A Fraternidade da Cruz e do Triângulo
As Fraternidades do Espaço
Nos planos astralinos, os espíritos desencarnados se agrupam segundo suas afinidades morais e seu estado vibratório, ou seja, segundo as suas condições evolutivas, significando, para uns escravização e temores, e, para outros mais evoluídos, ordem, disciplina, responsabilidade, unidade de sentimentos e participação.
Ao contrário do que ocorre nas esferas mais inferiores há entre os seres das esferas mais elevadas, predominância dos valores positivos da paz, da bondade, do respeito mútuo, da pureza, do idealismo, do amor; enfim, dos valores eternos do espírito imortal que os fazem ascender em direção a Deus.
Nas regiões do plano Astral do planeta, zona vibratória mais próxima do plano físico dos encarnados, entidades das mais diversas localidades se unem, agremiando-se em verdadeiras organizações, interessadas nos mais variados fins, sejam por afinidade cármica passional e até mesmo religiosa, que têm atuação junto aos encarnados.
No astral inferior, as organizações trevosas, formadas por espíritos malévolos e ignorantes, são chefiadas por entidades arbitrárias, de pendores psíquicos em escala sempre degradante, buscando exercer cada vez mais poder e prestígio individual à base de violência, astúcia e impiedade.
Já nas regiões astralinas mais evoluídas, os espíritos se agrupam em organizações voltadas para o Bem, que se mostram coesas, disciplinadas, moralizadas e idealistas, dirigidas por espíritos altamente responsáveis, que se aproximam dos encarnados para desempenhar atividades benéficas de auxílio, proteção, orientação pessoal e coletiva.
Essas organizações de espíritos voltados para a prática do Bem, geralmente se autodenominam “Fraternidades”, termo utilizado para designar agrupamentos de pessoas ligadas entre si pelos mesmos ideais, desejos e objetivos, e que, em sua essência, significa “irmandade, amor, aproximação”, formando seus membros a partir de uma mesma comunidade, raça, povo ou nação.
As Fraternidades do Espaço são, portanto, agrupamentos eventuais de espíritos desencarnados de certa evolução espiritual, que se unem sob um lema, uma bandeira, uma finalidade determinada, em busca de evolução ou de realizações espirituais, através da prática do Bem em suas mais variadas formas.
As Fraternidades do Espaço têm oferecido, desde muitos anos, preciosa ajuda na execução das tarefas espirituais no plano terreno, e o elo mais forte e dominante dessa cooperação é o interesse pelo bem comum e a difusão dos conhecimentos e ensinamentos de cunho elevado, que promovem o reajuste espiritual das criaturas através de sua reforma de valores, visando sempre sua elevação espiritual; para os cristãos, em particular, a difusão e a exemplificação, nos campos individual e coletivo, dos ensinamentos de Jesus e das práticas evangélicas.
Essas fraternidades não são míticas, sobrenaturais ou fruto de superstições de fanatismo religioso, mas grupos coesos, firmes e concretos de espíritos desencarnados, trabalhando de forma integrada, muitas vezes lutando contra as organizações das trevas, que já envolvem o planeta nestes dias de final de ciclo evolutivo, visando assegurar o predomínio do amor e da paz.
As Fraternidades do Espaço desempenham papel importante na organização e funcionamento de organizações religiosas terrenas, concorrendo cada qual com o seu contributo espiritual, dentro de suas próprias especializações de trabalho, geralmente atuando na segurança espiritual, na manutenção da ordem, na proteção dos dirigentes e trabalhadores encarnados, na orientação dos cursos implantados e nos atendimentos ao público, em suas mais diferentes formas, somando milhares de membros que estendem suas atividades no Espaço, nas proximidades e nas próprias dependências das casas de reuniões de fito religioso.
A Fraternidade da Cruz e do Triângulo
Ramatís, no Espaço, é líder da “Fraternidade da Cruz e do Triângulo”, comunidade sideral integrada por espíritos ocidentais e orientais, em trabalho mais específico sobre o território brasileiro. No século XIX, após significativa assembléia de altas entidades, realizada no Espaço, na região do Oriente, procedeu-se à fusão de duas importantes “Fraternidades” pré-existentes, que dali operavam em favor dos habitantes da Terra.
Trata-se da “Fraternidade da Cruz”, com certa ação no Ocidente, que divulgava os ensinamentos de Jesus, e da “Fraternidade do Triângulo”, ligada à tradição iniciática e espiritual do Oriente. Após a memorável fusão dessas duas Fraternidades Brancas, consolidaram-se melhor as características psicológicas e o objetivo dos seus trabalhadores espirituais, alterando-se a denominação para a “Fraternidade da Cruz e do Triângulo”, na qual Ramatís exerce atualmente a função de Secretário Geral.
Seus membros, no Espaço, usam vestes brancas, com cintos e emblemas de cor azul-clara esverdeada; sobre o peito, trazem suspensa delicada corrente confeccionada em fina ourivesaria, na qual se ostenta um triângulo de suave lilás luminoso, emoldurando uma cruz lirial. É o símbolo que exalça, na figura da cruz alabastrina, a obra sacrificial de Jesus e, na efígie do triângulo, a mística oriental.
Asseguram alguns mentores que todos os discípulos dessa Fraternidade, que se encontram reencarnados na Terra, são profundamente devotados às duas correntes espiritualistas: a oriental e a ocidental. Cultuam tanto os ensinamentos de Jesus, que foi o elo definitivo entre todos os instrutores terráqueos, quanto os labores de Antúlio, de Hermes, de Buda, assim como os esforços de Confúcio e de Lao-Tsé.
É esse um dos motivos pelos quais a maioria dos simpatizantes de Ramatís, na Terra, embora profundamente devotados à filosofia cristã, afeiçoam-se, também, com profundo respeito, à corrente espiritualista do Oriente.
Segundo Edgard Armond, os antigos fraternistas do Triângulo eram espíritos ávidos de conhecimentos novos e mais amplos, que pediram reencarnação em várias regiões do globo que ofereciam condições para valiosas experiências; mais tarde, ao se unirem aos novos companheiros da então Fraternidade da Cruz, constituíram a Fraternidade da Cruz e do Triângulo, cujos membros ultrapassam 5.000 almas.
Encontram-se espalhados pelo globo, razão pela qual são pouco conhecidos; muitos se dedicam ao desenvolvimento das forças psíquicas e morais da humanidade e outros estão ligados a trabalhos de atendimento no setor de curas espirituais. Da fusão das duas “Fraternidades” realizada no Espaço, surgiram extraordinários benefícios para a Terra: alguns mentores espirituais passaram, então, a atuar no Ocidente, incumbindo-se mesmo da orientação de certos trabalhos espíritas no campo mediúnico, enquanto que outros instrutores ocidentais passaram a atuar na Índia, no Egito, na China e em vários agrupamentos que, até então, eram exclusivamente supervisionados pela antiga Fraternidade do Triângulo.
Os espíritos orientais ajudam agora nos labores do Ocidente, ao mesmo tempo em que os da região ocidental interpenetram os agrupamentos doutrinários do Oriente, do que resulta ampliar-se o sentimento de fraternidade entre Oriente e Ocidente, bem como aumentar-se a oportunidade de reencarnações entre espíritos amigos. Assim, processa-se um salutar intercâmbio de idéias e perfeita identificação de sentimentos no mesmo labor espiritual, embora se diferenciem os conteúdos psicológicos de cada hemisfério.
Os orientais são lunares, meditativos, passivos e desinteressados geralmente pela fenomenologia exterior; os ocidentais, por outro lado, são dinâmicos, solarianos, objetivos e estudiosos dos aspectos transitórios da forma e do mundo dos Espíritos.
O oriental e o ocidental sempre diferiram milenarmente quanto ao sentido da Vida. Enquanto a civilização ocidental, filha do intelecto, viveu debruçada “para fora”, no afã de conquista do Mundo das Formas, preocupada em “vencer na vida”, a do Oriente, nutrida de sabedoria introspectiva, filha da intuição, sempre soube que o propósito maior era “vencer a vida” ilusória, transcender “Maya”, para viver na Consciência Cósmica do Pai.
Os antigos fraternistas do “Triângulo” são exímios operadores com as “correntes terapêuticas azuis”, que podem ser aplicadas como energia balsamizante aos sofrimentos psíquicos, cruciais, das vítimas de longas obsessões. As emanações azul-claras, com nuanças para o esmeralda, além do efeito balsamizante, dissociam certos estigmas “pré-reencarnatórios” e que se reproduzem periodicamente nos veículos etéricos. Ao mesmo tempo, os fraternistas da “Cruz” preferem operar com as correntes alaranjadas, vivas e claras, por vezes mescladas do carmim puro, visto que as consideram mais positivas na ação de aliviar o sofrimento psíquico.
É de notar, entretanto, que, enquanto os técnicos ocidentais procuram eliminar de vez a dor, os terapeutas orientais, mais afeitos à crença do fatalismo cármico da psicologia asiática, preferem exercer sobre os enfermos uma ação balsamizante, aproveitando o sofrimento para mais breve “queima” do carma. Eles sabem que a eliminação rápida da dor pode extinguir os efeitos, mas as causas continuam gerando novos padecimentos futuros; preferem, então, regular o processo do sofrimento depurador, em lugar de sustá-lo provisoriamente. No primeiro caso, esgota-se o carma, embora demoradamente; no segundo, a cura é um hiato, uma prorrogação cármica.
Os integrantes da Fraternidade da Cruz e do Triângulo estão comprometidos com o Comando Planetário na tarefa de transferir para as mentes ocidentais um conhecimento progressivo daquelas verdades intemporais, chamadas de Sabedoria Oculta, que se encontram no cerne de todas as grandes religiões do Oriente.