Mediunidade Natural
Os médiuns naturais são aqueles que já gozam de sensibilidade psíquica avançada, cuja mediunidade é fruto exclusivo do seu aprimoramento espiritual.
São espíritos que já atingiram um alto nível moral e que, portanto, integraram-se à vida psíquica superior e que, quando encarnados, são mais sensíveis aos fenômenos do mundo oculto, embora isto não aconteça de modo ostensivo, mas apenas através da intuição pura.
A sua faculdade mediúnica é o sagrado coroamento do seu próprio aperfeiçoamento espiritual, em vez de uma “concessão extemporânea”.
São criaturas que se transformaram em centros receptivos das manifestações incomuns que transcendem os sentidos físicos; sua alta sensibilidade, fruto de avançado grau espiritual, afina-se incessantemente com os valores psíquicos do melhor quilate, facultando-lhes não só o conhecimento instantâneo dos acontecimentos presentes, como ainda as revelações mais importantes do futuro.
O abençoado dom da Intuição Pura foi a faculdade iniciática que serviu para que grandes espíritos que passaram pelo mundo terreno, como Buda e Jesus, entre outros, liderassem admiráveis transformações no espírito do homem. Eles tanto aferiram os fenômenos imediatos do mundo invisível, como ainda descortinaram amplamente a síntese dos acontecimentos futuros mais importantes da Terra.
O médium espontâneo e natural, em conseqüência da graduação moral e grau superior do seu espírito, dispensa qualquer treinamento ou intervenção técnica para relacionar-se com o mundo oculto, pois o consegue unicamente através de sua alta sensibilidade intuitiva.
Embora a maior parte dos médiuns naturais não guarde a consciência nítida e completa de grande parte dos acontecimentos sublimes de que são intermediários, eles se constituem nas antenas vivas avançadas que, sob a inspiração dos espíritos angélicos, fluem para a superfície da matéria as mais confortadoras esperanças e as mais importantes revelações. Instrumentos exclusivos do Bem, eles distribuem orientações benfeitoras, advertências justas e incentivam todos os bons propósitos de vida.
No âmago de suas almas, a “Voz Silenciosa” do Senhor os anima, orienta e revela sua obra, tal como faz a todos os seres; no entanto, só os puros intuitivos é que realmente O sentem em sua plenitude divina.
Embora esses seres não necessitem participar obrigatoriamente, e a horas certas, dos serviços mediúnicos tradicionais e oficializados na matéria, pois a sua natureza elevada os dispensa do peculiar desenvolvimento torturado da maioria dos médiuns em prova, e sob a atuação dos espíritos imperfeitos, eles são sempre os melhores intérpretes da verdadeira vida imortal.
Eles focalizam, numa visão global e fecunda, todas as manifestações gloriosas e concernentes à Criação, que restitui à humanidade as parcelas de fé destruídas pelos maus escritores, filósofos ou líderes religiosos ignorantes.
1.1 Médium Intuitivo Natural
A mediunidade “natural”, faculdade espontânea e intrínseca do espírito já sublimado, isto é, uma decorrência ou corolário do seu próprio grau espiritual, manifesta-se-lhe geralmente pela via intuitiva.
Aquele que usufrui da Intuição Pura, como percepção angélica, fruto abençoado de milênios de sacrifícios, renúncias e renovação moral na escalonada espiritual, apresenta as seguintes características:
- põe-se facilmente em contato com a Consciência Crística do Criador, pois já vive em sua intimidade o estado de paz e euforia das almas santificadas;
- não está sujeito a sofrer alterações que o contradigam espiritualmente na sua faixa vibratória já alcançada;
- é imune às influências menos dignas, pois não vibra com as modulações inferiores dos vícios, das paixões ou das seduções da matéria;
- não se dessintoniza com o Comando Angélico do orbe; sua alma filtra os pensamentos e as revelações angélicas, assim como a lâmina diamantífera fulge à luz suave do Sol, sem se ofuscar o seu brilho natural;
- não exige que os altos dignatários da Vida Oculta desçam vibratoriamente até sua organização humana para efetuar o serviço mediúnico, uma vez que ele se encontra ligado permanentemente à fonte angélica e representa na Terra o seu prolongamento vivo;
- nunca apresenta contradições em sua mediunidade, a qual é somente a emanação de sua própria graduação espiritual, dado que não há retrogradação na intimidade do espírito; a faculdade mediúnica é intrínseca à sua própria índole superior, não podendo poluir-se com as imperfeições do meio em que vive, porque não há decadência em seu nível superior já consolidado;
- não pode causar nenhuma decepção às almas que o inspiram pela “via interior” e o induzem a elevar o seu padrão espiritual do mundo físico, não estando, portanto, sujeito às frustrações muito comuns no intercâmbio mediúnico dos espíritos benfeitores para com a Terra, como costuma acontecer com os médiuns “de prova”;
- jamais precisa ser atuado para agir corretamente, uma vez que permanece continuamente ligado ao pensamento crístico da vida sublime e, em qualquer momento, constitui-se na sentinela avançada do Alto sobre a Terra;
- quando pensa, deseja e age, ainda reproduz vivamente o alto grau da mensagem angélica porque, sendo íntegro no trato evangélico com todos os seres, em seus atos reflete sempre a vontade definitiva do Criador!
Assim o foram Francisco de Assis, Antônio de Pádua, Krishna, Tereza de Jesus (Tereza d’Ávila), Pitágoras, Buda, Jesus de Nazaré, e muitos outros anônimos que o mundo desconhece, pela sua grande renúncia e humildade!
O médium natural é o cidadão sideral que desceu de sua moradia sublime, mas sem se desligar do Plano Divino, cuja mente vibra sempre à distância de qualquer pensamento ou resíduo moral menos digno.