contrariando o conceito de Justiça e Sabedoria Divinas, essa “concessão” prematura ao espírito faltoso implica justamente em sua maior responsabilidade e laborioso trabalho espiritual. A graça “fora de tempo” do mandato mediúnico de prova, portanto, não exime a alma de preocupações e dos obstáculos futuros de sua evolução espiritual; constitui somente o “empréstimo” que lhe permite ressarcir-se de suas tolices e insânias cometidas no passado, compensando o tempo perdido com um serviço extraordinário.
Malgrado a mediunidade fenomênica impressione profundamente os sentidos físicos dos encarnados, na profundidade da estrutura espiritual do médium de “prova” quase sempre ainda não se consideram o caráter moral superior, a renúncia angélica, o desapego às ilusões da vida física, ou a capacidade heróica para o cumprimento do mandato redentor.
2.1 Médium de Prova
O médium de prova é o homem diretamente comprometido com a Direção Espiritual do planeta para realizar um serviço definido junto à humanidade, e também em favor de sua própria renovação moral superior.
O médium de prova é apenas o instrumento convocado para o serviço compulsório de favorecimento ao próximo ou o transmissor da realidade imortal; mas acima de tudo é o devedor interessado em reduzir o seu débito cármico para com o planeta que o serviu desinteressadamente.
Visto não poder eximir-se de sua obrigação pré-encarnatória, que assumiu no Espaço, o médium de prova deve apurar o seu caráter, controlar suas emoções e aprimorar o seu intelecto no contato incessante com os valores preciosos da espiritualidade.
Em conseqüência, não é de muita importância a preocupação de se distinguir os médiuns comprometidos particularmente com espíritos sublimes, destinados a exercer trabalhos incomuns do mundo físico e que se ligam a severos compromissos com o Alto, daqueles que só resgatam o seu fardo cármico no serviço mediúnico.
Mesmo reconhecendo que os médiuns, em geral, oferecem tão diversas condições morais e variam tanto em sua capacidade intelectual, o mais certo e proveitoso é que todos os médiuns cultuem dignamente a vida humana e renunciem em definitivo às ilusões do mundo, protegendo-se assim contra as perfídias do astral inferior e credenciando-se eletivamente para cumprir na íntegra qualquer mandato sob o comando das falanges angélicas!
Ainda quanto à distinção existente entre os homens que são médiuns necessitados do desenvolvimento mediúnico junto à mesa espírita e aqueles que, embora médiuns, como são todos os homens, podem dispensar tal desenvolvimento, deve-se considerar que os “médiuns oficiais” na Terra são justamente os que reencarnam comprometidos com serviços obrigatórios na seara espiritista.
Estes requerem um desempenho incessante de sua atividade incomum, porquanto necessitam com maior urgência compensar os prejuízos causados a outrem e também acelerar a sua própria recuperação espiritual. Destacando-se dos demais homens, pois gozam de faculdade mediúnica mais acentuada, relacionam-se mais direta e rapidamente com os desencarnados.
Conforme seus pensamentos, sua conduta e objetivos na vida, sem dúvida atraem os espíritos da freqüência vibratória sideral que, de conformidade com sua contextura espiritual, passam a influenciar para o bem ou para o mal as pessoas com as quais entram em contato.
Mas, justamente porque são raros os médiuns missionários ou de Intuição Pura, também são poucos aqueles que alcançam o auge abençoado do serviço mediúnico sem a preliminar do desenvolvimento torturado.
Há médiuns nos quais eclodem ainda os resíduos das velhas paixões que já os conturbaram no passado; os seus pensamentos, palavras e sentimentos são alvo de ataque dos desencarnados, que tudo fazem para impedir o êxito do serviço mediúnico na seara espírita.
Eles tentam fazê-los buscar o desenvolvimento de sua mediunidade à parte de qualquer disciplina ou proteção doutrinária; exploram-lhes o amor próprio e a vaidade, afastando-os dos ambientes onde criaturas experimentadas poderiam ajudá-los na imunização contra o astral inferior.
É a fase torturada e contraditória, eivada de dúvidas e de esperanças, quando o homem sente o despertar de sua faculdade mediúnica, mas infelizmente ainda não possui a força moral, a mente desenvolvida e os sentimentos equilibrados, que deveriam sintonizar imediatamente com as almas benfeitoras, à medida que se abrem as portas de acesso ao mundo invisível.
Às vezes, muito tarde é que o médium compreende a natureza e os objetivos do seu exercício mediúnico obrigatório, pois, malgrado ter enfrentado sacrifícios severos, só então comprova que tudo era feito exclusivamente em seu próprio bem!
Então, como um semeador incondicional dos ensinamentos elevados do Alto, tanto precisa imunizar-se contra as críticas alheias, como se impermeabilizar contra as lisonjas ou evidências perigosas à vaidade personalista da vida humana.
As suas dores, ingratidões e injustiças são menos importantes do que as desventuras do próximo; as suas próprias opiniões não podem provocar qualquer conflito ou hostilidade alheia contra a doutrina espírita, que o acolhe e beneficia para usufruir o ensejo de renovação espiritual.
Os demais homens, embora médiuns em potencial, serão unicamente responsáveis pelos seus atos e por aquilo que possa influir nos seus familiares; mas os médiuns já consagrados ou admitidos como trabalhadores ativos no serviço mediúnico organizado da seara espírita, representam no mundo profano uma idéia espiritual elevada, que não pode nem deve ser tisnada pelos seus interesses pessoais ou caprichos vaidosos.
2.2 O Duplo Etérico em Face da Mediunidade de Prova
Os médiuns “de prova”, isto é, aqueles que se encarnam na Terra com a obrigação principal de cumprirem o serviço mediúnico, especialmente os médiuns de fenômenos físicos que elaboram e consomem ectoplasma, já nascem com certo desvio na linha magnética vertical dos pólos positivo e negativo do seu perispírito, devido a uma intervenção deliberada que os técnicos siderais processam nele antes de se encarnarem.
Os médiuns de prova, principalmente os de fenômenos físicos, apresentam desviada para a esquerda de seu corpo, em diagonal, a linha magnética perpendicular que desce do alto da cabeça, passa pelo umbigo e cruza entre os seus pés, atravessando assim a zona do baço.
O perispírito, com esse desvio magnético inclinado alguns graus à sua esquerda, cuja linha, que deveria cruzar-lhe os supercílios, atravessa-lhe o olho esquerdo, fincando-lhe entre os pés, termina por também modelar no útero feminino, durante a gestação do corpo físico, um duplo-etérico com esse mesmo desvio à esquerda.
Portanto durante o nascimento e o crescimento do homem com a prova de mediunidade, também se modela o seu duplo-etérico obedecendo à mesma inclinação da linha magnética do perispírito, que fica assim algo deslocado à altura do baço físico e do chacra esplênico, facilitando-lhe o transe mediúnico do modo mais freqüente.
Dessa forma, em obediência às linhas de forças que lhe determinam o desvio à esquerda de seu corpo físico, o duplo etérico se transforma em janela viva constantemente aberta para o mundo oculto, pondo o homem em contato mais íntimo com os fenômenos extraterrenos, o que lhe confere a condição de um médium, ou seja, aquele indivíduo que pressente e ausculta a vida invisível mediante fenômenos incomuns (“médium de prova”).
No entanto, a dupla inclinação do perispírito e do duplo etérico, que faculta a mediunidade de efeitos físicos, a psicografia mecânica ou a incorporação completa, nada tem a haver com as faculdades espirituais inatas no homem superior, como o poder da Intuição Pura ou a Clarividência Espiritual, cujas qualidades sublimes dependem fundamentalmente da formação moral e do grau sidéreo da alma (“médium natural”), em vez de uma simples intervenção técnica extemporânea.
Os médiuns, em geral, são mais sensíveis que o homem comum, pois se mostram nervosos e doentios, facilmente afetados pelos fenômenos materiais do meio onde vivem, e pelas reações morais, emotivas e mentais dos demais seres que os cercam no mundo. Eles vivem superexcitados pelas preocupações mais comuns, enquanto as coisas mais simples se avolumam e os afligem, devido a sua mente hipersensível e ao contato mais freqüente do seu duplo etérico com o mundo oculto.
O desvio parcial do duplo etérico e do perispírito, que é bem mais acentuado nos médiuns de efeitos físicos do que nos outros medianeiros, é responsável por mantê-los em sintonia freqüente com a humanidade desencarnada e por fazê-los sofrer a influência dos sentimentos e das emoções boas ou más, projetadas do plano astral pelos espíritos desencarnados.
Essa porta etérica aberta para o Além, devido ao desvio da linha perispiritual magnética, torna o médium de prova um ser hipersensível em contato mais demorado com os fenômenos do mundo oculto, mas lhe é também, uma faca de dois gumes, pois poderá arriscá-lo ao fracasso espiritual na vida física por imprudência, caso falseie em seus costumes, se devote às paixões violentas e cultive vícios degradantes.
Portanto, os médiuns de prova necessitam de constante vigilância de seus atos no mundo físico, pois as entidades malfeitoras do Invisível os espreitam a todo o momento através desta porta psíquica vulnerável.
Raros médiuns de fenômenos físicos puderam atingir o final de sua existência terrena de modo lisonjeiro, pois, em geral, os maquiavélicos das sombras conseguiram perturbar-lhes o mandato sideral, explorando-lhes o orgulho, a vaidade, a cupidez, despertando-lhes interesses mercenários na especulação censurável de sua mediunidade.
Infelizmente os médiuns de prova são criaturas que vivem a atual existência humana onerados por grandes responsabilidades ou delitos do passado e por isso, em face de qualquer descuido ou invigilância espiritual, eles se tornam vulneráveis às investidas perniciosas do mundo invisível, pois os de efeitos físicos, com raras exceções e devido à expulsão violenta do seu duplo etérico, entram em transe à semelhança de ataques epilépticos ou dos viciados em entorpecentes.
O médium deve observar uma vigilância constante nas suas emoções, pensamentos e atos, sendo aconselhado que fuja das paixões e dos vícios lesivos, caso deseje resistir à vontade subvertida, as desmedidas ambições e aos projetos sinistros dos espíritos malévolos e mistificadores.
Quando o médium de prova faz uso indiscriminado de anestésicos, entorpecentes, fumo, álcool e carne, essas substâncias tóxicas expulsam com violência do duplo etérico do corpo físico; se ele se entrega desbragadamente às paixões violentas, aos vícios e aos prazeres condenáveis, então se isola imprudentemente dos próprios guias responsáveis pela sua segurança mediúnica no mundo terreno.
Somente as criaturas de elevada estrutura espiritual, durante a sua existência heróica, mostram-se médiuns poderosos, e se colocam em freqüente contato com as entidades desencarnadas, sem correrem o risco de serem vítimas do poderio e da fascinação das Trevas.
Os médiuns regrados, serviçais e magnânimos, alcançam o seu transe mediúnico sob a assistência dos espíritos técnicos benfeitores que os protegem a partir do mundo oculto e os livram das interferências nocivas e conseqüências espirituais.
Sob esse controle espiritual amigo, o médium afasta ou retoma o seu duplo-etérico sem o desperdício inútil de energias, uma vez que fica amparado contra a investida do astral inferior, protegendo-se, dessa forma, contra a infiltração de microorganismos perigosos à sua contextura etéreo-física (seu duplo etérico) e de uma desvitalização que lhe abale a saúde física.
2.3 Percalços no Exercício da Mediunidade de Prova
O aguçamento imaturo, muitas vezes leva o espírito em prova a desenganos, malogros e rebeldias, tal qual o jogador de xadrez que, após muitos lances frustrados, vacila em mover no tabuleiro a peça de menor importância.
Tratando-se de faculdade prematura e ainda provisória, que exige árduo e sacrificial exercício no seio das atividades terrenas, o médium sem a acuidade espiritual espontânea, que orienta facilmente o indivíduo entre os problemas confusos da vida, quase sempre só conclui o seu programa mediúnico depois de muitos tropeços verificados nos atalhos falsos, que são trilhados à guisa de caminho certo.
Só a perseverança, o bom ânimo, a tenacidade, o estudo incessante, o combate impiedoso contra as paixões da animalidade inferior e a integração definitiva ao Evangelho de Cristo é que, realmente, podem assegurar o êxito mediúnico.