A Ação e Natureza do Pensamento
O homem, ao pensar, imprime impulsos vibratórios no seu corpo mental resultando, simultaneamente, na produção de ondas mentais e de formas-pensamentos.
O pensamento é uma vibração da mente que, embora sutilíssima, é constituída de matéria do plano mental.
É um fenômeno análogo ao da luz, pois se propaga em ondas, as quais vão se enfraquecendo à medida que aumenta a distância que percorrem. Entretanto, o pensamento é muitíssimo superior ao fenômeno da luz, porque ele é uma vibração de matéria mais quintessenciada, e a sua produção exige múltiplos fenômenos fisiológicos do corpo humano; por exemplo, a contenção cerebral, exigida pela função de pensar, faz afluir para o cérebro físico maior volume de sangue.
Para que se possa compreender o sutil mecanismo do pensamento humano, deve-se inicialmente verificar como ele se processa. Quando se formula um pensamento concreto, qualquer que seja, imediatamente forma-se na mente a imagem correspondente a esse pensamento. Isso se verifica devido à grande plasticidade da matéria mental que, muito mais do que a matéria astral, pode ser modelada em detalhes pela emissão de energia mental, de forma imediata.
O homem, ao formular pensamentos, produz vibrações na matéria de seu corpo mental, que tenderão a se propagar no meio ambiente que lhes é próprio (o plano mental), como ocorre com quaisquer outras classes de vibrações.
Enquanto a “onda mental” apenas desperta sensações semelhantes onde recai, já a “forma-pensamento” transmite a idéia mais completa porque, além de fortemente sobrecarregada da substância mental de quem a emite, agrega-se facilmente ao campo do pensamento de outra pessoa e ali perdura a sua ação contagiante. O corpo mental do homem, ao ser tocado por uma forma-pensamento alheia, tende a produzir na sua mente um pensamento semelhante ao que surge, tanto quanto seja o grau de sua receptividade.
Sem dúvida, o poder e a ação dominante das ondas mentais e formas-pensamentos projetadas por alguém, variam conforme a força de vontade de quem as emite, enquanto também se enfraquecem tanto quanto mais longe estiverem de sua fonte original. Os pensamentos, quando vitalizados por uma pessoa de vontade forte e experimentada, podem ser guiados tão seguramente quanto um operador à distância maneja o seu controle remoto.
A onda de devoção, emitida por pessoa contrita em sua fé, também desperta noutra pessoa propícia a tal sentimento, um estímulo de devoção, que será tão forte quanto seja a força da onda mental e a sensibilidade do seu receptor; da mesma forma, uma onda mental de natureza especulativa, também aviva na pessoa receptora, impulso para transações comerciais.
Produtos do corpo mental
| Produto do corpo mental | Características |
|---|---|
| ondas mentais | transmitem mais propriamente os sentimentos, as divagações e reminiscências de especulações propriamente psíquicas. |
| formas-pensamentos | recortam figuras nítidas ou configuram símbolos de uma natureza mais objetiva e compreensível para os clarividentes. |
Através da onda mental, há casos em que o vidente bem desenvolvido chega a ver a pessoa que a transmite, enquanto a forma-pensamento só se impõe por sua própria imagem.
O ser humano absorve e esparge energias radiantes em todas as faixas vibratórias no Cosmo; por exemplo, no plano físico, em forma de calor ou eletricidade animal; no etérico, na espécie de forças imponderáveis vitalizantes impregnadas de éter-físico e químico, projetadas pelo duplo etérico.
O pensamento propaga ondas mentais, que agem e reagem noutros seres, afetando-lhes o caráter da vontade e do temperamento. Funcionando como usina criadora de forças em todos os campos da vida oculta, o homem também é um receptor e transformador energético, absorvendo e transformando a carga que recebe de fora, devolvendo-a depois conforme a sua mentalidade moral e emotiva.
Há uma interpenetração incessante entre todas as criaturas, que se processa através de suas expressões mentais, etéricas e elétricas. Nada existe completamente separado, pois tudo é interligado por imensurável rede de vibrações, que pulsam conforme as influências e reações recíprocas entre os homens.
A mente humana, portanto, assemelha-se a poderosa estação receptora e emissora, criando em torno do homem uma atmosfera boa ou má, que varia de acordo com a sua conduta e os seus pensamentos.
O metabolismo nas trocas áuricas faz-se por afinidade eletiva ou em simpatia com as vibrações provindas de forças mentais, astrais, etéricas ou eletromagnéticas emitidas por outros seres, pois a mente humana vibra em absoluta sintonia com a natureza substancial das energias que lhe vêm do exterior.
Assim, entre bilhões de encarnados e desencarnados em intercâmbio incessante através do pensamento à superfície da Terra, a aura do orbe parece o centro de imenso oceano etérico, vaporoso e cintilante, alimentado pelas fabulosas energias que transmitem e refletem as formas-pensamentos dos homens, lembrando verdadeiros cardumes de peixes fantasiosos, coloridos ou pétreos.
As mais absurdas e inconcebíveis configurações mentais flutuam, atritam-se e encorpam-se, para projetar-se em várias direções, arrastando inapelavelmente formas semelhantes. É um turbilhão de ondas mentais propagando-se em todos os sentidos e de formas-pensamentos entrecruzando-se e buscando pouso incessante na multiplicação das mentes que compõem a consciência coletiva da humanidade.
Há, na aura do planeta, uma riqueza de cores formosas e fascinantes, porém que jamais se misturam ou se fundem à massa de tons escuros, repulsivos, irascíveis e pegajosos do submundo mental.
De conformidade com as leis transcendentais que regem o mundo mental:
Princípios que regem a produção dos pensamentos
| Aspecto | Determinado pela |
|---|---|
| Cor | qualidade do pensamento |
| Forma | natureza do pensamento |
| Nitidez da forma | precisão do pensamento |
| Duração da forma | tempo, intensidade e precisão do pensamento |
As cores do pensamento são fundamentais e jamais desmentem a sua cromosofia peculiar; assim, o pensamento de amor ou de paz, de ódio ou de guerra, possui sempre a mesma tonalidade colorida, quer seja produzido por um europeu, asiático, africano ou latino.
Isso acontece porque a Mente Divina, em qualquer latitude cósmica do Espaço, fundamenta a mesma cor do pensamento e interpenetra todos os interstícios da mente humana.
As ondas do pensamento projetam-se lenta ou violentamente, fraca ou fortemente, construtiva ou destrutivamente, segundo os sentimentos e as emoções que as geraram.
Os pensamentos de amor, candura, tolerância, comiseração, piedade, júbilo, ânimo ou renúncia, impregnam-se de fluidos vitais de um elevado energismo, manifestando-se cores claríssimas e fascinantes, como o rosa, azul-celeste, verde-seda, amarelo-translúcido, carmim e lilás, que ainda se tornam mais belas quando agregadas a outros pensamentos semelhantes.
No entanto, quando são gerados por sentimentos de cólera, ciúme, inveja, vingança, avareza, ódio, luxúria, egoísmo, irascibilidade, crueldade, desespero, maledicência ou desânimo, poluem-se durante a sua trajetória, incorporando outros produtos mentais inferiores e degradantes, que lhe aumentam o teor original.
Natureza das formas-pensamentos
| Natureza | Aspecto |
|---|---|
| sublimes e benfeitoras | límpidas, translúcidas e formosas |
| subvertidas e alimentadas por energias inferiores | obscuras, pétreas e oleosas |
Infelizmente, devido à graduação primária da humanidade terrena em geral, ainda predominam na aura humana as cores escuras, viscosas e densas, como resultado de pensamentos nebulosos e próprios das mentes mal desenvolvidas.
No estado presente de evolução humana, a maioria dos pensamentos dos homens ainda estão centralizados neles mesmos, porque são fundamentalmente egoístas e só circulam em torno dos seus próprios autores ou pensadores, formando-lhes uma espécie de couraça ao redor do seu corpo mental.
Quando tais pensamentos são mórbidos, odiosos, tristes ou coléricos, eles criam preocupações aos seus próprios autores, pois lhes avivam os estados emotivos de melancolia, inquietação e desespero, justificando-se a velha lenda de que “o feitiço sempre se volta contra o próprio feiticeiro”.
Sem dúvida, os pensamentos heróicos, decididos, animosos e confortantes, também incentivam as mentes sob tal vibração, pois influem incessantemente na propagação de idéias semelhantes. No entanto, os produtos mentais vigorosos, que depois geram vinganças, crimes ou suicídios, são verdadeiros enfeitiçamentos mentais que chegam a impelir outras criaturas a cometer iguais desatinos.
Atualmente, já não se opõe dúvida de que os pensamentos são elementos tão poderosos como são a luz, o calor, a eletricidade e outras manifestações de energias mais inferiores. No futuro, tal qual acontece noutros planetas de vida humana superior, as criaturas serão educadas de modo a se utilizarem do pensamento, assim como hoje se ensina nas escolas as crianças a bem se utilizarem das mãos.
O pensamento, usado inconsciente e tolamente, é arma que se volta contra o seu próprio autor, pois ele é realmente força que germina, condensa-se e revigora-se, retornando à fonte de que é lançado.
Os pensamentos, além de nutridos pela substância mental, também impregnam-se do fluído astralino que, no momento, nutre sentimentos semelhantes no corpo astral.
Assim, em qualquer ponto do Universo, a cor clara e límpida sempre decora os pensamentos de amor puro:
Cores do pensamento
| Cor do pensamento | Tipo de emoção ou sentimento associado |
|---|---|
| branco prateado | fundamenta os sentimentos messiânicos |
| azul celeste | identifica a elevada emoção religiosa |
| amarelo-ouro chispante | esforço mental para produzir raciocínios elevados e benfeitores à humanidade |
O pensamento concreto regula-se pela assim chamada “Lei de Afinidade”, que pode ser expressa como “pensamento atrai pensamento na razão direta de sua intensidade ou freqüência vibratória”.
Bons pensamentos atraem pensamentos que lhes são afins, ao passo que maus pensamentos atraem outros maus pensamentos.
Quando o espírito pensa, ele agita todos os campos de forças que baixam vibratoriamente, até atingirem o seu perispírito e o corpo físico; assim, projeta em todas as direções as energias benfeitoras ou malévolas, criadoras ou destrutivas, segundo a natureza dos seus pensamentos e sentimentos.
Os bons pensamentos, sublimes e altruístas, são de vibração muito rápida e sutil, alimentados por um combustível diáfano, que não deixa resíduos no perispírito. Quando atraídos por outras mentes afins, eles também ativam os sentimentos e as emoções superiores; mas tratando-se de pensamentos mais raros, só influem em seres de boa estirpe sideral.
As idéias, sugestões e criações mentais sobre o amor, a paz e o bem, em verdade, são energias extraordinárias e de qualidade incomum, que adubam o crescimento sadio do espírito humano. Há pensamentos científicos, religiosos e teosóficos que influem preferencialmente em certo setor da atividade humana.
Os pensamentos malévolos, vingativos, coléricos e odiosos, imantam-se de magnetismo inferior e sobrecarregam-se de fluido mental, astralino e etérico de baixa vibração, agindo tão eficaz e rapidamente na atmosfera terrena, que justificam realmente o velho rifão: “O mal se propaga mais facilmente que o bem!”
Enquanto a energia diáfana utilizada pelos bons pensamentos volatiliza-se do perispírito, absorvida pelo éter superior, a substância mental e astralina necessária para sustentar e mover os pensamentos daninhos e pecaminosos adere fortemente à vestimenta perispiritual, formando escórias que, mais tarde, produzem sofrimento ao serem drenadas para a carne, manifestando-se posteriormente na forma de doenças físicas, ou desintegradas nos charcos terapêuticos do astral inferior.
O homem é aquilo que pensa! O seu espírito, quando escravo das manifestações desregradas, faz da mente apenas o instrumento de sua relação egoísta com o mundo inferior e, depois da morte, submerge-se num mar de magnetismo viscoso e aderente.
Entretanto, sob a lei de que “os humildes serão exaltados”, eleva-se aos níveis angélicos todo aquele que usa o poder mental para aniquilar as paixões do mundo animal, em vez de hostilizar o próximo!
O pensamento elevado volatiliza-se no perispírito, tal qual a eletricidade que abastece um fogão elétrico, ao passo que um pensamento malévolo deixa resíduos no perispírito, como acontece num fogão alimentado a lenha.