As Formas-pensamentos
O pensamento produz uma série de vibrações no corpo mental e este então projeta uma porção de si mesmo, em perfeita conexão com a matéria mental circundante.
Desse fenômeno, gera-se uma forma-pensamento simples e pura, cuja configuração, radiação, brilho e colorido, perduram tanto quanto seja a força ou a convicção de quem a emite.
A forma-pensamento, também conhecida por “elemental” ou “elemental artificial”, lembra uma entidade vivente, temporária, mas dotada de intensa atividade e animada pela idéia-mater que a gerou. É um produto da própria alma, mas nutrida pela essência elemental vivificante e eletrônica do corpo.
Quando maligna, a forma-pensamento move-se implacavelmente para se impor sobre a pessoa escolhida para vítima, e alimenta-se pela força do ódio, inveja, cólera, despeito, ciúme ou vingança, que encontra em sua trajetória até arremessar-se no seu alento vital selvático.
A forma-pensamento constitui-se de matéria sutilíssima, embora para alguns seja um produto fantasioso, pois, além de sobrecarregada de substância mental e astralina, fortemente vitalizada pelo éter-físico que se escoa pelo duplo-etérico humano, também se impregna da eletricidade e do magnetismo biológico da criatura.
Eletrizando-se no seu curso benéfico ou maléfico, a forma-pensamento atinge o objetivo qual dardo criador ou destrutivo, valendo conforme a intenção e o poder de quem a projeta.
O pensamento, a vontade, o desejo são forças reais, talvez ainda mais poderosas do que a dinamite ou a eletricidade; sob tal influência, a matéria astral plástica faz-se compacta e toma forma, sob o alimento incessante das mesmas vibrações, pensamentos, etc.
Então se produz um ser ou manifestação que adquire vida, animado de uma força boa ou má, conforme os pensamentos emitidos, influindo vigorosamente em todos os que passam a subordinar-se à sua influência.
O pensamento é tão real quanto o ar que rodeia os seres na vida material.
Comumente, a sua forma sutil, invisível e de aparência nebulosa, lembra um vapor d’água que varia de cor, densidade e de conformação característica, em perfeita sincronia com o temperamento e o poder do homem que pensa.
Quando os pensamentos são emitidos com veemência e nutridos por aquela “fé que remove montanhas” da enunciação evangélica, eles então absorvem boa quantidade de prâna ou fluido vital, que mais lhes fortifica a contextura benéfica ou maléfica que lhes deu origem, multiplicando-lhes a ação em curso para determinado objetivo.
Assim, o pensamento de amor sobre a criatura que nos tem feito mal é como que um refrigério, que lhe cai na mente apaziguando-lhe a raiva, o desespero, e ajudando-a à sensibilização espiritual superior; entretanto, a energia mental dosada pelo ódio é como a ave feroz que voa num ímpeto destrutivo.
A força do pensamento e o vigor da emoção também determinam a forma mental e o seu tempo de vida como uma entidade separada do ser; no entanto, ela se deforma numa configuração instável e sem qualquer tom de beleza, manifestando-se como nódoas repugnantes e mórbidas, quando interpreta desejos, paixões e emoções predominantes do mundo animal.
Há médiuns e ocultistas bem desenvolvidos, ou clarividentes inatos, que podem ver os pensamentos; outros os sentem e, no futuro, a ciência poderá pesar e identificar os pensamentos através de instrumentação de elevada precisão.
Quando um homem pensa num objeto concreto, como uma casa, um livro, um pássaro ou uma paisagem, ele também constrói uma diminuta imagem de tal objeto na substância de sua mente ou corpo mental.
Assim, quando o pintor, o cientista ou o escultor imaginam alguma criação para o futuro, eles projetam para além de si uma forma-pensamento do que pretendem criar no mundo exterior da matéria.
Sob a lei de afinidade e correspondência vibratória, essas formas-pensamento vagueiam até encontrar um campo mental semelhante e então passam a atuar com insistência até incorporar outras formas-pensamento afins.
Isso explica as razões de certos acontecimentos desairosos que por vezes acontecem na Terra, quando certas descobertas ou invenções surgem simultaneamente em mais de um cérebro humano, dando azo a mútuas censuras de plágios.
O novelista, o poeta e o escritor, não só criam os seus personagens quando eles os imaginam, como ainda os impregnam de sua força e vivência mental; depois, os movimentam em suas obras como bonecos vivos, comandando-os pela mente criadora a seu bel-prazer, daqui para ali.
Embora se trate de imagens ou personagens criados mentalmente, de existência física fictícia e podendo durar muito pouco tempo no campo espacial da mente do orbe, eles ficam sob a dependência do potencial da matéria mental de quem os criou.
As imagens ou formas-pensamentos criadas pelos homens, às vezes, são tão vigorosas e perfeitas que, em certos trabalhos espiritistas, umbandistas ou esotéricos, onde o ambiente mental e psíquico se torna hipersensível, os videntes mal desenvolvidos chegam a confundi-las com espíritos desencarnados, o que não passa de um fenômeno de ideoplastia mental.
Em trabalhos de hipnotismo, é possível conduzir-se o “sujet” a ver numa folha de papel as formas-pensamentos criadas simultaneamente pelo hipnotizador e que, então, lhes parecem objetos físicos e reais.
Há personagens criados pelos seus autores, sob tal vitalidade e incessante nutrição mental, que permanecem na esfera da vida de todos os povos e destes ainda recebem mais alimento mental, espantando certos espíritos recém-desencarnados, que ficam boquiabertos revendo, vivos no Espaço, os personagens de um mundo de fadas!
A existência de uma forma-pensamento depende precipuamente da vitalidade mental ali acumulada e da força de impulsão de quem lhe deu origem.
Há formas-pensamentos que têm a duração de uma bolha de sabão, enquanto outras persistem meses, renovando-se mental e continuamente pela adesão ou incorporação de outras formas-pensamento semelhantes.