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Fraternidade Ramatís
Apostila 11 A Mediunidade Natural e a de Prova Seção 1 de 5 Introdução

Introdução

O médium natural é aquele cuja faculdade é aquisição decorrente de sua maturidade espiritual; já o médium de “prova” é agraciado imaturamente com a faculdade mediúnica, destinada a lhe proporcionar o resgate de suas próprias dívidas cármicas.

O médium natural assemelha-se ao músico ou pintor já nascido com o “dom” espontâneo para exercer sua arte, à qual ele se entrega com facilidade e prazer. Já o médium de prova compara-se ao aluno que está sendo obrigado a estudar uma ciência ou arte para a qual ainda não apresenta qualidades espontâneas; então, precisa esforçar-se heroicamente para consegui-las, sob um longo treino, exercido entre vacilações, malogros e decepções.

Quando se distingue o médium natural do médium de prova, deseja-se apenas destacar aquele que é um instrumento espontâneo e superior da realidade espiritual, daquele que renasce na Terra onerado por uma obrigação de ordem cármica.

Enquanto o médium em prova assemelha-se à lâmpada de vidro colorido, que dá a luz que ele filtra com a cor de que também é constituída, o médium natural lembra um foco luminoso cristalino, que irradia sempre a luz em sua pureza original.

O médium natural, o instintivo puro, que já possui o tesouro espiritual da intuição angélica, é aquele que mais recebe por mérito de sua maturidade e a “quem muito se pedirá”, mas ao médium de prova, embora seja pobre espiritualmente, “maiores contas lhe serão tomadas”, pois também “mais coisas lhe são conferidas” no serviço mediúnico, para ressarcir os seus pecados pregressos.

O que o médium natural alcança por via intuitiva, como decorrência espontânea de sua própria sutilidade psíquica, e sem necessidade de quaisquer esforços ou adaptações fora do tempo, o médium de prova, sem a linhagem superior para se situar espontaneamente nas faixas vibratórias das esferas crísticas, vê-se obrigado ao desenvolvimento espinhoso, graduando-se através de treino exaustivo com os desencarnados imperfeitos, enfrentando as mais desanimadoras decepções psíquicas.

Em face de a mediunidade ser manifestação natural do próprio espírito do homem, deve-se considerar, sem qualquer exceção, que todas as criaturas são médiuns, porque transmitem para o ambiente da matéria os mais variados tons de seu espírito, assim como o homem sempre influencia os seus demais companheiros pelos seus pensamentos, atos e sentimentos.

Há homens que, devido ao seu espírito prenhe de otimismo, incessantemente afeito ao Bem, são médiuns da alegria, da esperança, do ânimo e da confiança, sempre convictos dos elevados objetivos espirituais da vida humana.

Outros, pessimistas inveterados, vertem constantemente de sua intimidade psíquica o mau humor que tolda o azul do céu mais puro da jovialidade alheia, e se transformam indesejavelmente nos médiuns da melancolia, da tristeza, da descrença, da aflição e do desânimo.

A mente do homem encarnado é o campo que reflete a sua vida interior, assim como transfere para o mundo exterior tanto o seu comportamento anímico quanto os pensamentos dos espíritos encarnados ou desencarnados dos mais variados matizes, que o influenciam em suas relações cotidianas.

Não há dúvida, pois, de que todas as criaturas são médiuns, pois a mediunidade não é faculdade adstrita somente a alguns seres, ou exclusivamente aos espíritas, mas todos os homens, como espíritos encarnados na matéria, são intermediários das boas ou más inspirações do Além.

É evidente, entretanto, que a faculdade mediúnica se manifesta de conformidade com o entendimento e o progresso espiritual de cada criatura.

Em geral, as criaturas humanas ignoram ou não a sua faculdade mediúnica, porquanto, sendo esta fruto da sensibilidade psíquica, nem todos têm noção de quando participam dos fenômenos do mundo oculto, e assim, os confundem facilmente, tomando-os como se fossem manifestações comuns da vida física.

Mesmo os homens que se dizem ateus, ou são descrentes da imortalidade da sua própria alma, nem por isso estão isentos da mediunidade, pois eles também podem ser instrumentos inconscientes de inúmeras ações, fenômenos e inspirações dos desencarnados.