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Fraternidade Ramatís

Prefácio psicografado · Livro de José Fuzeira · 20 de janeiro de 1956

Prefácio para “A Luz e a Dor Salvarão o Mundo”

Mensagem de Ramatís, recebida através de Hercílio Maes, oferecida como prefácio à obra do irmão José Fuzeira.

Prefácio de Ramatís

Paz e Amor

Meus Irmãos

Embora a ironia humana sorria das advertências que a Justiça Suprema envia pela voz dos seus profetas, a Terra vai deixar o manto de fluídos sombrios que a envolvem e vestir a túnica radiosa da sua verdadeira iniciação, a serviço fiel, do Cristo.

Naturalmente, não se integrará, de imediato, na cadeia dos mundos perfeitos, mas a sua breve transformação física, para melhor, permitirá que os escolhidos da direita de Jesus, possam cultuar as novas lições de espiritualidade superior, sob outro panorama geográfico mais delicado e de atmosfera mais sadia. Simbolizando a nave fustigada pelo temporal, mas que, depois, atinge as águas mansas, a Terra vai passar a ser uma tranqüila embarcação de almas, dentro da qual, todas viverão a Paz de Espírito, iluminadas pelo Sublime senhor. E no júbilo fraterno das vozes amigas, os futuros habitantes terráqueos, ao encontrarem-se com os que os antecederam na jornada evolutiva, renovar-se-ão de afetos, após tão longo exílio espiritual.

Por isso, semelhando o evento profético anunciador de que a Terra se desvestirá de seu invólucro astral inferior, também deveis despojar-vos do vestuário psíquico contaminado pelas nódoas multiseculares das paixões animais que vos deprimem. Ainda que a roupagem grosseira do instinto tenha envolvido o vosso espírito, agora tereis de ajustar vossa alma à nova ética do Comando Sideral que vai guiar o planeta. Cumpre-vos, por conseguinte, a mudança urgente de vosso modo de vida, excessivamente material, a fim de vos adaptardes às concepções morais mais elevadas no novo padrão espiritual do terceiro milênio.

O que indicamos não é a vossa fuga do mundo que habitais, no qual, Deus sempre esteve presente.

Nosso apêlo é para que vos liberteis dos sentimentos inferiores, de modo que a vossa consciência possa assimilar os valores mais altos e únicos que comandam o ritmo da vida superior do espírito. Esforçai-vos, então, por subjugar a força telúrica da carne, dominando as tendências maléficas, hereditárias, substituindo-as pelos princípios mais elevados e sublimes. Abafai, pois, sem piedade, os brados do homem primitivo que ainda palpita em vós, a fim de que, no silêncio da meditação, possais escutar, ainda que, em surdina, as harmonias desferidas pelas almas angélicas que vos acenam das Alturas, quais mães aflitas a chamar por vós. Empenhai-vos em um labor seletivo na vossa própria alma, ainda eivada de nocivos recalques milenários.

Nos escuros desvãos do vosso espírito relapso ou descuidado, projetai a Luz do Cristo e expeli os vermes da cólera, da vingança, do egoísmo e do ciúme. E, ainda com essa luz divina a iluminar os subterrâneos da vossa mente, consagrai-vos à tarefa de expulsar todos os desejos ou impulsos torpes que firam, que pisem os ditames santificantes do amor ao próximo. Não hesiteis em consentir que a luz bendita do sol crístico esterilize os detritos nauseantes dos apetites animais; pois, só higienizando o vasilhame infecto, se consegue dispô-lo em condições de receber e conservar a água pura.

Louvável é, pois, a obra “A Luz e a Dor Salvarão o Mundo”, do irmão José Fuzeira, porque, aguilhoando os flancos da alma humana, ela induz a que, cada um, com urgência, acorde e reaja contra a sua própria negligência espiritual. O azorrague doutrinário de um espírito caldeado na experiência do mundo, conjugado à evidência de fatos colhidos nas ocorrências cotidianas, não deixarão quaisquer dúvidas, quanto às dolorosas realidades da corrupção que, como um incêndio, está devorando a vossa humanidade, lamentavelmente esquecida do Evangelho de Jesus.

Esta obra do irmão Fuzeira é um retrato vivo da época em que viveis; ela denuncia, corajosamente, a funesta preliminar do advento da “Besta” do Apocalipse de São João, cujo reinado contaminará a maior parte da Humanidade terrícola, pois no cap. 13, vers. 8, diz: “E todos os habitantes da Terra a adoraram; aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro, que foi imolado desde o princípio do mundo.” E Jesus, a respeito dêsse momento cruciante, adverte: “E por multiplicar-se a iniqüidade, se resfriará a caridade de muitos”. (Mateus, cap. 24 - v. 12).

Ora, quanto aos fatos expostos e comentados pelo irmão Fuzeira, com firmeza e profunda sinceridade, todos êles, decalcados nos registros da imprensa, não são criações abstratas e mórbidas, comuns aos literatos que se extenuam buscando a fama das gloríolas efêmeras. Aquela advertência de Jesus, “e se resfriará a caridade de muitos”, está amplamente demonstrada, sem qualquer sofisma ou artifício, no seu livro corajoso. Se não, vejamos:

Aqui, surge a mulher fútil, mostruário ambulante de jóias faustosas e que, toda enroupada de sedas berrantes, hostiliza a infeliz irmã que se julgaria feliz se tivesse um singelo vestido de algodão, sem remendos; ali, o ricaço feliz, prodigalizando banquetes glutônicos aos amigos e à parentela farta, enquanto, bem perto, na esquina da sua rua, alguns esfomeados imploram um prato de comida que lhes sustenha a vida; acolá, a vesga mentalidade do homem público, edifica palácios, ergue monumentos e estátuas suntuosas, nas adjacências dos barracos imundos e das taperas desmoronadas; mais além, o rico farto, a festividade bombástica, o ambiente feérico dos desregramentos sociais, em reuniões custosas dos que melhor vestem, dos que melhor comem, dos que melhor bebem. Tudo isto grampeado a parlapatices de elegâncias, hipócritas e convencionais, disfarçadas com a máscara da filantropia a hora certa, determinada pela elite.

Mais adiante, encontramos alguns milionários lunáticos que espesinham e humilham o gênero humano, gastando somas apreciáveis, com os seus cães de luxo que, aliás, se julgariam bem felizes, apenas com uns gordurosos. Vemos, ainda, os cavaleiros de indústria que “matam o tempo” à beira das mesas do vício, despejando no estômago algumas beberágens alcoólicas, cujo preço chegaria para enroupar um nu ou matar a fome de algumas crianças sem dono; mais acima, cínicos administradores públicos, avançando nos dinheiros do povo, surgem, de repente, ostentando o manto dourado de milionários, todos alegres e satisfeitos por estarem cobertos ou garantidos pela justiça venal do Direito humano. E nas ruas, perverte-se o senso de beleza humana, no exagero sensual e anatômico da mulher, a qual, escravizada a uma estesia libidinosa, asfixiou na sua alma os últimos resquícios da castidade e do pudor.

Finalmente, a euforia da posse transitória de tesouros que “a traça rói e a ferrugem come”, perverteu, por completo, o senso da honestidade. Por tudo isto, a vossa Humanidade, agitada por emoções satânicas, alimentou e pôs à sôlta a “Besta” anunciada pela voz sagrada da profecia.

A obra “A Luz e a Dor Salvarão o Mundo” aponta o terrível significado dessa hora alucinada e trágica em que viveis. Ela descreve e anuncia o evento apocalíptico que se aproxima inexoravelmente, devido ao desequilíbrio psíquico da vossa Humanidade que voltou as costas a Deus, e se distanciou do Cristo Salvador.

Míseros esquerdistas do Cristo, que vos deixais aliciar até ficardes presos nas malhas astuciosas da “Besta” apocalíptica: Nós vos lamentamos porque, carregando o chumbo das vossas paixões indignas, sois os infelizes que formarão o cortejo dos futuros “rangedores de dentes nos abismos infernais” dos mundos primitivos. No entanto, a misericórdia divina ainda oferece a última oportunidade aos que quiserem e se esforçarem por serem salvos, alinhando-se à direita do Cristo.

Os recursos profiláticos e seletivos, de recuperação assaz dolorosa, anunciados em tôdas as profecias bíblicas, desde Job a Jesus, e dêste, até às implacáveis profecias de Nostradamus, já se denunciam em terrível ebulição da própria natureza, a qual se manifesta em equivalência à desenfreada animalidade que levou o homem a aliciar-se com a “Besta”.

Fazemos votos para que “A Luz e a Dor Salvarão o Mundo”, no seu libelo tremendo, mas elevado, contra os vassalos da animalidade cínica, consiga despertar as forças latentes que ainda existem, de boa vontade e de ideal crístico, a fim de se constituírem em um rebanho dócil, dispostas a seguirem o pastor Divino!

Nas páginas veementes e dolorosas da obra do irmão Fuzeira, cada leitor poderá reconhecer em si próprio, as paixões vis que o escravizam à “Besta”, acordando, talvez, ainda a tempo de libertar-se da fascinante hipnose dos instintos inferiores. Que Jesus nos abençoe e inspire para seguirmos o caminho reto que nos conduzirá ao Seu Reino de Amor e Paz.

Ramatís


Palavras de Estímulo

Irmão José Fuzeira

Sentindo, também, a minha alma sensibilizada pela vossa presença física junto ao sensitivo que nos recepciona o pensamento, estendo-vos a minha mão fraterna, sob cujo calor podeis viver as evocações, em espírito, dos elos que nos têm ligado desde os evos do passado. Louvo o vosso ânimo forte e a decisão perseverante; e, também, os vossos atos, na feição dos pensamentos a que dais forma aí no mundo. É necessário que assim continueis, sempre superando em espírito, os obstáculos que surgirem, opondo-lhes a fidelidade daquilo que sabeis formar o alicerce definitivo do Bem e da Verdade.

Mesmo que a maldade humana tente apagar a chama da vossa candeia espiritual, nós seremos portadores do combustível necessário para que aumente a refulgência dessa lâmpada portadora de luz extraterrena.

Irmão Fuzeira: Ânimo e esperança para que possamos realizar junto ao sensitivo e àqueles que, por compromisso espiritual, alentam os vossos objetivos nos postulados Crísticos ligados aos desígnios e aos labores santificantes da LBV.

No silêncio tranqüilo de vossa alma, nós sempre nos debruçamos para vos falar em espírito, vos assistindo nos momentos de angústia e de vacilações.

Fraternalmente

Ramatís

Comunicação recebida através de Hercílio Maes na sessão em que estivemos presente, realizada em sua residência, em 20 de janeiro de 1956.